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Os professores e as próximas eleições – 2

Posted in Eleições por APEDE em 10/04/2011

Pelo que vamos lendo e ouvindo, aqui e ali, parece haver professores dispostos a votar PSD só pelo desejo de removerem Sócrates do poder. Tal é o pó (mais do que justificado) que têm pela figurinha.

Contudo, não é nada líquido o que os professores poderão esperar do partido de Passos Coelho. Ou melhor, até é.

E não é bom.

Relembremos um pouco da história recente.

Ao longo das duas encarnações governativas do PS socratino, o PSD fez quase sempre uma oposição tíbia e ambígua às políticas de Maria de Lourdes Rodrigues e da ministra dos beijinhos. Uma oposição cheia de ziguezagues, de sinais contraditórios, de dois passos à frente e dois atrás.

De tal forma que os professores – e os seus movimentos independentes em particular – nunca souberam muito bem o que esperar do PSD.

Recordamos a cena em que um deputado desse partido, no encontro que teve com uma delegação dos movimentos independentes, se engasgou politicamente quando instado a pronunciar-se sobre a divisão da carreira entre titulares e não-titulares, titubeando acerca dos «direitos adquiridos» pelos detentores da famigerada titularidade… 

O facto é que, sempre que o voto da bancada parlamentar do PSD poderia ter feito a diferença, derrubando em dois tempos medidas e decretos iníquos, os seus deputados primaram pela inexistência política, e mesmo pela oposição à oposição. O derradeiro voto contra a ADD – realmente embrulhado em oportunismo de última hora – não consegue apagar uma triste história de tergiversações, quando não de traições.

É que, no PSD, há muita gente que perfilha a imagem dos professores do básico e do secundário como uns reles “zecos” que têm de ser postos na ordem. E há muitos Pachecos Pereiras que acham que qualquer concessão aos professores é uma cedência aos sindicatos e que isso é inadmissível porque, nos locais de trabalho, os trabalhadores só podem comer (pouco) e calar (muito). Chama-se a isto uma mundivisão de direita. E, para o caso de alguns professores não terem reparado, o PSD é…

… um partido de direita.

Feita esta revelação bombástica, podemos prosseguir. E o que o PSD coelhoso tem vindo a anunciar em matéria de educação não é de molde a deixar-nos sossegados. Desde o «cheque-ensino» à ideia de entregar aos municípios a gestão das escolas, em nome de uma mirífica descentralização, as propostas do PSD são um tiro disparado contra a essência de um ensino público acessível a todos, pautado por regras de transparência e de democraticidade. Se a isso juntarmos a mesma genuflexão que o PS está disposto a adoptar face aos ditames do FMI e de Bruxelas, vemos que um governo PSD em nada traria um clima positivo às escolas (e, já agora, ao país).

É verdade que algumas das ideias programáticas do PSD, a começar pelo tal «cheque-ensino», não passam de delírios liberalóides que não colam minimamente na realidade do país. Pois está-se mesmo a ver que, nos tempos mais próximos, a classe média portuguesa, com um imenso poder de compra assegurado pela generosidade do FMI, vai optar massivamente pelas escolas privadas, agitando, toda feliz, o «cheque-ensino».

No entanto, por disparatadas que sejam estas ideias, a sua loucura tem um método: a destruição deliberada do pouco que ainda resta de «Estado social» neste país e a transferência, essa sim maciça, dos rendimentos do trabalho para as rendas do capital.

Mas, claro está, os professores que ainda não aprenderam com todas as desilusões que o PSD lhes proporcionou nestes últimos tempos, podem tentar de novo levar mais uma paulada na cabeça. Paulada forte em cabeça dura, tanto dá até que…

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2 Respostas to 'Os professores e as próximas eleições – 2'

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  1. Octávio V. Gonçalves said,

    Lamento, caro Mário, mas, desta vez, é bem possível que estejas completamente equivocado. Aguarda mais 2 ou 3 semanas!…
    Abraço!

  2. Mário Machaqueiro said,

    Caro Octávio,

    Mas tu achas sinceramente que, com o que aí vem, o PSD reserva alguma surpresa positiva para os professores e para o país em geral? Tu, entre todos, que já apanhaste tantas desilusões à conta desse partido, “should know better”!
    Abraço,

    PS (salvo seja) – E espero que a “surpresa” em que estás a pensar não seja a eventual nomeação de Santana Castilho para Ministro da Educação, pois esse é o tipo de “novidade” que não me comove nem um bocadinho. no quadro actual que se está a preparar e que o PSD apoia indefectivelmente.


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