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PS: a caminho do descalabro total?

Posted in O chamado «Partido Socialista» por APEDE em 12/05/2011

Isto não vai, quase de certeza, acontecer. Até porque haverá sempre alguém, a começar por Cavaco Silva, para dar uma mãozinha ao partido da mesma e levá-lo a habitar o governo do “centrão” que está na forja. Mas, ainda assim, façamos um exercício de imaginação…

… Imaginemos que o PS leva uma tareia no dia 5, isto é: que os eleitores decidem, em cima da hora, penalizá-lo contra todas as sondagens.

O descalabro não poderia ser mais drástico para esse partido. É que a coesão unanimista criada à volta do “grande líder” no último congresso, sendo uma aparente manifestação de força e de determinação – para além de ser também um deprimento espectáculo de curto-circuito da razão crítica -, poderá vir a transformar-se na maior fraqueza do PS. Pela boa e simples razão de que uma massa amorfa, na qual já não resta a mais pequena dissidência inteligente (esqueçam, por favor, esse saco de vento que dá pelo nome de M.M. Carrilho), só pode afundar-se uniformemente e com fragor.

Da mesma maneira que José Sócrates estava disposto a afundar o país só para satisfazer o seu pequenino calculismo eleitoral, também está disposto a afundar o PS só para satisfazer o seu pequenino egocentrismo de dirigente político. «Depois de mim, o dilúvio», poderia ele dizer, a propósito do seu partido. E com razão.

O unanimismo que se gerou em torno de Sócrates significa que não há ninguém com capital de autoridade moral para o substituir, num cenário pós-socratino, e encetar um caminho inteiramente novo. E, mesmo que haja, não tem com ele um único soldado para formar um exército.

Se este fosse só um drama do PS, poderíamos todos dormir descansados. O problema é que isto é um drama de toda uma alternativa política da qual o país necessita desesperadamente.

O país precisa de um partido de governo que tenha a a lucidez e a coragem para contrariar o poder do capitalismo financeiro e para dar todos os passos necessários a uma renegociação da dívida.

O país precisa de um partido de governo que tome essa iniciativa antes de entrarmos numa situação de recessão crónica, de endividamento perpétuo, de desemprego galopante, de destruição total das classes médias, de acentuação ainda maior da miséria dos que já são miseráveis.

O país precisa de um partido de governo que consiga criar pontes com as outras organizações políticas que estariam dispostas a apoiá-lo numa iniciativa como essa.

É muito possível que o PS nunca tenha sido esse partido. Mas sabemos de ciência certa que, neste momento e no futuro próximo, não o é nem o será de todo.

A tragédia (mais do que drama) é que também nenhum dos outros partidos, ou por defeito deliberado ou por insuficiência involuntária, alguma vez o será.

E a isto estamos reduzidos. Sem movimentos sociais com a força de impor uma agenda favorável a quem trabalha e a quem perdeu o trabalho. Sem partidos capazes de bater o pé a Bruxelas e ao FMI.

A caminho do descalabro. Não o do PS. O do país.

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