APEDE


Do sindicalismo-que-temos ao sindicalismo-de-que-precisamos

Posted in Sindicalismo no contexto actual por APEDE em 13/07/2011

Querem encetar uma discussão séria?

Então aqui vai (ainda que pela enésima vez neste blogue):

– Manifestações de rua, greves de um dia, concentrações na praça principal da cidade, da vila ou da aldeia são “formas de luta” completamente descredibilizadas aos olhos da grande maioria dos trabalhadores – e dos professores em particular -, que vêem nelas simples folclore para “marcar a agenda política” e para encenar uma “luta” que nunca vai para além da sua teatralização.

– A descredibilização dessas formas rotineiras ainda se acentua mais quando, na mesa de negociação onde os dirigentes sindicais tanto gostam de estar, a cedência e a capitulação perante o governo ou perante o patronato são a norma, que a retórica grandiloquente já não chega para disfarçar.

– Dado que essas “formas de luta” nunca são acompanhadas, por parte da acção sindical, pela inscrição do combate onde ele dói mais – os locais de trabalho -, elas acabam por ficar reduzidas a meras válvulas de escape, a efeitos simplesmente catárticos. O protesto pode assim descarregar as suas pulsões sem que daí resulte qualquer transformação substancial nas relações de força entre o poder (do Estado ou do capital) e os trabalhadores. É por isso que, com cinismo, Medinas Carreiras e Pachecos Pereiras tanto apreciam este género de manifestações de rua: porque, com elas, o povo pode ser mantido “sereno”. Os sindicatos fazem aqui o jogo do poder, anestesiando quando fingem acicatar.

– O momento social e político que se vive é demasiado grave e exigente para continuarmos a repetir gestos que não levam a lado algum.

– Os sindicatos só se reabilitarão aos olhos dos trabalhadores quando, perante a gravidade do tempo presente, conseguirem levar a luta aos locais de trabalho, agitando os trabalhadores e apoiando-os nas iniciativas de resistência que eles queiram levar a cabo. Pois é no espaço laboral que tudo tem de ser decidido, quando é aí que novas modalidades de despotismo estão a ser ensaiadas. Foi no espaço laboral que o sindicalismo verdadeiramente nasceu, tendo as ruas sido apenas um seu complemento. É aos locais de trabalho que o sindicalismo tem de regressar.

– Neste momento, não é só a renovação do sindicalismo que está em causa. É também a própria defesa dos direitos sociais e laborais mais elementares: direito ao emprego, à segurança social, à saúde e à educação.

– Nunca fomos contra a existência de sindicatos fortes, acutilantes e criativos na defesa dos direitos dos trabalhadores. Tomaríamos nós que eles fossem uma realidade.

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Uma resposta to 'Do sindicalismo-que-temos ao sindicalismo-de-que-precisamos'

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  1. António Berger said,

    vejam esta, vale a pena passar.
    Excelente

    http://psitasideo.blogspot.com/2011/07/add-carta-de-indignacao-aos-nossos.html


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