APEDE


Uma dose de realidade para a mesa do lado!

Posted in Cenários (im)prováveis por APEDE em 08/04/2011

Há por aí, numa certa blogosfera de esquerda um bocado descabelada, quem alimente grandes expectativas em relação a isto e ande já a sonhar com frentes marxistas-leninistas-trotskistas. Ou, mais comedidamente, com uma frente eleitoral do PCP e do BE. Ok, nestes últimos dias estes dois partidos até já começaram a propor coisas razoáveis como alternativa à política “austeritária” que a Castafiore impôs ao Sr. Dupond e ao Sr. Dupont.

Acontece que sonhar com um governo do PCP/BE constitui, do ponto de vista da aritmética eleitoral mais razoável, uma pura alucinação. Não é sequer líquido que esses partidos venham a aumentar o seu número de deputados. E, mesmo que o consigam, jamais se aproximarão, por muito juntinhos que fiquem, de uma maioria de governo.

Pelo que nunca haverá a famosa «alternativa de esquerda» se o PS não se juntar a esses dois partidos. Com a actual liderança socratina, esse cenário é tão irrealista como o de um governo PCP/BE.

Portanto, vale a pena perder um minuto a pensar nele?

No entanto, teria de ser por aí que passaria uma política, sustentável em eleições, que rompesse radicalmente com o quadro de precarização+empobrecimento+financiamento do sistema bancário europeu à custa dos direitos sociais e laborais, uma política economicamente insustentável e, por conseguinte, suicida.

Porque, quando for totalmente imperioso bater o pé a Bruxelas pelo facto de as medidas do FMI não estarem a ter nenhum dos resultados esperados e de a degradação social e económico-financeira estar a atingir proporções obscenas, quem o fará? Quem, no PS ou no PSD, fará o que se impõe, se não foi capaz de o equacionar antes?

Se não houver uma maioria de esquerda neste desgraçado país – uma maioria genuína e não um mero delírio -, vai ser praticamente impossível ensaiar, pelo menos, uma política que tentasse genuinamente travar uma espiral descendente que só se combate com um pensamento económico-financeiro alternativo (e não, não estamos a  pensar em ressuscitar os delírios do «socialismo real»).

Ora, é certo e garantido que nem o PS, com o seu longo lastro de cedências ao poder do dinheiro, nem o BE e o PCP, com algumas tendências para o enquistamento sectário, se vão encontrar a meio caminho a fim de tornar viável uma solução de governo.

Assim sendo, pede-se a certos bloggers mais exaltados um pouco mais de moderação e de bom senso analítico…

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4 Respostas to 'Uma dose de realidade para a mesa do lado!'

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  1. Leitor said,

    Assinale-se o novo registo discursivo da APEDE, juntando os principais culpados, em contraste com os gémeos da mesma ninhada PROMOVA e MUP que continuam com o slogan (antes comum) “Sou professor não voto neste PS”.

    Uma avanço analítico que se espera não fique por aqui.

  2. Mário Machaqueiro said,

    O Leitor tem andado certamente distraído, pois, se lesse com atenção os “posts” que temos vindo a publicar, já teria notado qual é o nosso «registo discursivo». Mas, já agora, faço-lhe uma pergunta: em que é que o slogan «não voto neste PS» está errado? Os professores, e os portugueses em geral, têm alguma coisa a esperar deste PS? Espere, já sei, é que, em seu entender, todos os que defenderam esse slogam estavam, implicitamente, a advogar que se votasse noutro partido qualquer menos no PS. Porém, se o caro Leitor exercer, com cuidado, a função que o seu “nick” indicia, verá que nunca, na APEDE, se defendeu que votar em qualquer outro partido era indiferente. Temos sido sempre críticos de tudo o que. nos diferentes partidos, nos merece crítica. E se o Leitor quiser ser intelectualmente honesto na avaliação que faz das nossas posições, verá facilmente que o PSD (para sermos claros) não ocupa exactamente um lugar cimeiro nas nossas simpatias. Não significando isto, claro está, que nos iremos coibir de criticar os partidos de esquerda sempre que entendermos necessário e justo.
    Também não está à espera, porque não é essa a nossa função, que demos indicações de sentido de voto. Isto não é um blogue de uma só pessoa. É verdade que tenho publicado aqui muitos textos, é verdade que alguns exprimem posições relativamente pessoais. Mas não é por acaso que os textos não estão assinados por mim: é que, nas posições que exprimo, procuro sempre nunca exceder uma linha para lá da qual eu poderia estar a defender ideias com que uma boa parte das pessoas que fazem o colectivo da APEDE não se identificaria. Por conseguinte, nunca me verá sustentar aqui qualquer orientação de voto (no máximo, poderei reflectir sobre a utilidade ou a inutilidade de votar nas próximas eleições, o que é apenas um diagnóstico geral). Isso está fora do mandato de um movimento como a APEDE, e qualquer das pessoas que aqui escreve tem de respeitar isso. Esclarecido?

  3. O tal said,

    Estou esclarecido.
    O que me levou a dizer que o slogan era comum foram posts como este:
    http://apede.blogspot.com/2009/06/apelo-ao-voto-contra-este-ps.html
    Não estando explícita qualquer indicação de voto, estava implícito que tanto os votos à esquerda como à direita serviam igualmente para derrotar o PS.
    Percebe-se agora, perceberão alguns que o que importava era derrotar as políticas não os executores de serviço.

    Anoto, com interesse, o modo colectivo (mesmo que sejam só dois) de funcionamento da APEDE, ao contrário dos dois movimentos citados que se tornaram unipessoais.


  4. […] Uma dose de realidade para a mesa do lado! […]


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