APEDE


Alguns apontamentos sobre o II Encontro Nacional do MEP

Posted in Educação por APEDE em 01/02/2010

A APEDE felicita o MEP por este seu II Encontro Nacional, que permitiu uma enriquecedora reflexão e importante debate em torno das questões educativas, uma avaliação do momento actual da luta dos professores  e, sobretudo,  uma salutar troca de pontos de vista acerca do que entendemos dever ser  e para onde deve caminhar a Escola Pública.  Mais importante do que ensaiar um relato do Encontro, que poderá encontrar-se no blogue do MEP, a APEDE reafirma a ideia que tem para a Escola Pública (constante na sua Proposta Global Alternativa), uma Escola de todos e para todos, capaz de incluir sem excluir,  uma Escola de gestão democrática e promotora  de um ensino de qualidade, baseado no rigor e na exigência, nos valores do esforço, do trabalho e da responsabilidade,  de todos e de cada um, na importância do conhecimento, colocado ao serviço de uma cidadania  activa, crítica e interventiva. Uma Escola que dignifique e valorize a profissão docente. Uma Escola que disponha dos recursos humanos e materiais necessários e mais adequados para responder às reais necessidades educativas dos alunos, que lhes dê respostas e os apoie efectivamente,  promovendo um sucesso educativo real  e não  meramente estatístico. Uma Escola onde a qualidade da relação pedagógica (que o modelo de classificação socrático jamais conseguirá percepcionar, quanto mais avaliar) seja a pedra angular e  o  fermento  da verdadeira autoridade do professor,  como bem apontou o Sérgio, um dos dois alunos presentes, e a APEDE reforçou na sua intervenção final.  

A APEDE fez ainda questão de alertar para a necessidade imperiosa da continuação da luta e dos perigos de um eventual “adormecimento” da mesma,  face a tudo o que de negativo, e exponencialmente conflitual, encerra o “Acordo” ME-Sindicatos, nomeadamente, no que diz respeito às armadilhas contidas no modelo de avaliação e nas progressões na carreira, onde se mantêm as quotas e outros graves problemas.  Foi com muito agrado que registámos o tom quase unânime de crítica ao “Acordo”, por parte da generalidade dos  presentes, situação que motivará mesmo uma alteração ao texto inicial proposto pelo MEP. Para além de todas as críticas que têm sido e foram  apontadas, neste Encontro,  ao referido acordo, o MEP tem muita razão quando escreve que ele “não significa,  por si só, uma escola pública mais capaz, ou mais forte, para cumprir a sua missão social.” Nem garante, a nosso ver, a tão propalada pacificação das escolas. Como poderia, tendo sido assinado nestes termos?

Hoje como ontem, A APEDE (e, por certo, os restantes movimentos independentes de professores) continuará disposta a resistir, a mobilizar, a reforçar a luta. Sempre do lado certo, sem cedências nas questões de princípio prioritárias que são as da justiça e da defesa da dignidade profissional docente. Sem isso, nada de perene e verdadeiramente transformador se conseguirá  desencadear no seio da Escola Pública, que queremos outra. Palavra de professores.

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4 Respostas to 'Alguns apontamentos sobre o II Encontro Nacional do MEP'

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  1. Fiscal de linha said,

    Deste lado do campo, não vislumbro todas as jogadas, mas dá para perceber uma alteração táctica da APEDE. A demarcar-se do radicalismo inconsequente do MUP e do PROMOVA e a aproximar-se do MEP.
    Para quando a sindicalização dos Apedes?

  2. Ricardo Silva said,

    Caro Fiscal de linha,

    Sem caír na tentação de lhe perguntar a que “equipa de arbitragem” pertence 🙂 tenho de considerar que, desse lado do campo, devia haver um enorme nevoeiro quando leu o nosso texto. A APEDE não alinha em tacticismos, fala claro e directo, não se esconde, dá a cara e vai à luta, como sempre tem feito. E aprecia imenso ser apelidada de radical, sobretudo quando não abdica da defesa intransigente daqueles que são os seus princípios e valores fundamentais. Relativamente às sindicalizações, compreendemos a sua preocupação, mas a pergunta, além de boçal e mal educada, é completamente descabida, pois temos certamente muitos sócios sindicalizados e na direcção da APEDE passa-se o mesmo. Até se dá o caso de termos um delegado sindical, com cerca de 30 anos de sindicalização no SPGL, como membro da direcção da APEDE 🙂 E não vemos nisso nenhuma razão para espanto ou admiração. É desta riqueza e pluralidade de experiências e posicionamentos ideologicos, políticos e sindicais, que a APEDE retira a sua força e o reforço da sua matriz fundadora: o compromisso com a independência. É assim também que respondemos a quem tem uma visão maniqueísta da luta, e insiste em tentar enquadrar-nos, rotular-nos e atacar-nos. São tiradas dessas que nos despertam um largo sorriso, e um redobrado prazer em continuarmos a resistir a todas as manobras ofensivas e outros maus sentimentos. Que valem o que valem… pouco ou nada!

    Já agora, para os nossos colegas do PROmova e do MUP, fica um forte abraço e uma palavra de profundo apreço por tudo o que têm feito, muitas vezes em conjunto connosco, em prol desta luta.

    Finalmente, convirá esclarecer que não estamos disponíveis para continuar a alimentar este tipo de pseudo-polémicas, essas sim, totalmente inconsequentes.

  3. Fiscal de linha said,

    Respostas precipitadas são, geralmente, disparatadas.
    Lendo com mais atenção o meu comentário, teria acabado por perceber o sentido. Experimente ler de novo. Tente relacionar a frase onde diz “aproximar-se do MEP” com a frase “para quando as sindicalizações…”. Percebeu agora a pergunta “boçal”?
    Registo as palavras de conforto para o MUP e PROMOVA, que bem precisam, pois o fim-de-semana não correu nada bem.

  4. Ricardo Silva said,

    A pergunta é boçal por diversas razões: em primeiro lugar a APEDE nunca teve necessidade de se aproximar do MEP ou de se afastar, são movimentos de cariz distinto e ganham pela sua indivdualidade. Que se tenham encontrado em diversos momentos da luta é um dado positivo que nos apraz registar. Em segundo lugar não se percebe essa relação entre MEP e sindicalizações, mesmo porque o MEP não é um movimento exclusivamente de professores, tem vários pais (não professores) na sua estrutura coordenadora. Enfim… poderia continuar mas não pretendo alimentar mais esta troca inútil de comentários, até porque não estou muito disponível para responder a comentadores quem nem sequer indicam o seu nome e a sua declaração de interesses, que fica semi-oculta. Finalmente, remataria, aconselhando-lhe mais calma e menos preocupação quanto às eventuais sindicalizações dos membros da APEDE que o não são. Deixe lá os palpites e os juízos de intenção, não têrm qualquer relevância, correcção ou acuidade.


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