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O sindicalismo, de novo – 2

Chegámos a um tempo em que  figuras proeminentes do capital financeiro, como este senhor,

já não fazem qualquer segredo do seu programa de regressão social maciça. Direitos sociais e laborais que julgávamos consagrados em sociedades pautadas por princípios básicos de equidade, como o direito a não se ser despedido na base do mero arbítrio da entidade patronal, são agora atacados, sem o menor pejo, por quem pertence a uma classe que, no nosso país, tem vivido da espoliação, sistemática e sistematicamente improdutiva, dos recursos económicos deste país (Ulrich é, precisamente, o rebento de uma das famílias que andam a parasitar Portugal há mais de cem anos).

Ora, como sublinha João Tunes nesta análise bem interessante, é assaz significativo que a defesa feita por Fernando Ulrich do regresso à arbitrariedade total nos despedimentos se siga a uma greve geral que, segundo os sindicatos, foi das maiores de sempre neste país. A desfaçatez do capitalista diz tudo sobre o impacto real destas formas de “luta” que os sindicatos tanto apreciam. E percebe-se melhor os elogios que, nos dias seguintes à greve, diversos comentadores de direita teceram a propósito da «moderação», do «equilíbrio» e do «sentido de responsabilidade» demonstrados pelas direcções das confederações sindicais portuguesas.

A arrogância do capitalista – que de facto só tremeu durante os anos, ingloriosamente curtos, do PREC – é o reverso da medalha de «moderação» que os dirigentes da CGTP e da UGT gostam de ostentar ao peito. 

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Uma resposta to 'O sindicalismo, de novo – 2'

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  1. Convém tb ter sempre presente que as receitas do FMI com ou sem Banco Central Europeu, não só não se destinam a resolver nenhum dos graves problemas que assolam as economias mais debilitadas, mas sobretudo têm como óbvia consequência um sério agravamento de todos os principais indicadores macro-económicos e um flagrante favorecimento do factor capital em detrimento escandaloso do factor trabalho. Basta ver o que foi agora feito na Irlanda, espelho do que nos espera. Pouco menos de metade da enorme fortuna posta ao dispor do país foi directamente para os bancos. E para os trabalhadores ficou o corte dos subsídios de desemprego, o corte do salário mínimo (já ganham muito!!), o despedimento de milhares de funcionários públicos, etc!!! Mas sobretudo o que não pode deixar de nos indignar sobremaneira, é o facto de nesse infame acordo não figurar uma linha sequer destinada ao desenvolvimento do país. Por este caminho só nos resta endurecer e alargar as formas de luta…..!!!!!!!!!!!!!


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