APEDE


Para Além do Limite: Um texto (e uma “pedrada no charco”) do nosso colega Paulo Prudêncio.

O texto que a seguir transcrevemos, publicado ontem, pelo nosso colega Paulo Prudêncio,  no seu blogue “Correntes”, e com a sua assinatura, é um texto de um professor que tem manifestado, desde sempre, uma enorme coerência neste processo de luta, e que ninguém pode acusar de imprudente, irresponsável ou menos ponderado. No nosso entender, deveria merecer uma atenção cuidada e ser alvo de séria reflexão por quem de direito.

PARA ALÉM DO LIMITE

A suspensão deste modelo de avaliação de professores depende dos sindicatos. Se estas organizações manifestaram, sem equívocos, à Assembleia da República que é isso que defendem, o modelo desmiolado será revogado.

Depois de contribuírem, em 2008, para um corte na coluna vertebral da luta dos professores com a assinatura de um entendimento só possível entre pessoas sem sala de aula e quase sem escola, os sindicatos de professores têm neste momento uma derradeira oportunidade para não perderem de vez a força que a dignidade dos professores lhes tem conferido.

Estou a medir muito bem o que estou a escrever. Digo pela enésima vez que sou sindicalizado desde sempre (e mesmo que não o fosse), contribuo para a APEDE quando o movimento necessita e não tenho (nem nunca tive) militância partidária. Faço política com este blogue, e com mais outras acções, e estou sempre disponível para conhecer ou apoiar novas formas de intervenção na sociedade.

Tenho adversários, principalmente os políticos e sindicalistas mesquinhos que se agarram a qualquer cargo como lapas em busca de sobrevivência. Já não tenho paciência para os jogos de sombras dos sindicatos de professores, nem para o seu estilo sociedade secreta tão do género adolescente retardado como uma qualquer ala da maçonaria ou da opus dei. Brinquem lá às escondidas uns com os outros, mas tenham um gesto autónomo que defenda a dignidade e a profissionalidade de quem vos paga quotas ou permite que se projectem numa vida profissional sem pôr os pés numa sala de aula. Em vez de andarem a perder tempo com a descoberta das biografias de quem se movimenta nas redes sociais, é melhor que estudem e que tomem posições convocadas pela coerência e pela verticalidade.

Chega. Basta. E é escusada a argumentação estafada da ponderação ou articulação com a avaliação de outros grupos profissionais.

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2 Respostas to 'Para Além do Limite: Um texto (e uma “pedrada no charco”) do nosso colega Paulo Prudêncio.'

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  1. A permanência deste modelo iníquo de ADD não depende das organizações sindicais porque desde o inicio até hoje a sua actuação foi sempre de apenas contemporizar com ele, limar algumas arestas, dar-lhe um ar menos desprezível e negociar umas migalhas. A alteração de paradigma depende apenas de NÓS! Temos de reaprender a dizer NÃO ao que sabemos estar errado e a ADD é uma das muitas questões que toda a gente sabe completamente inexequível. E não se trata aqui, como muitos dizem, de falta de formação. Claro que não houve a formação que deveria. Toda a formação será sempre benvinda. Mas não existe formação, por mais sofisticada que seja, que permita aplicar este modelo com um mínimo de deontologia profissional. Se NÓS não o aplicarmos ele cai pela base e tomba no caixote do lixo que é o lugar onde pertencem os iluminados que o conceberam e todos os que ainda pretendem aplicá-lo!!!!!!!!!!!!!!!!


  2. Desta vez tenho de discordar, pelo menos parcialmente, da tua opinião. Acreditar que os colegas contratados prescindam de tentar conseguir mais 1 ou 2 valores para somar à sua graduação profissional a concurso, acreditar que muitos relatores sejam capazes de ter a resiliência para se recusarem firmemente a não aceitar a nomeação e a não avaliar, acreditar que todos os colegas seriam capazes de recusar a aplicação desta ADD não passa, hoje por hoje, e face à experiência recente, de uma pura utopia. Haverá sempre alguém, infelizmente, num grupo, num departamento, numa escola, disponível para furar o boicote, para colaborar na farsa. Sabemos bem que há muitos colegas que pediram aulas assistidas e nem sequer a isso estão obrigados, pois já estão acima do 7º escalão. É lamentável mas é a verdade.

    A questão tem de ser tratada com firmeza nas escolas, pela maioria dos colegas, levando à aprovação de tomadas de posição que deixem completamente a nú todas as insuficiências, incongruências, injustiças e arbitrariedades do modelo e, depois, fazendo a pressão necessária junto de sindicatos e Parlamento, no sentido da tomada de medidas claras, concretas e definitivas, sem tibiezas ou meias-tintas, que coloquem um ponto final, parágrafo, nesta palhaçada completa que não é mais do que um insulto à classe docente, à sua seriedade e ao seu trabalho. A estupidez e a injustiça combate-se com razão e argumentos inatacáveis. Felizmente, este modelo de ADD é suculento para quem quiser evidenciar os seus podres. Aquilo que o Mário Carneiro tem feito, é o caminho correcto. Um dia a lucidez de argumentos, absolutamente inatacáveis e irrefutáveis, deixará sem mais margem de manobra os ilusionistas que nos tentam fazer aceitar como bom e exequível aquilo que não merece outro destino senão o caixote do lixo, como em tempos, muito bem referiu Santana Castilho.

    Abraço


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