APEDE


Os professores e as próximas eleições – 3

Posted in Eleições por APEDE em 11/04/2011

À partida, parece tentador meter o CDS-PP no mesmo saco do PSD relativamente às políticas do ensino e ao enquadramento da classe docente.

De facto, tanto um como o outro partido apostam numa suposta liberalização do sistema educativo que representa, na prática, a entregue desse sistema aos apetites da privatização e da mercadorização. E também ambos defendem uma espécie de municipalização das escolas que só viria acentuar os aspectos mais despóticos do actual modelo de administração escolar – com a agravante de que às aberrações desse modelo se acrescentariam os compadrios e a corrupção do chamado «poder local». Infelizmente para os nossos neoliberais de serviço, isto aqui é Portugal e não a Dinamarca…

O CDS-PP, contudo, tem um ponto a seu favor na história recente: foi muito mais consistente do que o PSD na defesa dos professores contra as loucuras socratinas de Maria de Lourdes Rodrigues. Por diversas vezes se bateu, no Parlamento, contra o modelo de ADD. E por diversas vezes denunciou a degradação da figura e da autoridade do professor que as políticas do PS impuseram às escolas.

Alguns dirão ser esse um aspecto típico das ideologias de direita: o culto da autoridade. Acontece que, contrariamente a certos delírios de uma certa esquerda (não de toda, convenhamos), não há ensino genuinamente democrático sem que a figura do professor se revista de prestígio social e sem que o exercício da sua autoridade, perante os alunos, esteja assegurado. Para aqueles que gostam de complicar a definição do que seja essa autoridade, recordamos que já deixámos tudo explicadinho aqui.

Neste sentido, é de esperar que o CDS, se puder influenciar as políticas educativas, procure restaurar uma parte dos meios para que os professores recuperem a autoridade enquanto componente indissociável da sua função.

Mas convém que se diga que o partido de Paulo Portas fará isso, se o fizer, como uma simples compensação para muitas outras perdas que os professores sofrerão no cenário de empobrecimento imposto aos trabalhadores portugueses. Um cenário que terá no CDS-PP um sustentáculo indefectível.

Em troca de uma autoridade essencialmente simbólica, os professores perderão o essencial dos seus direitos laborais e verão perpetuar-se (e aprofundar-se) a asfixia dos mecanismos democráticos nas escolas – com o CDS a apoiar um modelo despótico de administração escolar.

Não sabemos quantos professores estarão eventualmente dispostos a embarcar nesse comércio tão desigual.

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