APEDE


Ensaio sobre a simetria política

Posted in Os-partidos-que-temos por APEDE em 12/05/2011

PS e PSD ilustram, hoje, as contradições e os limites da deriva oligárquica que se apoderou dos principais partidos da cena política portuguesa. Mas ilustram-no exibindo males diametralmente opostos. Isto é: simétricos um do outro, num espelho que devolve o mesmo, mas invertido.

O PSD é, de há muito, um partido fragmentado por grupos e grupinhos de influência, por “personalidades” ávidas de protagonismo, todas a correr em pista própria e com a faca preparada para apunhalar o colega nas costas. E é um partido estruturalmente incapaz de gerar lideranças fortes. Passos Coelho é só mais um, pronto a ser devorado pela besta partidária, nem mais nem menos patético do que outros que o precederam.

O PS, em contrapartida, é a ilustração deprimente de um partido homogeneizado em torno de um líder que tem tanto de combativo, de teimoso, de profissional do faz-de-conta, como de medíocre, de mentiroso, de falho em quaisquer escrúpulos e  de mitómano. Mistura perigosa, sem dúvida. Mas uma mistura à qual se rendeu um partido inteiro, com militantes e dirigentes que já não vêem mais nada a não ser o agarrarem-se ao homem que, apesar de tudo, lhes parece ser o melhor meio para continuarem a chupar a teta das sinecuras.

Votar no PSD é votar num barco caótico, com toda a gente a dar opiniões sobre como orientá-lo, mas sem ninguém no leme.

Votar no PS é votar num barco a afundar-se, com toda a gente a fazer continência ao comandante. 

15 Respostas to 'Ensaio sobre a simetria política'

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  1. Leitor said,

    Espero que este post seja o primeiro da série “os partidos que temos” e que a análise dos seus princípios, propostas e prática efectiva seja feita separadamente.

    Entretanto ,como contributo para a análise da identidade ideológica do BE, deixo um texto onde se propõe a criação de um “movimento social mundial” para a “regulação democrática e solidária do capitalismo” (assinam entre outros Boaventura Sousa Santos e João Teixeira Lopes):

    “http://www.publico.pt/sociedade/manifesto-para-um-mundo-melhor_1492121?all=1


  2. Ora então bom regresso, caro Leitor.

    Não pude deixar de reparar na sua ausência (ou retirada estratégica?) na caixa de comentários dos posts anteriores, sobre o programa eleitoral do PSD. Interessante. Deve, realmente, custar-lhe imenso concordar connosco, dar-nos razão e escrevê-lo🙂
    Mas não se preocupe: da nossa parte, não estamos particularmente necessitados da sua anuência ou concordância em relação ao que aqui se escreve. Apenas se regista, novamente, o carácter dogmático das suas intervenções.

  3. Leitor said,

    Se continuar este tipo de posts e com frequência regular, estou a pensar em comprar um passe ou assinatura mensal. Por enquanto, uso módulos ou bilhetes avulsos. Daí não embarcar em todas as viagens.😆


  4. Confesse lá: até lhe apetecia entrar nas últimas, mas o bilhete era caro demais para si (leia-se concordar connosco) 🙂

    Em frente!

  5. Leitor said,

    E para dizer toda a verdade, também me chateia estar a ser carimbado (hoje “dogmático”) todas as vezes que entro.

  6. Mário Machaqueiro said,

    Por acaso, não nos apetece, por agora, escrever sobre os outros partidos. Vamos deixar o Leitor frustrado?
    Quanto ao Manifesto que o Leitor “linkou”, dir-lhe-emos apenas que já há manifestos a mais e que o seu poder de mobilização deve estar perto do zero. Mas já vimos o que o incomoda: a ideia de uma «regulação democrática e solidária do capitalismo». Claro! Para o Leitor, tudo o que não seja o «socialismo real», aquele fabuloso regime que existia lá para as bandas da União Soviética, só pode ser coisa nefanda. Apostamos que o Leitor é daqueles que subscrevem os editoriais do «Avante!» que ainda têm a supina lata de cantar ditirambos a uma das mais criminosas fraudes intelectuais e políticas do século XX. De facto, mil vezes a grande «Pátria do Socialismo» do que países capitalistas malvados como, sei lá, a Dinamarca ou a Suécia…

  7. Leitor said,

    Então a APEDE já não é um colectivo?
    Então o MM que já não faz parte dos órgãos sociais da APEDE é que decide sobre os posts editoriais da APEDE?
    E o José Manuel Faria que é vogal e leva raspanetes da “APEDE” quando comenta desalinhado?
    Mas que fraude tão mal disfarçada.

    Para ficar frustrado era necessário que tivesse alguma expectativa na renovação da vossa cassette.
    Apesar de tudo, ainda subsiste uma ténue curiosidade sobre o vosso projecto de “regulação democrática e solidária do capitalismo” no caso português. Pelo que, de vez em quando, cá estarei, como observador atento. E, desculpem qualquer incómodo.

  8. Mário Machaqueiro said,

    Leitor,

    O seu desvelo pela orientação da APEDE é tocante. Descanse que ela continua a ser colectiva, e certamente muito mais democrática do que os “colectivos” que o Leitor tanto aprecia. Quanto a mim, não decido nada individualmente, e continuo a ser colaborador deste blogue, como já o disse por diversas vezes e toda a gente sabe (Leitor incluído). O problema é que, contrariamente a si, não temos nada a esconder. Finalmente, no que toca a «cassetes», também sabemos que nunca poderemos competir consigo nesse domínio. Vá lá ter com o seu controleiro, e peça-lhe outras incumbências.

  9. Zé Manel said,

    Tendo sido citado pessoalmente pelo amável leitor, não o poderei deixar sem resposta. Nunca foi objectivo da APEDE arregimentar unanimismos forçados ou não, como é costume em outras agremiações que todos conhecemos. É perfeitamente natural e muito saudável que surjam diferenças de opinião entre os membros, mas isso nunca constituiu um problema e nunca impediu que sempre convergissemos nas acções conjuntas onde procuramos participar. Concerteza que discutimos os assuntos em cima da mesa, mas fazêmo-lo sempre de modo aberto e frontal, aqui, diante de todos, sem agendas escondidas e sem preconceitos. É esta a riqueza do movimento e por isso vamos continuar.

  10. Leitor said,

    Os outros:
    “unanimismos forçados”, “outras agremiações”, “agendas escondidas”, “preconceitos”
    Nós:
    “diferenças de opinião”, “modo aberto e frontal”, “riqueza do movimento”

    Quase perfeito.
    Desta vez não haverá raspanete.

  11. Mário Machaqueiro said,

    Este «Leitor» é como certas carraças. Não tendo certamente muito que fazer, resolve vir aqui meter-se connosco. No fundo, até é divertido, desde que ele não abuse no domínio do calunioso ou do insultuoso, coisa que, se bem conheço a personagem que se esconde por detrás dele, é uma tentação que o persegue. Há, no entanto, um enigma: se nós somos tão irrelevantes, como ele várias vezes pretende, para quê perder tempo connosco? Mistérios que o seu controleiro perceberá melhor do que nós…


  12. Tirando o “quase” concordo inteiramente com a avaliação da resposta do José Manuel Faria, feita pelo caro Leitor. Eu só acrescentaria que raspanete, raspanete, mas dos sérios, arrisca-se a levar o Leitor por já andar aqui há tanto tempo e nunca mais dar conta da missão que o colectivo lhe distribuiu. Sinceramente, acho até que seria altura de requerer, superiormente, uma “deslocalização” e transferência para novo posto de “escuta” e agitprop. Em alternativa, podiam mandar outros, com um plano de acção melhoria (vulgo PAM, panaceia hoje muito na moda, para resolver o insucesso, mas sigla que só entende quem dá aulas), para animar isto. É que já começa a cansar este ping-pong estéril, de nulo interesse para o que realmente importa: ganhar a luta, que vai dura e longa. Exactamente aquilo que os “Leitores” não querem. A luta é boa é enquanto dura, o caminho faz-se caminhando e o que importa não é chegar mas sim partir e “viajar”. Ahhh enquanto o processo estiver em análise pela “nomenklatura” pegue no Voslenski e leia. Tem muito com que se entreter e, certamente, encontrará lá aquilo que tanto aqui procura sem sucesso.

  13. Leitor said,

    Quanta honra!
    Um simples leitor alvo de deferências por parte de toda a APEDE (2+1).
    Neste momento, 4 visitantes em linha: o leitor e a troika da APEDE.

    O MM nunca o vi nem mais gordo, nem mais magro. Quer dizer que não o conheço de lado nenhum. Disseram-me que era um célebre “sovietólogo”, mas também pode ser boato.
    O RS conheço-o de fotos e vi-o à distância em duas ou três vigílias. Tenho a impressão de o ter visto antes, mas também não sei se foi ele ou uma figuração mental que fiz de uma personagem queirosiana.
    O JMF não conheço.

    Para vosso esclarecimento e tranquilidade de espírito:
    As tenebrosas organizações a que pertenço nem sequer têm conhecimento da vossa existência, que eu saiba.
    Comento porque me apetece e quando me apetece. Algo inconcebível para certas mentes formatadas e preconceituosas.
    Pelo que, voltarei quando me apetecer malhar em “esquerdistas radicais” de novo tipo.


  14. E assim se confessa, caro Leitor.

    Ficamos pois a saber que só participou nas manifs e vigílias “oficiais”, pois se tivesse ido às outras (e olhe que não ter ido ao 15 de Novembro não é para todos, vossa excelência é um “puro”, chapeau), conheceria por certo o Mário Machaqueiro, conheceria um pouco mais de perto o Ricardo Silva e também o José Manuel Faria, que não falhou uma, fosse lá qual fosse o organizador! Há poucos assim, sabe?

    Quanto à “troika da APEDE” e já que parece conhecer os lugares de cada um, nos orgãos sociais (ou a sua ausência), não faça a descortesia de ignorar os restantes. Por exemplo, se tivesse participado nas tais iniciativas de luta “não oficiais”, certamente conheceria outros membros da APEDE, o António Ferreira e o Nicolau Marques, das Caldas, o Eduardo Alves, a Isabel Parente e a Cristina Didelet (entre outros “operacionais” de Sintra) o Jorge Martins, o Fernando Rodrigues e a Judite Valverde, de Leiria, a Fátima Gomes, de Braga, etc, etc. para não citar outros colegas que connosco vão colaborando sempre que organizamos alguma iniciativa de luta. Por exemplo, a página do Facebook da APEDE foi criada, e dinamizada, por uma colega que nem sequer pertence aos orgãos sociais. Como vê a “troika” da APEDE é, afinal, um “colectivo” um bocadinho maior.

    Mas isso, por acaso, interessa-lhe? Nada. Mas mesmo nada! Já o sabemos.

    O que lhe interessa (ainda bem que o admitiu, embora tal fosse tão evidente que dispensava confirmações) é “malhar” neste grupo de “esquerdistas radicais”😉

    Sossegue lá esses ímpetos à Santos Silva (até porque já devia saber que não há muito por onde “malhar”) e não deixe de ler, nos tempos mortos, o Voslenski🙂


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