APEDE


Tirem-me desse grupo!

Posted in Contra as generalizações abusivas por APEDE em 18/04/2011

Por todo o lado os serventuários do «pensamento único», da propaganda neoliberalóide e do austeritarismo nos massacram a cabeça com estas pseudo-evidências: «Os portugueses andaram a gastar demais», «esbanjaram durante anos os dinheiros da União Europeia (quando ainda se chamava CEE)», «não têm emenda», etc., etc.

Perante isto, apetece perguntar: Mas quais portugueses? De quem estão a falar?

E apetece retorquir: Tirem-me desse filme porque eu nunca estive lá. Sou português, por feitio mais do que por defeito, sempre vivi do meu trabalho, sempre paguei a totalidade dos meus impostos, de todas as vezes que um banco me quis aliciar com “fabulosas” oportunidades de acesso ao crédito dei à publicidade bancária o destino merecido – no caixote do lixo -, endividei-me, quando muito, para pagar uma casa ou um carro num montante perfeitamente compatível com os meus rendimentos, e tudo o resto (electrodomésticos, mobília, computadores, telemóveis, viagens) paguei sempre a pronto e sem prestações. Portanto, não me metam no mesmo saco dos “portugueses esbanjadores”. Não pertenço, de todo, a esse clube.

Mas apetece também ir um bocadinho mais longe e perguntar: E quem andou a emprestar dinheiro aos tais “portugueses esbanjadores” não controlou minimamente o destino ou a utilização de tais empréstimos? E se, como tudo indica, não o fez, por que diabo adoptou essa atitude negligente? E não haveria, nessa negligência, um método perverso, que consistia em apostar em investimentos perfeitamente improdutivos, voltados para o betão, para as auto-estradas, para as Expos e para os estádios de futebol, virando a cabeça para o lado de cada vez que tais investimentos “derraparam” em custos astronómicos, apenas  porque convinha, de facto, manter este “Pig” à beira mar plantado na sua condição de eterno pedinte?

Perguntinhas que os tudólogos de serviço nunca fazem.

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6 Respostas to 'Tirem-me desse grupo!'

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  1. José Manuel said,

    Concordo plenamente e até vou um pouco mais longe. Quando a clique dirigente entendeu por bem servir caninamente os ditames de uma certa Europa a quem então interessava a destruição da nossa agricultura, das nossas pescas e do nosso tecido produtivo industrial, ninguém parou para pensar as desastrosas consequências dessa estratégia depredatória. Agora, esses europeístas criticam-nos por não endireitarmos as contas, esquecendo que sempre foi do seu interesse o desarmar do nosso país. E insistem em dizer que vivemos acima das nossas possibilidades. Quem??? Os 700 mil desempregados e os dois milhóes de pobres vivem acima de quê??? A média dos funcionários ganha menos de metade da média europeia, mas os gestores ganham cerca de 40% acima da média dos gestores europeus. Portanto, quem vive acima de quê??? E têm a desvergonha de falar em baixar mais ainda os salários??? Isso só pode ter como resultado a explosão dos conflitos sociais. Vamos a eles….!!!!


  2. É a velha questão: deficiente distribuição da riqueza. Neste momento temos de lá chegar por via da politica fiscal que tem de ser muito mais justa e equilibrada. E mexer nas reformas mais altas… em tempos de crise… se há cortes têm de ser para todos e a começar por cima. Há para aí reformas que atingem as raias da provocação social…

  3. Leitor said,

    Constato que o R.S. continua bem sintonizado:
    http://economico.sapo.pt/noticias/reformas-pagas-pelo-estado-devem-ter-um-valor-limite_116315.html

  4. Gato Preto said,

    Estás com medo de perder a tua pensão de 2300 euros, ó leitor?


  5. Interessante ver aqui o Leitor a defender reformas milionárias… tudo serve para tentar encontrar “sintonias”. Pode esgravatar à vontade, jamais me conseguirá colar a partidos. Compreendo que seja complicado de aceitar, pois para certas cabeças formatadas o que não é branco é preto e vice-versa.


  6. Já agora… nem são as reformas de 2300 euros que me preocupam. Há muitas outras bem mais obscenas. Nessas é que é preciso mexer. E, sinceramente, duvido muito que a direita, palavreado eleitoral à parte, tenha intenção real de atacar as mordomias da sua base eleitoral tradicional. Agora que é fundamental olharmos para a forma como a riqueza tem sido (mal) distribuída, isso parece-me indiscutível. Nos anos 20 nos EUA esse problema (bem evidente) foi ignorado e deu no que deu…


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