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Explicar de-va-ga-ri-nho

Posted in Educação por APEDE em 21/07/2011

Alguns comentários ao “post” anterior levam-nos a pensar que há alguns (esperemos que poucos) colegas nossos que não lêem, com atenção mínima, o que escrevemos. E há professores que, pelos vistos, estando instalados na segurança (mais ilusória, aliás, do que real) do seu posto de trabalho e dos seus horários, entendem que o Ministério da Educação não tem de se preocupar prioritariamente com o emprego docente e tem, isso sim, de dar toda a primazia aos interesses dos alunos. Se esses interesses colidirem com a segurança ou com a estabilidade profissional dos professores (quer dizer, dos “outros” professores, dos contratados “que não interessam para nada”), que se lixem estes últimos. Tem graça, porque, noutro “post”, antecipámos este “argumento”, adivinhando que ele iria surgir na presente discussão (infelizmente, só não adivinhamos os números do euromilhões). E aí tentámos demonstrar que as duas coisas – defender o interesse dos alunos e defender o emprego dos professores – não são incompatíveis. Não nos vamos repetir: é favor seguirem o link acima indicado.

Vemos também que há colegas que acham uma excelente medida o acréscimo de horas a Português e a Matemática. Que esses colegas sejam professores de… Português e Matemática não é só, obviamente, uma feliz coincidência. Procurámos explicar aqui por que consideramos essa uma decisão que, muito provavelmente, nada acrescentará ao ensino – a não ser, claro, as tais horas que fazem muito jeito ao horário de certos professores.

A nossa posição a este respeito é muito simples: face aos resultados catastróficos dos exames deste ano (e de outros anos), faça-se uma análise aprofundada do que tem corrido mal. Mas mesmo de tudo: dos programas, dos seus conteúdos, dos graus de exigência, dos critérios de avaliação, dos métodos de ensino. Acrescentar simplesmente mais horas sem fazer essa análise prévia equivale a empurrar o problema com a barriga. Ou será que os professores em questão entendem que tudo tem corrido no melhor dos mundos no tocante ao ensino de Português e de Matemática e que o mal reside apenas na falta de mais horas a essas disciplinas?

2 Respostas to 'Explicar de-va-ga-ri-nho'

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  1. zorro said,

    De facto, não há qualidade na Educação sem que os actores (professores) também estejam bem! Por isso, é evidente que esta mania da matemática e da LP é uma triste manifestação do Senhor Ministro na tentativa de apontar para o rigor matemático e aritemético que pretende para o ensino, se é que pretende alguma coisa por enquanto!!! Seriamos estúpidos se não considerarmos esta reorganização curricular “apressada” e representada. Penso que é pacífico que o aluno (falemos dele) não é apenas leitura, intepretação e expressão escrita, nem cálculo matemático! O aluno é mais do que um ser cognisciente, pois é criatividade, imaginação, espírito crítico, análise, opinião, emoção, emancipação…… Se não falarmos destas dimensões estamos a construir um modelo monolítico, industrial que pressupões os “inputs”, leia-se alunos, o mecanismo (Matemática e LP) e os “outputs”, isto é aluno rigorosamente controlados e calibrados com Matemática e LP. Qualquer docente percebe isto! Qualquer professor de Matemática e LP percebe e, se for honesto, admite o que expliquei!

    Posto isto, não percebo como é que os resultados de LP e Matemática continuam tão maus, apesar de todos os planos e mais não sei o quê… É um problema sério? Evidentemente! Soluções??? Mais horas de Matemática e LP!!! Ou seja, mais do mesmo! Contas de mercearia???? No domínio da Educação???? Por favor!!! Em teoria quando as disciplinas em causa tiverem as horas todas, haverá insucesso zero??? Só aí???!!!
    Será que não existem alternativas pedagógicas a explorar???? Já foi tudo experimentado??? Que tal, por exemplo, desdobrarem as turmas??? Que tal diminuirem o número de alunos por turma??? Criarem laboratórios de LP e Mat. ?

    O modelo é mau, pois é industrial e isto da Educação vai muito mais longe!

    A solução é parva! Mais do mesmo!!! Chutando as outras disciplinas para o canto!

    Senhores, enquanto continuarmos a discutir Educação assim….

    Bem, cada povo tem o que merece! Com os professores que temos, só merecemos este e os outros ME!!!!

  2. zorro said,

    Peço desculpa pelo português, mas ainda estou a trabalhar! Num CNO privado! Pois… Há professores e professores! Depois de 10 anos de serviço, por aqui me quedo, longe dos meus meninos, das escolas, da minha vocação, do meu entusiasmo, do meu sonho, da minha produtividade, da minha participação profissional e cívica na sociedade, da exigência a que quero responder, das responsabilidades que quero assumir…
    Triste país este que deita fora os seus recursos mais preciosos, os recursos motivados, interventivos, críticos, dinâmicos, exigentes!!!!
    Triste o país que procura “ovos de Colombo”, fantasia sebastianista em vez de procurar exigência, qualidade real!
    Somos tão pobres assim???


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