APEDE


Há uma guerra de classes. Mas, por enquanto, só um dos lados parece empenhado em usar todas as armas que possui

Posted in Capitalismo em poucas palavras por APEDE em 29/07/2011

O milionário Warren Buffett, o terceiro homem mais rico do mundo de 2011 segundo a revista “Forbes”, comentou um dia as reduções multimilionárias aos impostos dos mais ricos dos EUA, fazendo notar que a sua empregada doméstica tinha uma taxa de imposto maior que ele. Para Buffett era claro que se vive uma guerra de classes e que, diz ainda, a classe dele “está a ganhar esta guerra”. Quando ouvimos que a crise toca a todos e que é uma espécie de peste negra que une a pátria esbaforida em uníssono, devemos perceber que no barco não estamos todos. Parte daqueles cujos interesses comandaram o Titanic luso já estão em bom porto. Segundo a revista “Exame”, os ricos estão mais ricos. As 25 maiores fortunas em Portugal somam 17,4 mil milhões de euros, 10,1% do PIB português, o que corresponde a uma subida de 17,8% face a 2010 . Quando nos falam em crise pedem-nos sacrifícios, mas são sempre os mesmos que os fazem. Quem trabalha vai passar a ser despedido com uma mão à frente e outra atrás, os transportes vão aumentar, a saúde será tendencialmente paga a preço de custo e o ensino superior será só para quem tem dinheiro. Esta crise é uma revolução política que dará aos mais ricos todo o poder e muito mais dinheiro.
Nuno Bragança escreveu em “A Noite e o Riso”: “Os pobres são os degraus da escada que conduz os ricos ao céu.” Uma coisa é certa, no fim desta crise os ricos estarão no paraíso. Adivinhe quem vai estar no inferno.

– De Nuno Ramos de Almeida

12 Respostas to 'Há uma guerra de classes. Mas, por enquanto, só um dos lados parece empenhado em usar todas as armas que possui'

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  1. Meio Vazio said,

    Para caricatura dos delírios e fantasias oitocentistas do velho Karl, não está nada mal.

  2. Leitor said,

    Acabado de publicar e recomendado ao 1/2 vazio para não esvaziar completamente:

    http://bargad.files.wordpress.com/2011/01/hobsbawm-how-to-change-cover1.jpg?w=497&h=497


  3. É engraçado como os ‘delírios oitocentistas’ do velho Karl batem certo com a sabedoria pós-modernista do velho Warren…

  4. peter42y said,

    Essa pirâmide social é quase intemporal. As pessoas são egoistas. Assim sendo o poder que têm utilizam-no em proveito próprio , isto é , arrebanhando o mais que conseguem.

    No feudalismo também havia os servos que trabalhavam e o clero e nobreza que tinham mais recursos que os escravos da gleba.
    Mesmo dentro da Igreja uma coisa era ser-se bispo..,outra um monge incognito.
    Isto não significa que se aceite estado de coisas.
    Tal como existe um egoismo natural..,o ser humano também possue algum sentido de justiça que o faz ver que demasiada desigualdade não é boa.

  5. Meio Vazio said,

    A demanda da justiça é um motivo universal e intemporal; a crença na sua possibilidade plena (passe a redundância), um equívoco de raiz mítica ou teológica (gnóstica/marxista); a legenda que acompanha cada patamar da pirâmide “definindo-o”, apenas uma caricatura – ou tão somente (e mais provável) desatenção ou má-fé.

    • Mário Machaqueiro said,

      «Desatenção ou má-fé»? Porquê? Desenvolva, por favor…

      • Meio Vazio said,

        Será necessário? Talvez baste, por exemplo, que se certifique: de que não trabalha apenas quem está na base da pirâmide – condescendendo na sua consistência, claro – (onde colocaremos esses “árduos trabalhadores” como Marx, Lenine, Trotsky e companhia?); de que a “gente de armas” faria (fará) mais do que “atirar” para baixo; de que os clérigos (cristãos, islâmicos) não são necessariamente aldrabões – durante muito tempo, aliás, terão sido os únicos que, cultivando a ciência, a filosofia, as artes,a assistência aos mais desgraçados, impediram que a civilização sucumbisse ante a barbárie.


  6. A pirâmide é uma caricatura, mas é uma boa caricatura. Simplifica a realidade, mas não a simplifica abusivamente. Marx, Lenine, Trotsky “e companhia” – presumo que nessa companhia se incluem Hegel, Nietzche, Callyle, Spencer, Pound, Céline, Friedman – integrariam, numa versão menos caricatural da pirâmide, o degrau correspondente aos clérigos.

    • Meio Vazio said,

      Não simplifica “abusivamente”? Excelente; finalmente encontrada a possibilidade da redução respeitadora da realidade!
      Quanto ao emparceiramento que propõe, passe. Mas, acautele-se: poucos membros da confraria aceitarão que tão nobre companhia se justifique no engano dos inocentes, sem rasgar as vestes.


  7. Mas serão os inocentes inocentes? Ou deixarão de o ser quando escolhem deixar-se enganar por um clérigo em vez de outro? Quanto à redução respeitadora da realidade, não me arrogo as primícias dessa descoberta: é o que toda a caricatura é por definição, desde que certeira – ou inversamente, mas também por definição, o que nenhum retrato da realidade pode ser.


  8. A uma caricatura só se pode opor outra caricatura – como aquela sua dos “delírios oitocentistas”. Tudo o que dizemos ou pensamos é redutor; o respeito pela realidade pode ser maximizado, mas nunca é absoluto. Se estamos “as on a darkling plain / Where ignorant armies clash by night”, qualquer luzinha reduzida, mesmo a duma caricatura, é bem vinda.

    • Meio Vazio said,

      É sim senhor, ainda que, bastas vezes, como no caso supra, a subtileza do caricaturista se esgote no traço.

      Sinceros cumprimentos e boas férias.


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