APEDE


Um défice de cidadania e de lutas sociais?

Alguém dizia, há dias, que o défice preocupante em Portugal não é exactamente o do Orçamento de Estado, mas o das lutas sociais e da mobilização colectiva dos trabalhadores no combate pelos seus direitos. O que nos conduz à velha questão de tentar perceber por que, perante este ataque sem precedentes a direitos longa e duramente conquistados, os trabalhadores portugueses permanecem tolhidos na inércia e em meras estratégias individuais de acomodação.

Respostas, para isso, não faltam.

Temos a resposta sociologista e historicista, segundo a qual os portugueses foram acarneirados por 50 anos de ditadura fascisto-salazarista. E até há quem recue aos tempos da Inquisição para encontrar as raízes culturais ou sociais deste aparente caldo nacional de medo, de culto do respeitinho, à mistura com chico-espertismo e marialvismo inconsequente (do tipo «é só garganta»).

Temos depois a vulgata identitária, com o seu cortejo de generalizações empenhadas em definir o «ser português»: os «brandos costumes», a natureza pacífica e cordata, pouco dada a excessos e a contestações, etc., etc.

E um estudo recente, baseado num inquérito efectuado de norte a sul do país sobre o modo como os portugueses se vêem a si próprios e aos outros, permite concluir que eles se atribuem, predominantemente, traços como «sonhador», «sentimental», «pacífico», «adaptável», «modesto», «serviçal». Não são os outros que nos vêem assim, nem são as elites dominantes que, especulando acerca do «carácter nacional», projectam esses traços sobre os seus conterrâneos. Não, os próprios portugueses gostam de se imaginar desse modo.

É claro que, de vez em quando, este povo consegue surpreender os incautos e os teóricos do conformismo:

E, nessas alturas, acontecem coisas estranhas e imprevisíveis:

Anúncios

3 Respostas to 'Um défice de cidadania e de lutas sociais?'

Subscribe to comments with RSS ou TrackBack to 'Um défice de cidadania e de lutas sociais?'.


  1. E depois… há aquela teoria que assenta no facto do povo estar profundamente descrente nos responsáveis politicos e sindicais, nas suas manobras e agendas ocultas (cada vez menos) mas, mesmo revoltado, e com uma noção crescente das injustiças e problemas, de vária ordem, que nos afectam, não consegue encontrar um outro “obviamente, demito-o”, ou qualquer outra solução mobilizadora e de confiança, ao virar da esquina.
    E assim vamos seguindo… neste triste fado… num país atolado na irresponsabilidade, na falta de ética, no “poleirismo”, na corrupção e tráfico de influências, na injustiça, no acentuar de contrastes sócio-económicos, etc. Uma nova geração precisa-se… novas gentes, novos processos, porque é fundamental restaurar a confiança e a capacidade de acreditar.

  2. Mário Machaqueiro said,

    Pois, Ricardo. Sobre isso temos de escrever muitos outros “posts”. Dava para um romance (do género pornográfico, embora pouco excitante).


  3. Vamos mas é deixar-nos de conversas da treta e passar à acção como fez aquele juiz de Alenquer que reduziu o seu horário de trabalho devido aos cortes no vencimento. Se a clique reduziu os nossos salários em 5%, é mais do que justo NÓS tomarmos a iniciativa de auto-reduzir o nosso horário nos mesmos 5%, ou seja, cerca de hora e meia por semana. Vamos a isso Pessoal!!!


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: