APEDE


E depois de 24?

Posted in Greve geral como ponto de partida por APEDE em 23/11/2010

No dia 24, a maior parte dos membros da APEDE, pelo menos na sua direcção, irá fazer greve.

O motivo da nossa adesão prende-se com as mesmas razões que nos levaram a participar na manifestação do passado dia 6:

porque achamos que é necessário dar um sinal público do mal-estar, da insatisfação profunda e do sentimento de revolta perante uma política inteiramente orientada para espoliar os trabalhadores, à escala europeia, e para reforçar um mecanismo de distribuição de riqueza particularmente perverso: dos bolsos da classe média-baixa e dos mais carenciados para as contas off-shore da minoria composta pelos muito ricos. Pois a isto se resume as famosas medidas «de austeridade» que governos serventuários andam a impor por essa União Europeia fora.

Fazemos greve porque consideramos fundamental que os actuais detentores do poder percebam a dimensão do nosso descontentamento e da nossa oposição a esta política.

Fazemos greve porque queremos contribuir para a construção de um movimento unitário capaz de juntar trabalhadores de profissões muito diversas, precários e efectivos (estes bem mais fragilizados do que se pensa), num esforço de recusa e de resistência.

Fazemos greve, em suma, porque não aceitamos que nos apresentem a injustiça social como uma fatalidade tão incontornável como a chuva de Inverno.

Mas, dito isto,

compreendemos muito bem o desencanto daqueles que, partilhando a nossa indignação, justificam, no entanto, o intuito de não aderir à greve geral.

Compreendemos perfeitamente a relutância de muitos professores em fazer uma greve convocada por direcções sindicais que, num passado bem recente, por entre ternuras e beijinhos, correram a assinar acordos que mantiveram o essencial dos aspectos mais lesivos para a nossa profissão.

Compreendemos até a repugnância em participar numa greve apoiada por uma central sindical cujo dirigente máximo já veio a público manifestar a sua aquiescência para com o Orçamento-Ladrão e jurar, a pés juntos, que a greve não será feita contra o governo socratino.

E compreendemos também os que não aceitam uma greve geral limitada a um protesto – por imperioso que seja – realizado num único dia, sem ligação a um plano de luta coerente e capaz de oferecer aos trabalhadores um horizonte de resistência com um mínimo de acutilância.

E esta última é, para nós, a objecção maior que se pode colocar à greve do próximo dia 24.

As direcções dos sindicatos não parecem interessadas em prolongar o impacto e os efeitos da greve para lá da sua efectivação.

Poderíamos imaginar que este seria um momento de contagem de espingardas – tendo em conta o número muito significativo de sindicatos que anunciaram a sua adesão -, após o qual se lançariam acções mais determinadas, munidas de um caderno reivindicativo claro e concertado com federações sindicais de outros países europeus. Acções que passariam eventualmente pela repetição, com intervalos curtos, de outras greves gerais. Tantas quantas as necessárias para inverter estas políticas.

A articulação, tão urgente, das confederações sindicais europeias poderia apontar nesse sentido? Contudo, ao vermos que isto conduz apenas a isto, é caso para desesperar…

Portanto, a questão fundamental é esta:

e depois do dia 24?

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3 Respostas to 'E depois de 24?'

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  1. Cristina Ribas said,

    Identifico-me totalmente com a postura da Apede e agradeço o muito que tem feito pela educação. Partilho das suas preocupações e por isso levei este texto para o Profblog. Beijinhos

  2. Mário Machaqueiro said,

    Obrigado, Cristina.
    Bjs. para ti

  3. Cristina Ribas said,

    Olá Mário!
    Eu é que agradeço a vossa disponibilidade, sensatez e intervenção.
    Beijinhos


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