APEDE


Para uma polémica que valha a pena (e, já agora, para lutar contra o modelo de avaliação) – 2

Posted in Resistências por APEDE em 03/02/2011

Em nosso entender, a luta dos professores contra o modelo de avaliação do desempenho deveria assentar numa articulação entre tomadas de posição colectivas, a nível de escola – que começam, timidamente, a ser esboçadas – e tomadas de posição que, sendo individuais, deveriam estar sempre respaldadas no conjunto dos professores de um dado estabelecimento de ensino. Estas últimas poderiam passar, não por pedidos de escusa de relatores ou de professores a avaliar, pedidos votados ao indeferimento antecipado, mas pela afirmação, devidamente argumentada, da total indisponibilidade para participar em qualquer procedimento associado à palhaçada ignóbil deste modelo de avaliação. E quem precisar de bons argumentos, encontra-os com abundância nos excelentes “posts” que, sobre este assunto, o Mário Carneiro tem desenvolvido no seu blogue.   

Pois é, meus caros. Desobediência civil. Estritamente individual e estritamente colectiva. À escala de todos os estabelecimentos de ensino, de norte a sul do país.

Antevemos o que alguns dirão. Estes gajos são malucos. Irrealistas. Uns irresponsáveis. Uns utópicos assanhados.

Desculpem lá:

MAS HÁ OUTRO CAMINHO?

Quando este governo está apostado em defecar alegremente sobre os direitos sociais e a dignidade dos professores…

… HÁ OUTRO CAMINHO?!

Vocês não sentem a essência do vosso ofício a ser esbofeteada todos os dias, de cada vez que passam o portão da escola onde trabalham?

Quantos de vocês não experimentam, todos os dias, um desprazer profundo, existencial, com aquilo que o poder político fez da vossa profissão? E é assim que querem viver até ao fim da vossa carreira, uma carreira que, para muitos, se irá prolongar por décadas e décadas de miséria interior e de depressão vivida?

HÁ OUTRO CAMINHO?

Se houver, que o digam. Mas que o façam sem retórica, nem fogos de artifício, nem promessas miríficas.

Para esse peditório, já demos.

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3 Respostas to 'Para uma polémica que valha a pena (e, já agora, para lutar contra o modelo de avaliação) – 2'

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  1. beatriz said,

    Colega, não é por falta de argumentos que não faz desobediência à avaliação, mas porque as pessoas têm medo das consequências. Se essa desobediência fosse organizada pelos representantes e tivesse expressão nacional as pessoas se calhar ultrapassavam esses medos. Mas os representantes sindicais, como ouvi ontem, defendem que este modelo não é mau e é muito melhor que o outro, de modo que tudo o que se tenta esbarra com o medo da maioria das pessoas. Sendo assim, pedir escusa, tem pelo menos o mérito de ser uma afirmação pública de repúdio pelo processo. Com o clima de desconfiança que há entre professores, é melhor que fazer nada.

  2. Mário Machaqueiro said,

    Beatriz,

    Estes “posts” pretendem ser, acima de tudo, uma provocação. Não digo que os pedidos de escusa não tenham o seu mérito, e tê-lo-iam tanto mais quanto maior fosse o número de pessoas a fazê-lo. Mas o mérito dessa iniciativa consiste em ser, apenas, um primeiro passo. É preciso pensar no que as pessoas farão a seguir quando os pedidos vierem indeferidos, como já está a acontecer. Vão cruzar os braços e constatar que nada mais há a fazer? Limitaram-se a marcar uma posição e depois vão fazer tudo o que lhes compete como avaliadores? Vão ser, por assim dizer, uns avaliadores relutantes, uns avaliadores sob protesto?
    Aviso à navegação: não se está aqui a defender que meia dúzia de professores ofereçam valorosamente o peito às balas, enquanto a esmagadora maioria, por medo, por oportunismo ou por outra razão qualquer, continua a fazer tudo o que a lei manda. Não sou apologista de mártires ou de santos, sobretudo quando o sacrifício é totalmente em vão. O que eu defendo é que, se as pessoas querem fazer de facto alguma coisa que afecte o poder e a arbitrariedade instalada nas escolas, têm de arriscar e ir mais longe, mas sempre de forma colectiva, para que as posições individuais saiam reforçadas. Caso contrário, não vale a pena…

  3. Mário Machaqueiro said,

    Já agora, uma adenda. As tácticas de desobediência civil podem ser muito variadas, e não têm de assentar necessariamente na recusa pura e simples de participar na farsa da avaliação. Podem passar, por exemplo, por minar por dentro o processo de avaliação, atribuindo classificações uniformemente elevadas a todos os avaliados, realizando isto de forma massificada em todas as escolas. Se o processo já é, em si mesmo, uma palhaçada, por que não apalhaçá-lo ainda mais, fazendo-o implodir com o seu próprio absurdo?


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