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Desafios de que vale a pena falar

Em “posts” anteriores abordámos as plataformas de luta que é urgente construir perante este ataque sem precedentes aos direitos sociais (mas também políticos) dos trabalhadores na Europa. Falámos também de alguns dos estrangulamentos que hoje bloqueiam a eficácia dessas lutas.

O maior de todos, a que importa regressar, é a ausência de uma direcção organizacional e política que estruture essas lutas a nível nacional e transnacional. As organizações que têm ocupado tradicionalmente o terreno estão, de facto, esgotadas. Ou são partidos políticos descredibilizados por décadas de rotinização, de anestesia no suave berço dos subsídios que emanam do erário público, quando não de cumplicidade e participação activa nas armadilhas congeminadas pelo capital financeiro. Ou são sindicatos cujas direcções se habituaram mais a frequentar os corredores e os salões dos ministérios, embalados por anos de «concertação social», do que a lutar efectivamente pelos direitos dos trabalhadores que supostamente representam.

O mal, como já vimos, não é só português, mas estende-se um pouco a toda a Europa – embora o desfecho do actual combate em terras de França nos permita vislumbrar alguns sinais positivos.

Impõe-se, pois, que novos actores sociais apareçam, com outra imaginação e outro empenho, fora do quadro hegemónico das organizações tradicionais. No entanto, aqui as perspectivas também não são animadoras. As condições para o cruzamento fecundo entre a revolta colectiva e os movimentos independentes são demasiado voláteis para que nelas se possa construir algo de sólido e duradouro – como se viu recentemente no caso da luta dos professores. Infelizmente para todos nós, os sindicatos, após uma primeira fase de surpresa e atordoamento, conseguiram retomar o controlo da luta que estava sendo travada, e hoje todos nós constatamos o saldo miserável que daí resultou – miserável para os professores, que não para as direcções sindicais, impantes na desfaçatez com que traíram e continuam a trair quem nelas depositou confiança.

Por outro lado, estes e outros que, entre nós, poderiam ter meios e visibilidade para organizar correntes alternativas, eventualmente capazes de articular sectores intelectuais com lutas laborais desenquadradas da disciplina sindical, parecem preferir o circuito limitado da blogosfera e dos debates mais ou menos académicos. E estes, por muito produtivos que possam ser, estão a anos-luz da urgência que nos desafia.

Enquanto não surgirem esses novos actores do combate pelos direitos sociais e laborais, a desorientação, o medo e o sentimento de impotência continuarão a pautar o nosso quotidiano. Até quando?

 

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