APEDE


Aberrações da academia portuguesa

Posted in Coisas que fazem revolver as entranhas por APEDE em 13/07/2011

Não conhecemos em pormenor o que se passa “lá fora”, naqueles países em que o ensino superior se pauta por regras elementares de lisura, equidade e responsabilização.

Mas é duvidoso que lá aconteçam aberrações como a que esta notícia expõe, as quais são, infelizmente, o pão nosso de cada dia nas universidades portuguesas.

De facto, quando alguém escolhe um orientador para a sua tese de mestrado ou de doutoramento, fá-lo na convicção de que esse orientador não só irá, realmente, orientá-lo, como assumirá também a sua responsabilidade pelo trabalho submetido ao júri.

Isto, claro, é o que é razoável supor. Acontece que, no nosso país “à beira mar plantado”, o razoável pode ser sempre sujeito às “versões” mais criativas e inesperadas.

Assim, em Portugal, os orientadores de teses de mestrado ou de doutoramento são, com frequência, verdadeiros desorientadores, que se notabilizam pela completa negligência com que tratam os seus orientandos ao longo de todo o processo de elaboração da tese. Na melhor das hipóteses, deixam-nos completamente “à solta” e, quando a tese vai finalmente ser sujeita a provas, têm apenas uma vaga ideia do que lá está escrito. Isto não os impede, claro está, de acrescentarem essa “orientação” ao seu currículo.

Se as coisas se passassem só assim, não estaríamos totalmente mal. Teríamos apenas professores doutores incapazes de fazer o seu trabalho com decência, mas que, pelo menos, não empatavam o trabalho ou a carreira dos seus orientandos.

Mas Portugal acrescenta a tudo isto aquilo que deve ser uma originalidade pátria: orientadores que desfazem, massacram, trituram as teses dos seus orientandos em plenas provas de mestrado ou de doutoramento. Num qualquer país um pouco menos parecido com uma instituição psquiátrica o papel do orientador é verificar se a tese está ou não em condições de ser submetida a provas públicas. Se não estiver, a tese não chega, pura e simplesmente, a esse patamar. Porque, se chegar, o orientador é responsável por ela e tem também de responder por ela! Faz algum sentido que, num júri, o orientador seja o principal crítico do trabalho daquele que, supostamente, orientou?

Mas não! Semelhante clareza de regras é demasiado trivial para a nossa brilhante academia!

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