APEDE


Das perversidades inerentes ao novo acordo

Posted in Avaliação,ME,Negociações,Sindicatos por APEDE em 11/01/2010

Muito se tem falado sobre a necessidade de, nas nossas análises críticas, atendermos aos índices remuneratórios a fim de os articularmos com os novos escalões. E essa articulação deve mesmo ser feita, para que os professores meçam tudo o que vão perder, nos termos deste acordo, relativamente às suas expectativas de progressão na carreira.

Assim, se nos reportarmos à situação anterior aos governos de José Sócrates, um professor situado no antigo 8.º escalão, correspondente ao índice 245, tinha a expectativa de atingir o topo da carreira ao fim de relativamente poucos anos. Agora, à luz do acordo assinado pelos sindicatos, esse professor recua dois escalões, fica sujeito a passar por um índice intermédio, inventado à pressão, correspondente ao que será o 7.º escalão, com a agravante de que estará sujeito ao filtro das vagas, à obrigatoriedade das aulas assistidas, às arbitrariedades da avaliação “pelos pares”, etc. A perversidade aqui radica no facto de o ME ter feito as contas e ter percebido que vai apanhar nesta teia uma larga fatia de professores, aquela onde convém cortar as expectativas remuneratórias – juntamente com a outra fatia, igualmente grande, de professores sujeitos a candidatarem-se ao novo 5.º escalão.

A outra perversidade, a que já aludimos num “post” anterior, consiste numa jogada de mestre por parte da actual equipa ministerial, jogada que teve, infelizmente, o beneplácito dos sindicatos. Enquanto que no modelo recente de avaliação, aquele que combatemos, as vagas no acesso às classificações superiores a Bom eram discricionariamente estabelecidas pelo ME, agora passam a depender em exclusivo dos professores avaliadores: serão eles a decidir quem fica sujeito a vagas no acesso ao 5.º e ao 7.º escalões, ou seja, serão eles que decidirão quem vai ter apenas classificação de Bom. Se isto não é perverso, não sabemos o que é a perversidade…

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11 Respostas to 'Das perversidades inerentes ao novo acordo'

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  1. maria rosa said,

    SEPLEU não chegou a acordo com o ME, porque:

    Não concorda que muitos milhares de professores só possam chegar ao último escalão com 42,5 anos de serviço (contando com o tempo de congelamento);

    Não concorda com a prova de ingresso;

    Não concorda com escalões/índices artificiais para criar barreiras administrativas;

    Não concorda que o “modelo de transição”, para os docentes que se encontram no índice 245 (antigo 8.º escalão e 1.º de professor titular), com menos de 4 anos neste índice, lhes tivesse introduzido um novo escalão com mais 4 ou 7 anos (7.º escalão – sujeito a vagas), gorando-lhes assim todas as expectativas de carreira aquando do seu ingresso e penalizando-os fortemente na sua progressão;

    Não concorda que os docentes que tenham classificação de “Bom” possam ter de estar até mais 3 anos nos 4.º e 6.º escalões;

    Não concorda com o sistema criado, de vagas, para acesso aos 5.º e 7.º escalões e só até 2013;

    O sistema de vagas irá favorecer um clima de concorrência, “pela décima”, nada saudável, que colocará em causa o trabalho em equipa, de colaboração e partilha, indispensáveis para uma desejável boa qualidade no trabalho desenvolvido nas escolas.

    Estes, entre outros, parecem-nos fortes motivos para não termos assinado este acordo!


  2. […] que continuo confuso em relação à posição dos professores e dos movimentos que acusam de perversidades o acordo assinado entre o ME e as duas Federações de […]

  3. Marcos Sequeira said,

    A CGTP, organização sindical com alguma experiência de negociação e de luta, valoriza, e muito, o acordo alcançado pelos professores e pelos seus legítimos representantes:
    http://cgtp.pt//index.php?option=com_content&task=view&id=1515&Itemid=1

  4. Mário Machaqueiro said,

    Marcos,

    Portanto…?

  5. antónio carvalho said,

    Quantos dos 29 pontos reivindicativos apresentados pela fenprof antes das narcóticas reuniões foram contemplados no acordo?
    Se contra o anterior modelo marcharam mais de 100 000, mais de uma vez, contra esta proposta marchará um número não inferior.

  6. Prof said,

    Este acordo só veio provar que os sindicalistas não se preocupam a sério com os professores e não se ensaiam nada em fazer deles carne para canhão.
    Se pensam que os professores são cegos e não percebem bem os objectivos de certos comentários, que parecem encomendados e são nitidamente plantados para distrair e atirar poeira para os olhos, estão muito enganados.
    Colegas da APEDE, sigam em frente, com muita força. A luta tem de continuar e precisa dos movimentos para a manter viva.

  7. Marcos Sequeira said,

    Sugestão para os críticos do acordo:
    Requerer ao ME que lhes aplique a legislação ainda em vigor para os professores titulares e o regime geral da Administração Pública. Podem requerer que, tal como no privado, a nova carreira só se aplique a quem assim o entender. Caso contrário ficam com o regime anterior.

  8. Margarida Graça said,

    Eu continuo aparvalhada com várias questões neste acordo de princípios que envergonha os professores e que gostava que alguém me esclarecesse: A divisão da carreira foi revogada, no entanto, na transição para o 7º escalão há condições para professores titulares!!! Isto é verdade?!? Se o é, onde está a lógica? Se a titularidade tivesse nasciddo da qualidade ainda perceberia, mas tendo nascido de regras sem nexo que criaram injustiças tremendas (visto que o objectivo era criar um quadro qualificado!!!), como é que os sindicatos puderam assinar esta aberrância?! Ou terei compreendido mal?

    Como se pode penalizar quem teve a coragem de enfrentar o imbróglio de injustiças desse estatuto criado por essa tal senhora que já tem posto garantido, depois de ter dado cabo do ambiente das escolas e de ter desmoralizado tantos e bons profiussionais!?

    Não compreendo!

  9. Margarida Graça said,

    Diz o aforismo que quem não se queixa não é filho de boa gente. Entre o silenciar e o denunciar, eu prefiro falar, até porque sou filha de pais que me ensinaram o valor da liberdade, nas ruas, em 74.

    Apesar de não estar totalmente escalarecida quanto a todas as situações do acordo de 08 de Janeiro de 2010, parece-me que é concensual que existe um estádio de progressão na carreira que, pela alteração radical das regras, afecta em demasia o aceitável na vida de um cidadão que iniciou a sua actividade profissional e assinou contrato com determinadas regras, pervertidas numa dimensão nunca antes vistra nem imaginada e pelos sindicatos subscrita. INACEITÁVEL!!!
    Estude-se a situação de quem estava no 8º escalão, assinado e subscrito no contrato efectivo de trabalho. Não há memória! Sindicalizei-me no maior sindicato de professores há 22 anos. Durante 21 anos paquei cotas. Há cerca de um ano disse basta! Sugiro a todos os professores descontentes que se dessindicalizem ou que não se cheguem a sindicalizar! A república das bananas, para todos os efeitos já está criada!

  10. Paula said,

    Temos de continuar a luta. Força aos Movimentos Independentes de Professores. Só com eles podemos contar, já que a maioria dos sindicatos apenas se preocupa com a sua carreira política.
    A voz dos professores não pode ser abafada e os seus direitos não devem ficar esquecidos.
    Há escolas no Algarve onde os professores também não concordam com este “Acordo”.

  11. antonina said,

    Pois sim Sr. Marcos Sequeira, mas os Sindicatos só são legítimos representantes dos Professores até quando eles assim o entenderem. Este não é o acordo dos Professores . É o acordo dos Sindicatos.


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