APEDE


Temos mesmo de falar disto? (Parte 2)

Posted in (Des)avaliação por APEDE em 18/08/2011

Vários comentadores da blogosfera docente têm posto o dedo numa ferida fundamental, que vicia o novo (ou qualquer outro) modelo de ADD: o facto de a avaliação dos professores se dar no quadro de uma administração escolar autocrática e tendencialmente despótica.

Na verdade, o modelo agora proposto inscreve-se nos mecanismos de distribuição altamente desigual de poder no interior das escolas. Desde logo, o Director aparece (de novo) a concentrar o essencial das decisões em matéria de avaliação dos docentes, incluindo o que toca ao desempenho dos avaliadores, coordenadores e membros dos órgãos de gestão – o que significa que alguns dos «isentos» de avaliação (assunto a que regressaremos, claro!) serão avaliados pelo senhor Director sempre que exercerem cargos. Vai ser giro ver muitos dos «isentos» a fugirem desses cargos como o diabo da cruz! [Nota (completamente irrelevante) à margem: é um bocado esquisito que a referência à avaliação dos detentores de cargos surja no artigo 4.º, relativo às dimensões da avaliação, quando releva do artigo 10.º, respeitante às competências do Director, mas enfim…]

É verdade que este projecto de ADD introduz, no contexto das relações de poder entre os órgãos de gestão escolar, uns mui liberais “checks and balances”, quando concede ao Presidente do Conselho Geral a função de última reserva em caso de recurso interposto pelo professor avaliado. Sabendo nós que nalgumas escolas existem guerrilhas internas entre o Conselho Geral e a Direcção, vai ser igualmente divertido assistir às previsíveis refregas que esta atribuição vai alimentar…

Quanto às competências do Conselho Pedagógico e da sua Secção de Avaliação (note-se a tendência do novo documento para mudar os nomes a moscas já existentes), falta-nos francamente a pachorra para as analisar em detalhe. Limitamo-nos a constatar que elas complicam o que deveria ser simples e que reforçam a tendência orgástica de alguns pobres de espírito, a quem a lei confere poder nos estabelecimentos de ensino, para se desdobrarem na tal papelada inútil e na bizantinice conceptual que sempre encontra poiso em«parâmetros», «documentos de registo» e outras vacuidades pomposas.

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