APEDE


A Vitória (provisória) Que Não Derrota

Posted in Bloggers,FENPROF,ME,Negociações,Opinião,Professores,Sindicatos por APEDE em 09/05/2010

A recente decisão do TAF de Beja (que saudamos) impondo a retirada (ainda que provisoriamente)  dos resultados da ADD do actual concurso de professores é um verdadeiro bálsamo e uma solução perfeita para aqueles que nunca erram e nunca perdem.

O ME não poderia nunca recuar ou tomar outra decisão que não fosse aquela que sempre defendeu: “a avaliação não foi um simulacro” (foi o quê então?) e deve ser considerada nos concursos. Alterar esta posição representaria sempre uma tremenda derrota política do primeiro-ministro e um problema complicado para o ME no sentido em que teria de explicar aos professores, que obtiveram MB e Excelente, porque razão dava o dito por não dito, retirando-lhes o “rebuçado” que tantas vezes apregoou como fundamental para distinguir e premiar  o “mérito”. Esta decisão do tribunal é, claramente, a solução perfeita pois, deste modo, Isabel Alçada  poderá sempre argumentar que o ME apenas cumpriu uma decisão judicial, mesmo não concordando, ficando assim ilibado perante os oportunistas que possam agora sentir-se prejudicados em sede de concurso.

Para os sindicatos, sobretudo para a FENPROF e o seu muito  incomodado dirigente máximo,  esta poderá ser a  solução possível para se reafirmar a extraordinária capacidade de defesa dos interesses dos professores, tentando iludir a teia de contradições, fracassos e  inseguranças que têm polvilhado a sua acção e afirmações mais recentes. E sobre estas últimas  seleccionamos apenas duas, bastante reveladoras e interessantes:

Primeira afirmação: “As actas negociais são feitas por juristas e assinadas após correcção. São públicas. Qualquer sindicalizado as pode consultar no seu Sindicato. Quanto à acta de 7 de Janeiro (do acordo), ainda não se conhece, porque não foi enviado à FENPROF o projecto para correcção.” Mário Nogueira, in,  jornal “Público”, 3 de Maio.

Perante isto, e dada a gravidade da situação, estando nós a 9 de Maio (mais de 4 meses depois) muito poderíamos dizer mas… será suficiente  citar o ditado popular: “o  amor é (mesmo) cego”!

Segunda afirmação: “Se eles nem são sindicalizados, para que querem ter influência no que fazemos?” Mário Nogueira , in, Semanário “Sol”, 7 de Maio.

Pois… esta é que é a grande questão! Esta é a questão que verdadeiramente INCOMODA aqueles que se habituaram, ao longo dos anos, a comandar e a decidir sozinhos, nas cúpulas directivas,  como, quando e onde, se desenvolveria a luta dos professores. Acontece que não o souberam fazer a contento dos professores e, por isso, a luta “saltou dos carris”, explodiu nas escolas, na blogosfera,  nos  movimentos independentes e nunca mais nada foi como era antes. E ainda bem, pois ninguém poderá negar a importância e relevância desta resistência “desalinhada” em tantos momentos da luta. Ignorá-la ou pretender “domesticá-la” e/ou descredibilizá-la é um erro escusado e absurdo pois não passa de um acto falhado e contraproducente.

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Uma resposta to 'A Vitória (provisória) Que Não Derrota'

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  1. De facto, as direcções sindicais ainda não perceberam ou não querem perceber que o sindicalismo mudou e que se as associações independentes existem e se movimentam é precisamente porque as bases sentiram que o sindicalismo tradicional não dava resposta às suas justas preocupações (como se vê todos os dias). Incapazes de entender o rumo dos acontecimentos, esses dirigentes prosseguem nas mesmas e estafadas estratégias que vêm na cassete e que estão a dar o óbvio resultado que todos sabemos. Depois queixam-se de que a classe não está mobilizada e que estão sempre a levar nas orelhas por parte da malta da blogosfera.Mas como estão convencidos de que eles é que sabem tudo e decidem tudo na cúpula, têm sempre recusado peremptóriamente qualquer diálogo com os movimentos, não hesitando em promover ostensivamente acções divisionistas.Já o dissemos e provámos muitas vezes. Os movimentos não são anti-sindicais. Eu até sou sócio do SPGL.Agora não nos peçam para alinhar na teoria do rebanho. As nossas críticas são justas e refletem o pensamento e o sentir das bases.Não estamos nem estaremos enfeudados a quaisquer estratégias politico-partidárias, mas estamos sempre prontos para aprofundar as vias que conduzem à unidade na luta com todos os que considerem que esse é que é o caminho…Que justificação pode existir para que a maior organização sindical deste país promova “plenários” com 30 pessoas, acções de rua com 15 pessoas, reuniões de delegados com 6 pessoas e outras demonstrações análogas….Vá responde lá ó Mário Nogueira….


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