APEDE


CONTRA O MODELO DE GESTÃO: UM COMBATE NECESSÁRIO

Posted in Educação por APEDE em 24/06/2009

Como é, infelizmente, típico da maior parte dos seres humanos, também os professores padecem, por vezes, da dificuldade em perspectivar as consequências de médio e de longo prazo no que toca à sua profissão.

Por isso, o combate que travamos desde os primeiros meses de 2008 acabou por se centrar demasiado na questão que nos toca mais de perto: a avaliação do desempenho.

Isso levou à secundarização da própria luta contra a divisão da carreira docente, que é, decerto, uma transformação muito mais estrutural e estruturante da nossa vida profissional do que qualquer forma de avaliação que venha a ser definida.

Mas também deixámos para segundo plano a luta contra o novo modelo de administração escolar, consignado no Decreto-Lei n.º 75/2008.

SE, NESTE ÚLTIMO CASO, A SECUNDARIZAÇÃO SE MANTIVER, É UM ERRO QUE PAGAREMOS CARO.

Com efeito, a nova estrutura de gestão que se impôs às escolas constitui a machadada mais importante na essência do que até agora conhecemos como Escola Pública.

O cenário mais sinistro está montado:
  • Conselhos Gerais que integram professores-satélites da máxima confiança dos directores por eles eleitos, e que por isso nunca irão exercer qualquer função de fiscalização e de observação crítica da actividade de tais directores;
  • Conselhos Gerais que são também uma porta aberta (como já se está a verificar) para a intromissão dos poderes político-partidários desejosos de abocanhar mais este território de poder que são os estabelecimentos de ensino;
  • Directores que podem nomear todos os responsáveis pelos restantes cargos no interior das escolas e ditar regras sem terem de responder a instâncias democráticas capazes de controlar as suas decisões;
  • Directores que, verdadeiramente, só dependem do poder político que possa ter contribuído para a sua investidura nos cargos e que, por isso, tenderão a funcionar como correias de transmissão de uma certa cor partidária e/ou do governo;
  • No último elo da “cadeia alimentar”, um restante corpo docente formado por professores que, com a conversão das nomeações definitivas em contratos por tempo indeterminado, estarão à mercê do arbítrio dos directores para manter o seu emprego e que, por conseguinte, se sentirão fortemente pressionados para fabricar um sucesso escolar artificial e mistificador, bem como para obedecer aos ditames mais delirantes e indignos.

Tal é o cenário que se desenha para as escolas deste país, se não formos capazes de o travar com a nossa resistência.

Tal é, aliás, o cenário que este governo – e talvez os que se lhe seguirão – se prepara para impor a outros corpos do Estado, a começar pelos profissionais da Saúde, numa lógica de empresarialização dos serviços públicos que segue as cartilhas da OCDE e do consenso neoliberal.

POR ISSO, A UNIDADE DOS PROFESSORES COM OUTROS CORPOS PROFISSIONAIS É, CADA VEZ MAIS, IMPERIOSA.

Pela nossa parte, a APEDE tudo fará para suscitar, no início do próximo ano lectivo, o debate e a luta em torno deste modelo de gestão escolar, modelo que não podemos consentir que se instale pacificamente nas nossas escolas

POIS AQUI, COMO EM MUITAS OUTRAS COISAS, A PASSIVIDADE É UM SONO QUE ENGENDRA MONSTROS (confome dizia o velho Goya, que sabia bem do que falava…)

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4 Respostas to 'CONTRA O MODELO DE GESTÃO: UM COMBATE NECESSÁRIO'

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  1. Anonymous said,

    É exactamente o que se está a passar na escola de fachada onde estou colocada.Da lista única e eleita para o CGT só faz parte gente de confiança da ex-presidente! Há quem diga em surdina que foi a dita senhora que teve a iniciativa de cosntituir essa lista com o intuito de se fazer eleger directora… Será possível?! O que é certo é que a directora é a ex-presidente! O seu projecto para a escola desconhecemos mas o que interessa nesta altura é parecer que se tem pois já lá estão os "dependentes de quem tem o poder" a aplaudir.Será isto tráfico de influência? Ou isto é a nova modalidade de democracia chavista?

  2. Mário Machaqueiro said,

    Infelizmente, caro colega, a situação da tua escola repete-se por todo o lado, com raras e honrosas excepções (que também existem, mas que não invalidam o argumento central do nosso texto).

  3. Anonymous said,

    Não entendo!Então o modelo que deu lugar à eleição de um Presidente do Conselho Executivo era bom e aquele que elege a mesma pessoa para Director não presta e demonstra tráfico de influência?Vamos lá deixar a partidarite aguda de lado e defender apenas as nossas escolas.

  4. José Hermínio Oliveira said,

    Na minha opinião, o problema não se centra tanto na ideia do Director (todo poderoso), mas no processo de eleição, facilmente manipulável (‘partidarizável’), e nos meios disponíveis para a sua deposição.Na minha opinião, os modelos anteriores têm dado inúmeras mostras de ineficácia devido à falta de responsabilização típica de um sistema de gestão com poderes distribuídos. Dizer o contrário parece-me falta de honestidade, ou ‘falta de vista’…Gosto do sistema usado nos EUA. Todos os eleitores do círculo de abrangência da escola são convidados a participar num dia de apresentação de candidaturas e respectivos projectos. Depois, no final do dia, todos os eleitores que estiveram presentes ao longo de todo esse dia, e só esses, procedem à votação. Assim, só quem está mesmo interessado, e que ‘leva com a pastilha’ desse longo dia, é que tem direito a voto.Ora, por um lado, não me parece possível manipular um número suficiente de eleitores dispostos a gramar tal estupada(!), e por outro, a escola é uma instituição do interesse de todos; não só dos prof’s, nem só dos alunos, nem só dos enc. educ…Todavia, comparativamente com este, bem menos mau e preferível era o sistema anterior.Por fim, quem argumenta que terem sido escolhidos para Directores os anteriores PCE na maioria das escolas é prova de que o sistema não pode estar assim tão errado não tem grande capacidade de prever o obviamente previsível, esquecendo-se que o tráfico de influências leva o seu tempo a instalar-se, mas instala-se sempre que tal se verificar possível – como já diz a ‘Lei de Murphy’…


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