APEDE


Em França como em Portugal

Posted in Acções de Luta,Cidadania,Sindicatos por APEDE em 03/10/2010

De um texto distribuído ontem em Paris, durante a terceira grande manifestação contra a nova lei que pretende alargar a idade da reforma. O texto foi produzido numa assembleia que reuniu, a 23 de Setembro, ferroviários, professores e outros trabalhadores:

«É evidente que um dia de acção isolado, aqui ou acolá, convocado pelos sindicatos com vista a negociações em que o essencial já está negociado, não conduzirá a nada a não ser ao crescimento do sentimento de impotência. Tais sindicatos, que nestes últimos anos fizeram abortar movimentos antes mesmo de eles nascerem (…), preparam-se para fazer a mesma coisa, de maneira ainda mais assumida. É de crer que eles preferem sofrer mais uma derrota do que ver um movimento escapar ao seu controlo…

Assim sendo, para esta luta possa realmente ocorrer, será preciso que ela se desenrole por cima das cabeças das direcções sindicais. Será nomeadamente necessário impor-lhes a greve, sem a qual nada será possível. Não é tarefa fácil: para isso, é preciso começarmos, desde já, a organizarmo-nos, a transformar a cólera latente em acção colectiva.

Mas “os sindicatos perdem bruscamente o controlo das suas bases”. Ora aí está uma coisa que não seria forçosamente má.

Greve geral! Greve ilimitada! Greve ofensiva! Bloqueemos a economia!»

E para que fique claro: não nos venham dizer que a greve de que se fala neste texto tem algo a ver com a greve ritualizada, e previamente esvaziada de substância, que a CGTP convocou para 24 de Novembro. Perante a imensa ofensiva de que os trabalhadores estão a ser objecto, as greves ou são para doer ou não são!

Para a versão integral do texto dos trabalhadores franceses, ver aqui

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4 Respostas to 'Em França como em Portugal'

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  1. Estou a lembrar-me da reacção de uma destacada dirigente do SPGL aquando da primeira grande acção de rua dinamizada pelas organizações independentes, o célebre cordão humano.A rapariga estava em pânico, quase que dava saltos. Não conseguia explicar a posição de alheamento das cúpulas e procurava desesperadamente argumentos que não existiam, claro, para justificar o injustificável.É sempre assim. Preferem a derrota e a desmobilização do que colaborar com estruturas de base que não controlam.Agora surge a Greve Geral.O texto francês é exemplar para vermos como funciona o aparelhismo internacional.A Direcção da APEDE vai reunir para assumir uma posição oficial, mas há algumas ideias que podemos avançar desde já.Como sempre a G.G. é atirada como um ritual e um objectivo em si mesmo o que é profundamente errado.Concerteza que tb tem uma componente de catarse e pode dar a ilusão de alguma força às bases. Mas depois como é ??? Qual o passo seguinte??Esgotado o objectivo imediato, cai tudo no marasmo do costume e sobrevem a frustração e a impotência. Não podemos concordar com este beco sem saída. Temos de construir alternativas viáveis, caminhos que nos permitam chegar a algum lado. Esse é que deveria ser o papel dos dirigentes sindicais, mas a demissão parece ser a sua única palavra de ordem. Urge quebrar estas práticas desmobilizadoras e partir para acções mais consequentes…

  2. filipe said,

    Sobre o texto de Jorge Valadas: queri dizer «emigrante»(que saiu de Portugal) ou« imigrante» ( que veio de outro país e ainda não abalou de Portugal)?
    Qualquer pessoa com mais de 50 anos ,que tenha o ensino liceal, traduz correctamente o Francês.Teve 5 anos de ensino da língua…

    Que dirigentes europeus temos? Porque continuam a persistir nos erros do neoliberalismo selvagem? Que sistema bancário tão ingrato e arrogante!

  3. amarques1966 said,

    Os sindicatos têm-se revelados tão incompetentes na defesa dos interesses dos que afirmam representar como os governos o têm na defesa do interesse da nação. A razão disto prende-se com o facto de, quer uns quer outros, serem altamente diligentes, isso sim, na defesa dos seus próprios interesses, sejam eles pessoais, partidários ou sindicais. Defender os interesses pessoais, partidários ou sindicais nada tem de mal… o que não se pode é defender esses interesses dizendo que se está a zelar acima de tudo pelo interesse colectivo dos trabalhadores ou cidadãos que afirmam representar.
    Chega de grevinhas rituais e de descidas de avenida! Gostava de ver uma tomada de posição amplamente divulgada que, sem desmobilizar o sentido de resistência e de luta, pusesse a nu a ritualização oca em que se transformaram os protestos sindicais. Basta fazer uma pergunta aos trabalhadores… Onde é que essas acções de protesto nos levaram?


  4. Quando vi o camarada Carvalho da Silva apelar à greve geral enfatizando que o ministro das finanças é que é o inimigo público nº Um, fiquei boqueaberto. Estarei a ouvir bem???? Esperem aí!!! Então o sr. Sousa não tem nada a ver???? Decididamente há aqui algo que não encaixa.Agora a Central sindical quer ficar bem na foto do pinóquio??? Não, meus amigos!! Não me digam que é apenas por acaso.Isto só pode ter uma leitura. Os camaradas querem ilibar o prinicipal responsável. Com que objectivo???Só pode ser o de se porem a jeito para partilhar algumas migalhas que caiam da mesa do poder. Se este facto tem outra leitura, meus amigos, então digam-me que não consigo interpretar de outra maneira.Quando chegamos a este ponto, podemos ter a certeza que temos de ser nós a tomar as rédeas. Está fora de questão dar a nossa confiança a dirigentes que assumem posições destas.


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