APEDE


Nota prévia sobre a avaliação dos professores

Posted in ADD por APEDE em 18/08/2011

O professor é assíduo e pontual, tanto em relação às aulas como em relação às reuniões para as quais é convocado (ou que combina informalmente com os colegas)?

O professor cumpre o programa e as planificações acordadas no seio do seu grupo disciplinar, conforme se pode constatar a partir dos sumários das suas lições?

O professor avalia os alunos através de testes ou de trabalhos que reflectem os conteúdos programáticos e as planificações estabelecidas?

O professor entrega, atempadamente, as classificações aos directores de turma de modo a que estes não tenham de andar a correr atrás dele sempre que precisam de preparar as reuniões de avaliação?

O professor fornece ao coordenador do seu departamento – ou ao seu delegado de grupo – os testes e materiais que utiliza nas aulas?

O professor colabora com os colegas do seu departamento ou grupo nas planificações e na elaboração de materiais ou de testes, sempre que haja condições para esse trabalho de intercâmbio, e não está simplesmente encostado aos colegas, à espera de que sejam eles a fazer tudo para depois abocanhar o trabalho dos outros?

Não há discrepâncias demasiado gritantes entre as classificações que o professor atribuiu aos alunos no decurso dos três períodos?

Não há discrepâncias, demasiado óbvias e gerais, entre o aproveitamento obtido pelas turmas a que o professor lecciona e o aproveitamento alcançado em anos anteriores?

Não há casos, conhecidos e escancarados, de incompetência do professor em matéria de controlo da disciplina em sala de aula?

Então qual é o problema de, com base nestes indicadores acessíveis a qualquer coordenador de departamento, atribuir a classificação de Bom a um professor sem ser, para isso, necessário recorrer a porta-folhas, a “instrumentos de registo” e a outras papeladas identicamente idiotas?

Não é isto lógico, simples e linear, dispensando toda a tralha da definição de objectivos individuais – agora rebaptizados como «Projecto docente» – ou a treta da «auto-avaliação»? Isto é tão fácil que até poderia ser feito anualmente!

Quem preenchesse as exigências inerentes a estes indicadores – que não precisariam de ser (por amor da santa!) desdobrados em micro-objectivos – teria imediatamente assegurada a classificação de Bom. Quem mostrasse estar clamorosamente aquém do exigido teria classificação de Regular ou de Insuficiente. E quem quisesse aceder às classificações de Muito Bom ou Excelente teria de mostrar algo mais do seu trabalho – e que poderia passar, sim, por aulas assistidas, mas não previamente cozinhadas entre avaliador e avaliado.

Por que raio é que tudo isto há-de estar previamente inquinado pela pedadogice parva que insiste em contaminar tudo o que releva da avaliação dos professores (e dos alunos)?

2 Respostas to 'Nota prévia sobre a avaliação dos professores'

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  1. roma maria said,

    Concordo com tudinho.

  2. Zé Manel said,

    Já o dissemos e insistimos. A famigerada ADD (com este ou outros disfarces) não só nada trouxe de positivo ao funcionamento do sistema, como veio criar inúmeros e graves problemas novos de difícil solução. Mas olhemos agora com algum distanciamento. Imaginemos uma qq organização(não necessáriamente uma escola) a trabalhar em pleno.Então um alto responsável decide implementar um complicadíssimo sistema avaliativo com mecanismos que o tornam obrigatório. A dita organização é compelida a alocar boa quantidade de recursos (humanos, materiais, tecnológicos, disponibilidades e outros) à concretização desse desígnio, mesmo sabendo que isso é feito em claro detrimento das suas funções primordiais e que constituem a razão principal da sua existência. O resultado só pode ser a queda continuada da performance da referida organização. Perante os sucessivos sinais de alarme, os responsáveis optam por lubrificar as rodas ou a suspensão, em vez de reparar ou substituir de vez o motor gripado. E depois admiram-se que o carro ande tão mal. Claro que vai continuar a andar ainda pior.E todos ficam a vê-los passar! É o país- que- temos.
    E depois ainda temos as quotas, esse absurdo exterior que vem cilindrar completamente qualquer resquício de credibilidade que a dita avaliação ainda pudesse conter. Ah! És muito bom? Fizeste um excelente trabalho? Estafaste-te a preparar boas aulas? Lindo mesmo! Mas como não cabes nos plafonds, vais engrossar o rebanho da “normalidade” geral. Para a próxima pode ser que te calhe qualquer coisita.
    É que não me entra na cabeça como é possível gastar tanto tempo com critérios, domínios e outros, insistir em tamanhas minudências para depois vir uma restrição cega exterior e mandar tudo às urtigas. Se era para desfazer, para que é que se fez?????


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