APEDE


Voto inútil

Posted in A democracia como ficção por APEDE em 07/04/2011

Não deixa de ser tristemente irónico que a intervenção do FMI no nosso país se faça em vésperas de eleições para a Assembleia da República. Sabendo que o «bom povo português» vota, invariavelmente», nos Dupond e Dupont do PS e do PSD – sendo, aliás, cada vez mais incapaz de os distinguir, como as sondagens mostram -, e sabendo também que esses partidos capitularam totalmente face às imposições do FMI e de Bruxelas, o que há de verdadeiramente decisivo nestas eleições? Nada, ou quase nada. Correr com o Sócrates? Há muito professor que averbará isso como uma retumbante vitória. Ok, o homem já cansa. Mas não pensem, nem por um segundo, que o Passos Coelho será melhor.

Na verdade, um e o outro serão apenas os executores de decisões políticas de fundo para as quais não foram tidos nem achados. A arquitectura desta malfadada «Europa» e, em particular, as regras do euro, em conjunção com as imposições do FMI, retiraram completamente aos futuros ocupantes das cadeiras ministeriais em Portugal qualquer autonomia decisória. O guião das políticas vai ser inteiramente desenhado por aqueles a quem cedemos as verdadeiras alavancas da decisão – e esses não moram em Portugal.

A adesão a uma União Europeia que foi sendo armadilhada para esvaziar, paulatinamente, os meios da democracia levou-nos a esta situação duplamente dramática: pobres e paus-mandados.

Poderia ser de outra maneira? Poderia, se tivéssemos líderes políticos (e, já agora, sindicais) à altura da construção de uma Europa alternativa, amiga de quem trabalha e não amiga dos usurários. Não os tivemos, nem temos. E fomos, no passado, dando o voto a quem não o merecia.

Agora é tarde demais. No próximo dia 5 de Junho vai haver simplesmente uma ficção de democracia em algo que é, cada vez mais, uma ficção de país.

 

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Uma resposta to 'Voto inútil'

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  1. Face ao esgotamento dos discursos situacionistas, alguns iluminados da nossa praça decidiram entrar com algumas inovações sob dois novos vectores, ambos com o mesmo e rasteiro objectivo. Por um lado, alguns barões afirmam que dada a emergência em que nos colocaram, é tempo de esquecer os culpados, pois o que é preciso é unir o povo em torno dos grandes desígnios nacionais (leia-se a clique que nos precipitou no abismo). Uma outra estratégia que até tem contagiado certos espírito mais lúcidos, postula que a culpa não é tanto da cáfila instalada, mas sobretudo do povo, de todos nós, porque fomos consentindo, colaborando mansamente,votando bovinamente naquele engano d’alma ledo e cego que a fortuna não deixa durar muito. Ambas as teorias têm um mesmo resultado: Ilibar os culpados. SE a culpa é de todos, quer dizer que não é de ninguém! Assim a coisa dilui-se e fica tudo mais suave como convém. É precisamente contra este branqueamento que teremos de lutar com todas as nossas forças.


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