APEDE


Pedimos desculpa por este memorando. A democracia segue dentro de momentos

Posted in E agora? por APEDE em 03/06/2011

Interessante vai ser vermos como o próximo governo – admitindo que seja do PSD/CDS – irá descalçar a bota da Constituição da República face aos prazos apertadíssimos impostos pelo programa de governo que a “troika” pôs à frente dos «partidos do arco do poder» para eles assinarem (de cruz, pelos vistos).

É que tais prazos são incompatíveis com praticamente todas as regras processuais que regem o funcionamento da nossa democracia: o tempo necessário para o estabelecimento da nova Assembleia da República, para a formação do governo, para a deliberação e a votação das leis que decorrem do memorando, é muito mais lento – o tempo da democracia representativa – do que o tempo despótico imposto pela “troika”.

Mas há mais: havendo alterações legislativas que mexem em direitos fundamentais consagrados na Constituição – como o direito a não se ser despedido sem justa causa -, para que tais alterações se façam será preciso uma maioria de dois terços, o que pressupõe negociações que se estenderão necessariamente por um tempo que colide, igualmente, com os prazos do memorando.

A este último respeito, será também interessante ver como se comporta o PS. Perderá o que ainda lhe possa restar de vergonha e aceitará a supressão definitiva, em sede constitucional, de direitos sociais e laborais herdados do processo que se seguiu ao 25 de Abril? Ou, na era pós-socratina, o PS será capaz de um assomo de dignidade, trocando, com a afirmação da soberania democrática, as voltas ao despotismo “europeu”? 

É por isso que a remoção de Sócrates nas eleições de Domingo talvez seja mais relevante do que parece. Isto partindo do pressuposto que há vida no PS para além de Sócrates…

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11 Respostas to 'Pedimos desculpa por este memorando. A democracia segue dentro de momentos'

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  1. Zé Manel said,

    O indivíduo que os barões rosa têm feito representar o papel de “Grande Líder”, acabou por absorver praticamente a totalidade do conteúdo pensante do maior partido, a tal ponto que não existe ninguém que não vá lá venerar e
    dizer amen ao animal feroz. O engenheiro Henrique Neto é a única excepção de que me lembro. Mesmo alguns raros críticos como Victor Ramalho defendem a continuação de tão frutuosa liderança. Até o Ferro Rodrigues veio de longe participar nas cerimónias de seguidismo canino que a corte socialista vem prestando. Quando tantas e tão ilustres cabeças se prestam às vassalagens mais absurdas ao pior primeiro ministro que o país já teve, já tudo se torna possível. Mesmo a própria essência da democracia pode perfeitamente passar apenas a ser a caricatura de si mesma na visão de todos os que entendem positivo calarem-se perante os maiores escândalos e descalabros a que a clique vem sujeitando o zé.

  2. Mário Machaqueiro said,

    Caro Zé,

    Pois. Eu também acho que a clique de Sócrates secou tudo à sua volta. E, pior do que isso, muitos se deixaram secar. O caso de Ferro Rodrigues é bem sintomático – ainda por cima sem mais-valia eleitoral para o PS, pois a sua campanha por Lisboa está a ser um desastre (deixar-se bater por um Fernando Nobre é obra!). Neste momento não há praticamente ninguém no PS capaz de operar uma viragem à esquerda. O José Seguro é o eterno “bluff” que se sabe; Ferro Rodrigues, para além de queimado pela história da Casa Pia, consentiu agora queimar-se politicamente; Manuel Alegre é mau demais para ser verdade. Etc., etc.
    Nota à margem: Vítor Ramalho é peixe de águas profundas; uma espécie de Almeida Santos mais novo e com menos mordomias acumuladas (mas q.b.). Isso mais as fidelidades soaristas fazem dele pessoa muito pouco recomendável.

  3. Leitor said,

    Uma injustiça que se esqueçam de Paulo Pedroso.

  4. roma maria said,

    Sócrates está para o PS como Cavaco Silva esteve para o PSD. São autênticos eucaliptais, secam tudo à volta.Deprimente.

  5. Mário Machaqueiro said,

    Paulo Pedroso? De facto, nem me lembrava dele. Parece que, recentemente, alinhou também em considerar que o grande problema da nossa competitividade reside nos nossos “elevados” salários, estribilho liberalóide que Pedroso repete acriticamente (ver aqui: http://bancocorrido.blogspot.com/2011/05/esquerda-nao-pode-enterrar-cabeca-na.html). Para uma refutação bem fundamentada do “argumento” de Pedroso, ver aqui: http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2011/05/dislexia-nao-e-bem-esse-o-lado-esquerdo.html

  6. Mário Machaqueiro said,

    Parece que, neste nosso blogue, os comentários que incluem links estão a ser automaticamente enviados para a secção dos “pendentes”, à espera de aprovação. O Leitor tem-se queixado disso, e agora aconteceu-me o mesmo com o meu comentário anterior. Como percebo pouco do editor deste blogue, não vou conseguir resolver o problema. Limitar-me-ei a desbloquear comentários, quando me aperceber de que eles aguardam aprovação. Alguém que saiba e queira ajudar, faça favor…


  7. Pelo que pude perceber nas “opções de discussão” do WordPress, numa provável recente actualização das suas funcionalidades de controlo do spam, foi introduzido um critério de bloqueio de comentários que contenham 2 ou mais links. Pode ser essa a razão dos comentários estarem a ser bloqueados. Já corrigi a situação, espero que não haja mais problemas.

    Abraço


  8. Parece-me muito possível que o futuro próximo do PS venha a passar por António Costa. Que, tal como todos os outros, também não soube demarcar-se de Sócrates, bem pelo contrário. Terá certamente alguma comunicação social do seu lado e uma certa capacidade e elasticidade, já demonstrada na “construção” da lista autárquica em Lisboa, para recriar o “necessário” albergue espanhol de apoio, agora dentro do PS. Francisco Assis (completamente queimado, do ponto de vista do eleitorado não PS, pela sua confrangedora e subserviente adesão ao chefe) e António José Seguro estarão certamente atentos ao desenrolar dos acontecimentos, não enjeitando uma hipótese de sucessão, o primeiro numa linha de total continuidade, o segundo ainda assim, menos comprometido com a actual liderança. Curioso será ver também o percurso de Sócrates e do seu argumentista-mor, Pedro Silva Pereira. Se o PS tiver um resultado acima dos 30%, sem descolar demasiado do resultado do PSD, não me admirava nada que o “determinado e combativo” José Sócrates, o paladino do Estado Social, da Escola Pública e do Serviço Nacional de Saúde, guardasse a toalha na gaveta, em vez de a atirar ao tapete, e continuasse a luta por um “Portugal melhor”, na oposição, procurando explorar todas as debilidades e dificuldades do futuro governo na gestão do pântano em que estamos metidos. Futuro governo que não terá um segundo sequer de “estado de graça”, como aliás Jerónimo de Sousa já prometeu. Os próximos tempos vão ser duplamente dramáticos: pela recessão económica e desemprego por um lado, mas também pela quase certeza de um triste espectáculo em torno da disputa e do controlo do poder, em vários tabuleiros.


  9. E vai ser realmente muito interessante saber como é que os partidos do “arco governativo” se vão entender (ou não) para a criação de uma maioria de 2/3 no Parlamento, necessária às alterações constitucionais que permitam viabilizar a implementação de algumas das medidas negociadas com a troika. Querem apostar que vão invocar o “interesse nacional”?

  10. Mário Machaqueiro said,

    Pois é, Ricardo. E é sintomático que os nomes que tu apontas como futuros possíveis sucessores de Sócrates na direcção do PS não representem, de facto, uma ruptura efectiva com as políticas socratinas. Também não vejo que o PS, tal como está (e, diga-se em abono da verdade, como sempre foi), tenha a coragem de impedir a tal maioria de 2/3 para evitar a subversão definitiva da Constituição portuguesa.
    É muito provável que, no futuro, tenha mesmo de haver a renegociação da dívida de que o PCP e o BE falam, com argumentos que não souberam ser suficientemente convincentes. Só que, quando chegar o momento dessa renegociação, o país estará feito em cacos e já pouco resta para salvar… Tristes tempos estes, e mais triste ter de reconhecer a impotência para inverter o rumo que está a ser seguido…

    • maria said,

      É inacreditável como repórteres, jornalistas e …. , se estão a comportar na SIC-NOT.

      Já deitam foguetes desde a manhã eleitoral, como histéricos. O D. Sebastião afinal não apareceu numa manhã de nevoeiro…

      Meios de comunicão obedecem a seu dono!


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