APEDE


O papão insurreccional explicado às crianças

Posted in As revoluções começam assim por APEDE em 15/11/2010

Dupont e Dupond

reunidos no programa de Mário Crespo, explicam que as formas de constestação, como a greve geral do dia 24 ou as manifestações de rua, desde que devidamente enquadradas – por partidos políticos ou sindicatos -, não fazem mal nenhum. O pessoal faz greve (de um só dia, como deve ser), deita cá para fora as suas mágoas e os seus protestos, e no dia seguinte regressa tudo à normalidade (exploração desenfreada, perda de direitos, reduções salariais, desemprego). Devidamente disciplinada e bem arrumadinha pelas organizações que a «enquadram», essa contestação é boa, dizem Dupont e Dupond, porque não serve para nada (ou para muito pouco).

O pior, acrescentam Dupont e Dupond (com preocupação no semblante), é quando esses protestos surgem desenquadrados, quando tudo começa por um rastilho que rapidamente se incendeia, quando não há organização para apascentar os contestatários e a constestação se transforma, de facto, numa luta de contornos imprevisíveis.

Dupont e Dupond não o explicitam, mas é por aí que se inicia muito boa revolução. Olhem, por exemplo, esta, cujo aniversário se celebra daqui a sete anos:

Tudo começou, em Fevereiro, com umas operárias grevistas que, à margem de qualquer organização formal, arrastaram consigo os operários…

… que arrastaram com eles os soldados…

… e, ao fim de poucos dias:

3 Respostas to 'O papão insurreccional explicado às crianças'

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  1. Exactamente! O próprio Ângelo Correia que já foi ministro da Adm. Interna sabe bem o quão inofensivas são as grevezinhas de um dia, bem enquadradas pelos sindicatos situacionistas.Não digo que devamos ignorar a greve geral pela simples razão de que ela hoje já congrega apoios vindos de tantos sectores….Seria cegueira fingirmos, como o Guinote, que uma tão larga convergência é coisa de somenos.O importante é termos consciência de que ela é apenas um simples momento e que, na melhor das hipóteses, pode ser a rampa de lançamento para acções de maior fôlego, mas nunca o ponto de chegada que defende o camarada Carvalho da Silva.

  2. Mário Machaqueiro said,

    Claro, Zé Manel. Neste momento, não faz sentido automarginalizarmo-nos em relação à greve geral. Importante seria desenvolver iniciativas para que essa greve não fosse o ponto quase terminal de uma luta (que acabaria antes de começar), ou um momento totlamente desligado de uma sequência consistente. O problema é que, começando tão tarde em relação a um tema – o Orçamento da miséria e da recessão – que deveria ter suscitado uma mobilização imediata, as organizações do «enquadramento» não parecem efectivamente dispostas a levar a cabo um combate determinado.

  3. incorporeo said,

    Está por explicar porque é que, em simultâneo com a greve geral, não se convocou também uma manifestação. Os argumentos apontados por algumas eminências não convencem (pelo menos a mim e a uns poucos…).
    Efectivamente a greve geral parece ser o términus de uma acção contestatária pouco consistente com pouco ou nenhum alcance (talvez o propósito seja afinal o que Ángelo Correia referiu: uma catarse colectiva para soltar energias e ficar por aí… muito ordeirazinha e bem enquadrada nas regras “acreditadas” pelo Sistema). Esta manifestação é, quanto a mim, uma das muitas facetas do Sistema em que vivemos. Organizações sindicais assimiladas no Sistema organizam manifestações devidamente enquadradas nas regras do Sistema, em que os peões, que acreditam na eficácia desse mesmo Sistema, desempenham o seu papel de “massas”.
    Só que o Sistema, tal qual o conhecemos, tem dado provas de estar corrompido e degradado de alto a baixo (ao nível político, legislativo e judicial). Por outro lado, a exposição mediática e algo patética de figuras inócuas para o Sistema (Medina Carreira, para não falar de outros “desalinhados”, com livre acesso aos meios de comunicação do Sistema) é mais uma forma de “entertainment” das massas. Tais figuras, por não se engajarem, não representam ninguém. Quando muito, poderão dar voz ao que muitos pensam e observam na impotência da sua individualidade anónima. O Sistema não é receptivo a subversivos; estes, ou são integrados com contrapartidas pessoais “simpáticas”, ou são liminarmente afastados da ribalta mediática (por vários meios, devidamente “enquadrados”). Pôr em marcha um novo paradigma será tarefa penosa. Mas não impossível! Haja portanto vontade para isso.


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