APEDE


Senhores directores: modo de (o)usar

Posted in Resistências por APEDE em 10/07/2011

Na sequência do que dissemos no “post” anterior, pensamos que, apesar dos muitos constrangimentos com que os professores hoje se debatem, há espaço para resistir à prepotência do pequeno fascista que habita a cabecinha de muitos directores escolares.

Antes de mais, nenhum professor pode ou deve aceitar que, perante uma dúvida legítima ou uma objecção pertinente em relação a uma determinada ordem interna, o “senhor director” responda com frases do género «quero, posso e mando». Aliás, o simples facto de um director dar uma resposta dessas – mesmo que, no limite, tenha razão ou que a lei esteja do seu lado – deve suscitar da parte dos professores uma reacção imediata de repúdio.

Assim, sempre que um director responder dessa forma, manifestando um claro desrespeito pelos professores que trabalham na sua escola, devem estes condicionar o cumprimento da ordem à exigência de uma fundamentação por escrito fornecida pelo director.

Caso o director se recuse a fornecer essa fundamentação, ou se a mesma se revelar insuficiente face a uma manifesta injustiça ou arbitrariedade, os professores não devem baixar os braços e conformar-se com a fatalidade do despotismo. Podem ainda recorrer a outros meios:

– Denunciar o caso junto da Inspecção Geral do Ensino.

– Envolver os sindicatos na denúncia e no combate à situação de discricionaridade.

É de prever que certos comentadores do costume nos caiam em cima por isto, mas temos de reconhecer que os sindicatos “combateram”, num passado recente, o modelo de administração escolar muito mais na base da bravata retórica do que com uma luta firme e consequente. E é bem sabido que alguns dirigentes sindicais preferiram correr para os lugares ao sol que abocanharam nas direcções de certas escolas, em lugar de resistir às novas formas antidemocráticas de as gerir. Seja como for, e até por isso, os professores sindicalizados podem perfeitamente  responsabilizar as organizações sindicais de que fazem parte e obrigá-las a participar activamente no combate ao autoritarismo fascistóide dos directores mais “zelosos”.

Finalmente, e esgotados outros meios, os professores podem ainda usar um recurso especialmente eficaz: a denúncia, junto da comunicação social, dos abusos praticados pelo director. Todos nós sabemos como certos directores gostam de pisar o corpo docente, desde que isso seja feito no segredo das paredes da escola. Quando o caso é, no entanto, publicamente denunciado e divulgado, esses tiranetes de trazer-por-casa ficam à beira de um ataque de nervos. Pois é pôr a boca no trombone e colocar a nu, na praça pública, o tipo de prepotências, boa parte delas totalmente irracionais, que andam a ser praticadas nas escolas!

Claro está que, no ambiente de medo que está a ser incutido, os professores que assumirem estas atitudes de resistência correm diversos riscos. Aquele cujo poder assenta, não numa autoridade legítima e legitimada, mas no mero arbítrio incontrolado, é quase sempre animado pelo espírito da vingança mesquinha. Por isso mesmo é fundamental que nisto, como em muitas outras coisas, os professores actuem de forma colectiva: façam-no ao nível dos grupos disciplinares, dos departamentos e até, desejavelmente, na articulação dos professores de toda a escola.

Mas façam-no de alguma maneira.

Desta resistência, que já devia estar a acontecer, depende a capacidade de dizer não a muitos outras formas de violentação da condição laboral e profissional dos professores que estão, neste momento, a ser cozinhadas nos gabinetes da 5 de Outubro e que vão ter – podemos estar certos disso – nos directores das escolas os seus principais executores.

33 Respostas to 'Senhores directores: modo de (o)usar'

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  1. maria said,

    Seria interessante reflectir em algumas questões: os(as) directores nomeados, a nível nacional, são maioritariamente de que sexo, quais as habilitações académicas antes do ingresso na actividade lectiva e qual a percentagem oriunda de estruturas sindicais?
    Qual a diferença actual entre “reitor(a)” e “director(a)”, qual a diferença entre a independência dos reitores da U.N. e os directores dos Partidos PSD/PS?


  2. Creio que vai sendo hora dos professores, dispostos a lutar contra o autoritarismo de certos directores, passarem a usar a única arma que têm ao seu dispor dentro das escolas. E essa arma é a presença activa e consciente nos Conselhos Gerais. A luta deve prosseguir fora das escolas, denunciando e exigindo a mudança do modelo de gestão e, dentro delas, nos Conselhos Gerais, impedindo o abuso de poder por parte dos directores. É até capaz de ser hora de se lançar um apelo nacional nesse sentido e reforçar o diálogo e os laços de cooperação entre os professores que já o estão fazer e aqueles que possam vir a dar passos nesse sentido.

  3. Leitor said,

    Entre a “bravata retórica” dos “Sindicatos” que desde a primeira hora lutaram contra o modelo de gestão

    http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/abaixoassinado-da-fenprof-contra-novo-regime-ja-reuniu-mais-de-20000-assinaturas_1318083

    e a “luta consequente” dos “movimentos” que dão cobertura nas “suas” escolas a todos os desmandos e arbitrariedades,

    vai, de facto, uma distância enorme.

  4. Leitor said,

    Haja memória:


  5. Leitor,

    Quais são os movimentos que dão cobertura nas suas escolas a todos os desmandos e arbitrariedades? Era bom que esclarecesse, porque eu não tenho notícia disso. Tenho, isso sim, experiência, directa e pessoal, exactamente do contrário.

    Mas vou ficar à espera que dê provas do que escreveu.


  6. Quanto aos sindicatos e sobre o que dizem e fazem em relação ao modelo de gestão, e também à minha opinião sobre o posicionamento dos Directores e da luta sindical, é uma questão do Leitor solicitar a acta de uma reunião de há meses atrás que o SPGL promoveu, numa escola em Lisboa, com Directores e Presidentes dos Conselhos Gerais e com a presença do António Nabarrete e do António Avelãs. Por mim, continuo à espera de nova reunião, que ficou prometida.


  7. Que fique claro: achei interessante essa reunião. Mas tem de ser consequente. Aguardo.

    E agora vou sair e aproveitar a tarde, que há mais vida para além destas questões.

    Mais logo, se o caro Leitor passar das palavras às provas, poderei então responder-lhe. A ver vamos.

  8. Leitor said,

    Conheço as teorias do “mal menor” e dos “pauzinhos na engrenagem”, mas no caso do actual modelo de gestão qualquer participação no mecanismo, por mais bem intencionada que seja, serve objectivamente para o legitimar.
    Nesse aspecto, estou completamente de acordo com o Mário Machaqueiro: “a perspectiva tem de ser a supressão completa do quadro institucional e jurídico de que os conselhos gerais são parte integrante”.
    http://www.profblog.org/2009/07/o-conselho-geral-participar-ou-boicotar.html

  9. Mário Machaqueiro said,

    O debate aqui travado entre o Leitor e o Ricardo incide na utilização, ou não, de mecanismos previstos na actual arquitectura institucional da administração escolar para desmontar e, eventualmente, minar a sua estrutura. Confesso que sempre nutri as maiores reservas sobre os frutos da intervenção nesse domínio, e o que fui conhecendo das escolas onde os professores procuraram usar os conselhos gerais para lutar contra o novo modelo de gestão escolar não é de molde a mudar a minha opinião. Bem pelo contrário.
    Seja como for, o “post” ali em cima aponta para outra dimensão: a do quotidiano das escolas em que professores se vêem confrontados com gestos da mais pura arbitrariedade, arrogância e desrespeito da parte dos directores. E a minha pergunta, muito singela, é: o que fazer nesses casos? Engolir e calar, com isso contribuindo para que se reforcem os tiques do pior autoritarismo? Ou resistir, nomeadamente através das formas que o “post” sugere? É isto que eu gostava de ver discutido, se alguém se quiser dar a esse trabalho.


  10. Leitor,

    E quem lhe disse que eu defendo a continuação dos Conselhos Gerais? Se fosse menos ignorante e menos mal intencionado, teria lido a Proposta Global Alternativa da APEDE, na qual trabalhei e que tenho desde sempre defendido, e que defende um outro modelo de gestão. O que sempre tenho dito e defendo é que, a par da luta pela supressão total desde modelo de gestão, devemos ser tb capazes de assumir a luta por dentro, nos Conselhos Gerais, para podermos precisamente conter a ofensiva e deriva autoritária de muitos Directores. Se ninguém o fizer, aí sim, o caminho ficará inteiramente livre para os desvarios dos Directores.

    Claro que há Conselhos Gerais que funcionam como caixa de eco dos Directores e rectaguardas de apoio às suas medidas e decisões. É exactamente por isso que os professores que se identificam com a luta e resistência não podem deixar o caminho livre e aberto para que os adesivos se instalem. Será tão complicado perceber isto?

    Voltando ao Leitor é verdadeiramente lamentável que escreva isto:

    “luta consequente” dos “movimentos” que dão cobertura nas “suas” escolas a todos os desmandos e arbitrariedades.

    e não prove o que afirma.

    O que diz depois é que afinal são “pauzinhos na engrenagem”. Afinal dão cobertura ou são “paus na engrenagem”? E, no fim de contas, permitem que a engrenagem produza todos os desmandos e arbitrariedades, ou impedem que tal aconteça?

    Claro que para estes lutadores é muito mais fácil ficar de fora a mandar bitaites, à espera que os amanhãs cantem. Tentar contrariar a onda é muito mais complicado.

    Finalmente, o Mário sabe perfeitamente o que eu anunciei no dia em que assumi maiores responsabilidades na APEDE, numa reunião nas Caldas da Rainha. Fui muito claro sobre esta questão dos Conselhos Gerais, e mantenho-me coerente com o que sempre disse e defendi. Desde aí até hoje, tenho dado provas de que valeu a pena. Não me arrependo por um segundo da opção tomada. Já agora: recusei um convite para integrar a Direcção Executiva. Jamais aceitaria, com este modelo de gestão e com aquele governo.


  11. Mário,

    Sobre as formas de luta e denúncia que apontas, por mim nada a opor. Mas olha que, em regra, a postura da IGE é de defesa das Direcções Executivas. Tenho disso provas concretas. Mais uma razão para que, dentro das escolas, os Conselhos Gerais, assumam a sério as suas funções, enquanto não se conseguir alterar o quadro legal. O que devemos discutir tb é a forma como conseguir isso.

  12. Mário Machaqueiro said,

    Ricardo,

    O que provavelmente se terá de fazer é lutar em várias frentes, todas aquelas que os professores consigam mobilizar (conselhos gerais também, se for caso disso). É claro que eu não tenho grandes ilusões acerca da IGE – e é também por isso que não vejo com bons olhos entregar à IGE a avaliação dos professores, como alguns sugerem. Mas a denúncia de certos casos à IGE seria também uma forma de confrontar essa estrutura do Ministério com as suas responsabilidades. A verdade é que tudo passa, no essencial, pela capacidade que os professores tenham de mostrar coluna vertebral no meio dos abusos que estão a ser cometidos. Causam-me náuseas histórias que vou ouvindo, que procurei ilustrar no “post”, de directores que fazem gala em exibir, perante os professores, a arrogância de quem não tem de prestar contas a ninguém. Os professores não podem tolerar isso nem mais um minuto! Caso contrário, vão ter em cima muito mais do que a pata de certos “senhores directores”!

  13. Leitor said,

    O Ricardo Silva é o Ricardo Silva, não é “os movimentos”.
    O que observo “de fora”, na minha ignorância, são lutadores muitos lestos a exigir aos sindicatos que façam aquilo que eles não foram capazes de fazer nas suas escolas e, no fim de contas, ajudaram a montar o sistema e a mantê-lo oleado e em funcionamento.

  14. Zé Manel said,

    Este “leitor” está apenas a cumprir a missão de serviço que o comité lhe encomendou, ou seja, continua a inverter os factos para ver se fica bem na foto e os outros mal, mas não consegue! Nós que já andamos nisto há muito sabemos bem quem tem ajudado a manter o sistema. Basta citar o Nogueira quando recentemente afirmou que agora não é hora de lutar. Mais palavras para quê????????????????


  15. Pois é caro Leitor, confirma-se o que eu já supunha: faz acusações e levanta suspeições sem ser capaz de as provar. Tem razão numa coisa: O Ricardo Silva é o Ricardo Silva, não é “os movimentos”. Mas como foi na caixa de comentários DESTE movimento que levantou a acusação, e como neste movimento (que eu saiba) sou o único membro dos orgãos sociais a integrar um Conselho Geral, ainda por cima como presidente, é muito natural que eu reaja e lhe exija provas do que diz. E não tenha dúvidas, essa carapuça não me serve. Muito pelo contrário. E quanto ao que eu fiz na minha escola, em conjunto com alguns colegas, de que o Zé Manel é um bom exemplo, até me fica mal falar. Mas tenho muito orgulho desse percurso. E é exactamente por isso, que não lhe admitirei que lance atoardas sem qualquer fundamento. Quanto aos outros movimentos, se é a eles que dirige as suas suspeições, seria importante que fosse claro e directo, coisa que também não conseguiu fazer.

    Zé Manel,

    Tocas na ferida. Tu melhor que ninguém (pois conheces bem a realidade dos sindicatos e a dos movimentos) sabes do que falas e é por isso que não será nenhum Leitor a calar-te.

    Mário,

    Estamos de acordo. A luta é para fazer usando todos os meios possíveis. E não chegam… pelos vistos.

  16. Leitor said,

    Zé Manel:
    Ao contrário do que diz o Ricardo Silva, não pretendo que se cale.
    Até é conveniente que fale muito, para evidenciar a qualidade da sua argumentação (serviço encomendado pelo comité) e a veracidade das afirmações (Nogueira diz que não é tempo de lutar).
    Mas não lhe vou dar troco. É que, mesmo em tempo de crise, nunca atiro a pardais.

  17. Leitor said,

    Ricardo Silva:
    Em resumo, ficamos a saber que a luta dos sindicatos foi pura “bravata retórica”, enquanto o Ricardo Silva resistia que nem um gaulês infiltrado nas trincheiras do inimigo.


  18. Leitor:

    Isso é que foi madrugar🙂 Para quem não se preocupa com pardais, não está nada mal para começo do dia.

    Quanto ao resto… não adianta. A cassete é de rocha granítica, a percepção dos factos está irremediavelmente obnubilada e os pontapés na “gramática” da luta são confrangedores.

    Compreenda isto: enquanto não provar o que afirmou no seu primeiro comentário, o seu rating como “comentador” fica abaixo de “lixo”.

    P.S. Se não fossem os “gauleses” (no plural, sempre no plural) não teria havido 8 de Novembro. E o “Memorando de Entendimento” teria resolvido todos os nossos problemas.


  19. Quanto a “bravatas retóricas”, de repente lembrei-me de uma cena engraçada, que vi com os meus próprios olhos: à porta da 5 de Outubro, para onde a FENPROF tinha convocado uma concentração de contratados, para reagir à decisão do ME, em manter nos concursos os efeitos da classificação da ADD, o líder da federação sindical, de microfone em punho, ameaça com uma voz tronitruante:

    “SE ELES QUEREM GUERRA, VÃO TER GUERRA!!!”
    🙂🙂🙂

    Guerra? Qual guerra? Os asteriscos mantêm-se de pé ou sou eu que estou confundido?

    Mas a melhor prova da luta consequente e forte, muito forte mesmo, foi aquela EXPLOSIVA declaração, dia 8 de Novembro, já noite, na Av. da Liberdade, perante 120 mil professores:

    E agora colegas isto não vai parar, vamos fazer “UM DIA DE GREVE, NO DIA 19 DE JANEIRO!!!”

    Ahhhh e “UMA MARCHA PELA EDUCAÇÃO”! (Ainda estamos à espera desta)

    Raios me partam se isto não é lutar com força!

    P.S. E por falar em “bravata retórica” ainda me recordo do ÚNICO debate nas últimas eleições do SPGL, realizado na minha escola, a meu convite, com os candidatos pelas 3 listas, em que todos, sem excepção, prometeram, de viva voz, que tudo fariam, caso fossem eleitos, para assegurarem a desblindargem dos estatutos e a limitação de mandatos dos cargos sindicais. Meu caro Manuel Grilo, como vai esta situação? NOTA- O Manuel Grilo é dos que ainda conseguem falar, com elevação, com os “malandros” dos movimentos, esses “gauleses” atrevidos, e só tenho de o saudar por isso.

  20. Leitor said,

    8,25 não é própriamente madrugar. O relógio da APEDE é que está atrasado (em todos os sentidos).
    Quanto às intenções de luta não concretizadas, não depende só dos dirigentes sindicais. Os dirigentes dos movimentos é que convocam concentrações, sem levar em conta as condições objectivas, e depois ficam meia dúzia de zombies a falar sózinhos (vd. Caldas da Rainha), mas ninguém lhes pede responsabilidades.
    O dirigente do SPGL que refere é muito compreensivo, tolerante e paciente, dialogante, não sectário e outras coisas mais, ao contrário dos outros que são todos “estalinistas” do piorio.😆


  21. É pena que os sindicatos não tenham blogues. Por diversas razões, note-se. Se assim fosse, o Leitor seria desde logo nomeado como afinador oficial do relógio e respectiva actualização para a hora de Verão. “Pétaculo!”🙂
    Ainda assim, 8.25h continua a ser madrugador para quem afirma não ligar a pardais. Não liga a pardais mas incomoda-se com o número de presenças, numa concentração de professores convocada pela APEDE, nas Caldas da Rainha, a qual pelos vistos acompanhou à distância e sobre a qual pensa que pode (impunemente) mentir e (des)valorizar à sua maneira. Acontece que eram bem mais que meia dúzia e, facto assinalável, acorreram às Caldas professores de outros pontos do país, desde a Amora ao Porto, passando por Sintra, etc. Repito: AMORA, SINTRA, PORTO! Esses colegas deviam merecer-lhe mais respeito e consideração. Que eu saiba, e disseram-mo pessoalmente, não deram por mal empregue o tempo e a viagem. Mas é verdade que poderiam ter estado mais professores. Poderiam se os sindicatos apoiassem, como deveriam, este tipo de iniciativas de luta, dizendo presente, pois deveriam estar sempre onde quer que estejam professores (quando os sindicatos convocaram uma acção de solidariedade para com Sto. Onofre – e muitos não sabem como é que o SPGL soube do que se passava e de quem foi o apelo para essa intervenção- eu estive presente, em representação da APEDE, indo no meu carro, de Sintra, e depois de um dia de aulas. Mas nesta nossa iniciativa, os sindicatos acharam que não, as “condições obejctivas” não eram as ideais. Perante isto, os sectários somos nós, certo?🙂 Para continuar, e ainda sobre as tais “condições objectivas”, devo dizer-lhe que essa concentração nas Caldas, foi importante porque deu corpo e visibilidade a um processo de reanimação da luta nas escolas contra o processo da ADD, que recomeçava e que permitiu levantar uma nova onda de contestação dos professores no terreno, com aprovação de moções por todo o país, obrigando os sindicatos a pegarem num assunto que para eles estava arrumado, desde o Acordo de Janeiro. Finalmente, devo dizer-lhe tb que eu próprio estive presente em concentrações convocadas pela FENPROF, na 5 de Outubro, onde só estiveram realmente uma “meia dúzia” de professores. Com a máquina de que os sindicatos dispõem, isso sim, é que é uma lástima. Ou, no mínimo, uma péssima avaliação das “condições objectivas”🙂. A esses seus colegas, não pensou, na altura, pedir responsabilidades?! Já agora, quem é que tem pedido responsabilidades aos legítimos representantes dos professores pelos “extraordinários” ganhos de luta que têm conseguido nos últimos anos? Se for capaz de me dar exemplos, agradecia. Ou será que foi tudo perfeito? Com os meios de que dispõem, terá sido tudo bem feito? E não se pedem responsabilidades porquê? Ou será que o Leitor é pessoa para vir exigir fora aquilo que não exige em casa? A verdade é que eu tive acesso à revista do sindicato, que fez a reportagem de Montemor, e nele não encontrei uma única linha de critica ou auto-critica às opções e decisões tomadas neste processo de luta. E, curiosamente, dos 800 e tal delegados que foram a Montemor, apenas uma “meia dúzia” disse presente, dias depois na 5 de Outubro, na tal concentração marcada pela FENPROF onde o seu líder anunciou a GUERRA. Mais uma vez, eu estive presente, com outros colegas dos movimentos. Como estivemos em muitas outras ocasiões. Já o contrário é uma miragem, pois a unidade só conta e só é importante quando é convocada por um dos lados. Lamentável. Por muito que custe a certas pessoas, cá continuamos e continuaremos. E pode continuar a mandar atoardas, levará sempre o troco devido. Até que se cale e saia de “fininho”, sem conseguir rebater aquilo que escrevo e questiono, como já aconteceu diversas vezes. Note-se que sobre os meus comentários acima, nem uma palavra. Já é habitual. Registe-se que ainda estou à espera das provas das acusações que proferiu no topo desta caixa de comentários.

    Deixo-lhe, finalmente, um “presente” que o fará revirar as tripas, sabendo bem que você daria um ano de vida, ou mais, para que isto nunca tivesse acontecido, ou que tivesse tido apenas “meia dúzia”:

    https://docs.google.com/leaf?id=0B_dXQzkOSFA8ZmM2YjU3NzktN2Y5OS00ZmVjLTkxZGUtYWExZGNkNDJhOTkx&hl=en_US

    Cumprimentos

  22. Mário Machaqueiro said,

    «Condições objectivas»?! Registo o vocabulário extraído de um manual requentado de marxismo-leninismo, daqueles de fabrico soviético, traduzidos para mau português, que devem estar a encher as prateleiras da sede na Soeiro Pereira Gomes. Ok, o “Leitor” até nos diverte. Mas, por favor, não podiam arranjar alguém um bocadinho mais sofisticado do ponto de vista intelectual para vir aqui chatear-nos de vez em quando? Fica aqui o pedido para ser entregue ao camarada controleiro, tá?

  23. Leitor said,

    Ricardo Silva:
    Continua a queimar o resto dos poucos trunfos de que dispunha, como um principiante.

    Machaqueiro:
    Primário e previsível. era certo e garantido que ía morder o isco das “condições objectivas”

    Os dois:
    Sobre o programa de Governo para a Educação, têm algo a dizer?

  24. Mário Machaqueiro said,

    Leitor:

    O primarismo está todo na sua cabeça de homem-das-cavernas da ideologia sovietóide.
    O que temos a dizer sobre o programa do governo para a Educação? Já escrevemos três “posts” sobre isso:

    https://apede08.wordpress.com/2011/06/28/o-programa-do-nosso-descontentamento-1/

    https://apede08.wordpress.com/2011/06/29/o-programa-do-nosso-descontentamento-2/

    https://apede08.wordpress.com/2011/06/30/o-programa-do-nosso-descontentamento-3/

    Eu sei que ler dá algum trabalho…

  25. Mário Machaqueiro said,

    Já agora, «ia» não leva acento no «i»… Foi só uma gralha, certamente.


  26. Leitor,

    Trunfos? Para quê? Fique tranquilo, não se incomode. Sou um simples “zeco”.

    E a única coisa que pretendo é continuar a ser professor, pois adoro dar aulas.

  27. Leitor said,

    É verdade que foram escritos, nos dias 28, 29 e 30/6, três posts sobre o Programa de Governo apresentado a 21/6.
    Mas foi uma análise tão superficial e tão afastada dos aspectos mais relevantes desse programa que pouco ou nada adiantou ao que tinha sido dito noutros blogues em dias anteriores.

    A APEDE esqueceu, entre outros aspectos, os seguintes:
    – Mega-agrupamentos
    – Reorganização curricular e organização do próximo ano lectivo
    – Desemprego docente
    – Adequação do sistema de ensino às necessidades do mercado
    – Análise global que evidenciaria uma clara opção por dinâmicas de privatização e desvalorização da Escola Pública.

    Tudo matérias que só preocupam os “trogloditas”, pouco “sofisticados”.

  28. Leitor said,

    Embora correndo o risco de desencadear mais um circunlóquio ao eremita do Lourel ou de suscitar novas e penosas elucubrações ao místico de Caneças, aqui fica o convite para a convergência na acção já no próximo dia 14:

    “Concentração em Lisboa, 14 de Julho
    Largo de Santos – 15h00
    Desfile até à Assembleia da República
    O programa do governo PSD/CDS consubstancia um ataque fortíssimo à democracia e à soberania nacional; em algumas matérias configura um autêntico golpe de Estado constitucional; ele é uma clara capitulação perante a ingerência externa; nega o desenvolvimento nacional; representará um significativo retrocesso social e civilizacional, através de propostas subversivas em relação às leis laborais e de um ataque fortíssimo às funções sociais do Estado e à prestação de serviços públicos.
    Vamos combater a intenção do Governo de alterar a legislação laboral com que quer:
    – tornar os despedimentos mais fáceis e mais baratos;- avançar com o banco de horas (12h/dia), imposto unilateralmente pelo patrão, para pôr os trabalhadores a trabalhar mais e a receber menos;
    – deixar de pagar o trabalho suplementar;
    – eternizar os contratos a prazo, introduzindo o chamado “contrato único” para subverter o princípio constitucional da proibição do despedimento sem justa causa;- atacar o direito e a efectividade da contratação colectiva.
    Outro rumo é possível! Há alternativas e precisamos de efectivá-las!Vamos lutar contra:
    – a redução da TSU – Taxa Social Única (contribuição patronal para a Segurança Social);
    – o enfraquecimento do sistema de segurança social contributiva, defender a sua estrutura universal e solidária e combater a sua privatização;
    – o ataque à Administração Pública e à intenção de despedir trabalhadores da administração central e local, defendendo o emprego e os direitos sociais e assegurando uma maior proximidade dos serviços públicos das populações;
    – o processo de privatizações de importantes empresas públicas, porque isso prejudica o desenvolvimento económico e social do país. É necessário renegociar a divida, os prazos e os juros respectivos;É fundamental alargar o prazo previsto para a redução do défice para 3%; É preciso e possível reindustrializar o país e produzirmos bens e serviços que reduzam as importações e sirvam o desenvolvimento da sociedade;É necessário combater a fraude e evasão fiscal e a economia clandestina;É fundamental combater o desemprego e a precariedade, nos sectores público e privado;É indispensável fazer pagar quem mais riqueza tem;É preciso dar resposta imediata aos que menos têm e menos podem. Trata-se de uma necessidade social e económica.
    É urgente:
    – Aumentar o SMN para 500 euros, em 2011;
    – Aumentar as pensões, especialmente as mais reduzidas;
    – Repor regras mais favoráveis de condições de acesso ao subsídio de desemprego e prolongar o subsídio social de desemprego para quem deixou de ter protecção.
    A hora é de unidade e convergência na acção por um futuro melhor para quem trabalha.
    NÃO FALTES!
    PARTICIPA!”

    SPGL/FENPROF

    • maria said,

      Leitor,

      só agora? Não acha vergonhoso e apenas para dar uma “satisfação” a quem paga as cotas chorudas?

      E quais os juristas que estão a trabalhar, nestes assuntos, desde que houve conhecimento deste recuo e humilhação?

    • Mário Machaqueiro said,

      O que seriam os «místicos» (ainda que de uma coisa pobrezinha como Caneças) sem a luz orientadora dos materialistas dialécticos? Obrigadinho, pá!


  29. O Leitor tem o GPS avariado. É Sintra, meu caro, Sintra, e não Lourel. Afine lá isso🙂

    Quanto ao resto, uma perguntinha inocente: vai haver eleições nos próximos dias 27 e 28 de Janeiro, certo?🙂

    Enfim… os anos passam, os contextos mudam, a “praxis” e o “ritual” é sempre igual. Em frente, camaradas! De vitória em vitória até à derrota final. Mas será que não percebem que estes dirigentes sindicais já não motivam nem dão quaisquer garantias à esmagadora maioria dos professores? Quem desbaratou 120 mil, já só trata de sobreviver e nada mais.

    Mas é claro que essa análise e auto-critica é impensável. Essas questões não interessam nada. O aparelho resolve e o que interessa é que haja luta. Ganhar ou perder é relativo. A luta é que alimenta.


  30. NÃO FALTES!
    PARTICIPA!

    Ora bem…

  31. Maverick said,

    Ricardo, o eremita:
    Lourel é o mais próximo. Eremitério de S. Romão e está abandonado.
    O outro, o de S. Saturnino fica mais distante e é na serra.
    Também não recomendo o convento dos Capuchos, porque podia ter concorrência nos circunlóquios.

    Maria:
    Linguagem encriptada não entendo.


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