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Memórias de Abril: uma estranha coisa chamada «poder popular»

Posted in Para recordar (sempre) por APEDE em 25/04/2011

Também a exemplo do que sucedeu na Rússia genuinamente soviética – a que percorreu o período de Fevereiro a Outubro de 1917 -, no Portugal de 1974-75 multiplicaram-se, por toda a parte (mas sobretudo nos centros urbanos), formas de organização popular de base. Sem esperar pelos ditames dos partidos – muitos deles ainda à procura de si próprios -, as pessoas auto-organizaram-se ao nível dos bairros, das ruas, dos locais de trabalho. Num país marcado por um persistente défice de «sociedade civil», de «cidadania activa» ou de «democracia participativa», os anos do PREC vieram contrariar essa imagem de um povo ausente de si próprio.

As comissões de moradores foram as formas mais comuns do que se chamou então «poder popular»:

Algumas foram constituídas para responder a necessidades muito concretas que afectavam a vida de quem trabalha, como, por exemplo, a criação de creches:

Outras destas organizações de base visavam assegurar habitações condignas para todos, num país onde a proliferação de «bairros da lata» era um dos traços mais gritantes de miséria:

Outro exemplo de organizações populares foram as cooperativas de consumo, por vezes em articulação com os sindicatos, outras vezes de forma autónoma:

Este fenómeno, rico e variado, da auto-organização popular está ainda por estudar em todas as suas vertentes. Como surgiram estas organizações? Quem teve a iniciativa de as criar? A que regras obedeciam? Como se processava nelas a tomada de decisões? Qual o grau da sua democraticidade interna?Que relações mantiveram com o poder central e com as organizações partidárias e sindicais? Também elas sofreram, como os sovietes na Rússia de 1917, uma degeneração oligárquica e burocratizante?

Tudo isto precisa de ser cartografado em profundidade. Antes de mais, é necessário ir à procura dos documentos que estas experiências terão deixado. Tarefa certamente árdua, pois o que existe encontra-se disperso e muitas das organizações não terão sequer produzido documentação significativa . Mas alguma há-de existir algures. O que mostramos neste “post” é apenas a ponta de um  icebergue iconográfico: os muitos autocolantes então difundidos, boa parte deles para recolher fundos necessários ao financiamento das comissões e comités.

Em suma: historiadores precisam-se, pois a história social do pós-25 de Abril está toda por fazer.

Uma resposta to 'Memórias de Abril: uma estranha coisa chamada «poder popular»'

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  1. Lúcio said,

    Uma festa!


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