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Uma Outra Escola

Posted in Educação por APEDE em 04/02/2010

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A APEDE dirige uma saudação especial a Santana Castilho, por mais esta oportuna e desassombrada reflexão, e regista com natural agrado a sintonia de posições que temos mantido, como  facilmente se comprovará com a leitura da nossa Proposta Global Alternativa, publicada em Dezembro passado.

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4 Respostas to 'Uma Outra Escola'

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  1. Leopoldo Mesquita said,

    Não estou de acordo com esta crónica de Santana Castilho, e muito menos com o título que foi dado ao “post”: “Uma Outra Escola”.
    A escola que emerge das análises e considerações contidas no artigo, corresponde ao modelo de escola que nasceu com o capitalismo industrial moderno e que acompanhou este sistema ao longo de cerca de quatro séculos, até aos nossos dias. Esse modelo de escola faliu. As classes dominantes na “sociedade global” pretendem agora substituí-lo por outro modelo, o qual, incorporando muitas das suas características mais ou menos permanentes (padronização extrema nos conteúdos, nos procedimentos e na avaliação de conhecimentos, com um recurso sistemático a exames; concepção da educação pública como uma indústria de produção em massa; predomínio avassalador da componente “literária” nos conteúdos de aprendizagem e existência de uma forte componente doutrinária; etc.), pretende-se que incorpore também uma lógica capitalista de produção e de lucro. É a existência desta última componente que, não sendo a mesma devidamente atendida, por vezes dificulta a compreensão de aparentes “contradições” nas políticas e medidas educativas oficiais e formais, as quais comportam inúmeros elementos de ordem puramente táctica.
    Toda e qualquer alternativa que se queira erguer ao projecto de transformação educativa atrás referido, terá de significar uma ruptura com tudo o que o mesmo significa, senão em termos imediatos relativamente a todas as suas componentes, pelo menos no plano dos princípios. É ilusório pensar-se que o projecto educativo que o Governo Sócrates preconiza (que, com as especificidades que são próprias à nossa realidade, tem indiscutivelmente uma matriz global) não virá a comportar, mais cedo ou mais tarde, quase todos os princípios e medidas aqui avançados por Santana Castilho.
    As constantes referências que sempre são feitas aos “últimos 30 anos”, seja pelo autor deste texto e pelos que defendem posições similares, seja por José Sócrates e os últimos ministros da educação, quando pretendem evocar o que consideram ser o período de degenerescência da escola pública, há-de provavelmente significar, num prazo mais ou menos curto, um “acordo de princípios” qualquer entre correntes que agora parecem distantes. Reparem que a actual Ministra da Educação já seria capaz de subscrever quase tudo o que está neste texto de Santana Castilho. Se se quiser outro exemplo mais claro ainda, duas das personalidades mais marcantes e influentes na cena educativa portuguesa e que foram apoiantes fervorosos das políticas educativas de Sócrates/Mª de Lurdes Rodrigues quase até final da legislatura, Roberto Carneiro e Marçal Grilo, certamente subscreveriam este texto de Santana Castilho. E fá-lo-iam não por oportunismo mas sim por convicção.
    Quando a APEDE divulgou a sua “Proposta Global Alternativa”, que realmente incorpora muito (ou quase tudo) do que vem no artigo de Santana Castilho, pensei em comentar com algo parecido ao que aqui digo. Não o fiz então porque, contendo esse texto da APEDE análises e propostas detalhadas, uma tomada de posição curta e sintética, como é esta que aqui adopto, poderia dar origem a mal-entendidos e tornar o debate impossível neste suporte “bloguista”. Um desses mal-entendidos poderia ser justamente o de se pensar que eu estaria a tentar “colar” a APEDE ás políticas educativas do Governo. Não é essa a minha ideia, nem é sequer isso o que eu penso sobre as posições de Santana Castilho. Mas do que eu não tenho dúvidas é que posições “globais” do tipo das de Santana Castilho ou da APEDE poderão ter como resultado deixar o “touro” (i.e. o projecto educativo protagonizado pelo actual Governo) desembestado, em lugar de o tentar pegar pelos cornos,como se impõe.

  2. Ricardo Silva said,

    Caro Leopoldo,

    O título do post foi retirado do título da nossa Proposta Global Alternativa: “Para Uma Alternativa: Uma Outra Escola, Uma Outra Carreira Docente, Uma Outra Avaliação”, que tem realmente vários pontos de contacto com este texto de reflexão do professor Santana Castilho.
    No nosso documento, defendemos uma ideia de escola e um conjunto de princípios organizativos que submetemos a debate público, numa postura aberta ao contraditório, à discussão livre e participada de todos os interessados. Já acolhemos, naturalmente, alguns contributos e continuamos dispostos a ouvir considerações e a prestar toda a atenção a novas abordagens e propostas. Não se trata de um documento totalmente fechado, mas também não escondemos que contém uma filosofia e uma ideia sobre o modelo de Escola Pública que defendemos e de que não abdicaremos, pois resulta das convicções e princípios de um largo conjunto de professores, envolvidos directamente na elaboração do texto.

  3. Leopoldo Mesquita said,

    Caro Ricardo Silva,

    Agradeço a sua resposta e obviamente respeito as suas/vossas ideias.
    A mim preocupa-me uma tendência perversa que existe hoje entre aqueles que pensam e praticam de uma forma séria e democrática a educação das novas gerações, que é a de contraporem a um programa de transformação educativa (o que é protagonizado pelo actual Governo, mas que tem um carácter global) que é muito elaborado e que visa tansformar as escolas em meras fábricas de produção de resultados com objectivos lucrativos, contraporem a esse programa, dizia, em lugar de outro programa alternativo e com uma fundamentação sólida, reacções quase epidérmicas e casuísticas, cujo significado acaba por ser o da defesa de um modelo idealizado da escola tradicional (a qual, nas suas linhas fundamentais, nunca foi uma boa escola) e o de, mesmo que o espírito das vossas propostas não seja esse, oferecer de bandeja aos nossos adversários a possibilidade de aplicarem, até limites intoleráveis, métodos e medidas que sempre fizeram parte desse modelo de escola e que, em meu entender, devem ser firmemenete rejeitados (por exemplo: exames a eito e total subordinação das aprendizagens aos mesmos; conteúdos de ensino quase exclusivamente “literários”, que são aqueles sobre os quais se pode fazer uma rígida contabilidade empresarial; forte autoridade hierárquica do tipo da que existe em qualquer “cadeia de produção”; e também, numa característica que tem algo de novidade, responsabilidade contratual dos pais pelos resultados escolares dos filhos, com penalizações se não o fizerem).
    Apraz-me registar que encaram esta minha preocupação e a forma frontal como a exprimo com uma salutar atitude de abertura e de diálogo.

  4. Meio Vazio said,

    O que não deixa de ser irónico, é que alguém se proponha encontrar no ideário da República solução para problemas originados – ou, pelo menos, alimentados – nesse mesmo ideário…


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