APEDE


Do mal-estar à esperança?

Posted in Eppur si muove? por APEDE em 14/12/2010

Afinal, parece que as coisas estão mesmo podres, não no reino da Dinamarca (onde já estiveram melhores), mas no reino do faz-de-conta socratino.

Esta notícia mostra que o mal-estar começa a atingir os directores das escolas, afectando, portanto, os que estariam mais bem posicionados para servir de lacaios às ordens do Ministério da Educação.

Claro está que não devemos embandeirar em arco e imaginar que, de repente, um grande número de directores escolares se irá converter em contestatário radical das políticas governamentais. Lembremos que, no passado recente, as expectativas depositadas em órgãos representativos dos presidentes de conselhos directivos acabaram frustradas perante a pusilanimidade – e a venalidade política – revelada pela grande maioria dos PCE, já então atraídos pela miragem do poderzinho despótico que vinha associado ao cargo de director.

Acontece que a pressão exercida pelo Ministério – a que não é estranho o fantasma da avaliação que impende igualmente sobre os directores – está a revelar-se insuportável, e as pequenas mordomias remuneratórias (em breve engolidas pelos cortes nos salários) já não compensam o desgaste provocado pelo exercício do cargo de direcção.

A imposição dos mega-agrupamentos, a redução do número de elementos nas direcções, o clima de «cortar à faca» que hoje se vive em muitas escolas – efeito de um modelo de avaliação do desempenho que só serve para criar divisões e conflitos entre colegas -, tudo isso concorre para que alguns directores venham agora a público manifestar a sua insatisfação ou a sua inquietude.

Talvez por aí algo possa mudar, para mexer e agitar estas águas estagnadas. Águas que podem muito bem estar a cobrir os mais imprevistos vulcões.

Significativo é que os directores cuja voz se está agora a ouvir apontem o modelo de avaliação como causa maior do mal-estar nas escolas.

Vamos seguir atentamente os próximos capítulos…

 

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2 Respostas to 'Do mal-estar à esperança?'

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  1. É claro que não deixa de ser curioso ver os directores agitarem-se e organizarem-se para supostamente fazer “frente ao ME”.Mas não tenham ilusões meus amigos! O tom altamente conciliador para com as medidas mais inaceitáveis é bem revelador da sua postura subserviente e ansiosa por aparecer bem na foto. Não creio que daí possa vir algo de bom para a nossa luta, nunca veio nem há-de vir. Os directores não estão nem estiveram nem hão-de estar nunca conosco. A guerra deles é muito outra. Estão em apuros? Claro que estão!Ninguém os mandou meterem-se na boca do lobo!!!!

  2. Mário Machaqueiro said,

    Zé,

    Eu também não deposito a menor esperança nestas iniciativas dos directores. Limito-me a constatar que o mal-estar começa também a atingir as direcções das escolas, o que me parece bastante sintomático. Quando até esses acenam com um arremedo de dissidência, imagine-se o que poderá ocorrer com todos os outros. Talvez baste uma pequena faúlha. Ou não…


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