APEDE


Ainda as colocações nas TEIP: actualização da história da Rita e da Sara… e outros escândalos!

Posted in Concursos,Contratados e Precariedade,Escolas TEIP,Injustiças por APEDE em 31/08/2011

No post anterior relatámos a história da Rita e da Sara, colegas do mesmo grupo de recrutamento, posicionadas na lista de graduação com cerca de mil lugares de diferença. Vamos então actualizar a situação face aos resultados dos concursos conhecidos hoje. Tal como tinhamos previsto, as férias da Sara foram descansadas, não passou pelo stress e pela angústia desta manhã e início de tarde, não teve de fazer as malas, não precisou de ir à secretaria solicitar a declaração para o Centro de Emprego. Ela já sabia que iria correr tudo bem. E correu. Acabou de aceitar a renovação do seu contrato na escola TEIP onde leccionava. Naturalmente, trata-se de um horário COMPLETO. São 22 horas e a garantia de continuidade nos próximos anos, se nada se alterar e este escândalo se mantiver.

E a Rita? A Rita já sabia que não iria renovar o seu contrato na escola onde leccionara em 2010/11. E não renovou. Acabou colocada noutra escola, mais distante, com um horário de 18 horas. Vai perder tempo de serviço, remuneração e não poderá renovar contrato.

Recorde-se: a Sara lecciona há 2 anos e uns meses. A Rita lecciona há 11 anos. A Sara está atrás da Rita cerca de 1000 lugares na lista de graduação! Repetimos: Mil lugares!!! Mais palavras para quê??!

Vamos deixar a triste história da Rita e da afortunada Sara (ambas classificadas com Excelente, note-se) e passemos a outros escândalos.

Como todos sabem, neste concurso, os horários completos para contratados não abundaram. Com excepção das TEIP. Aí a vida continuou a sorrir para muitos colegas, através dos tais critérios “feitos à medida”. Vamos a casos concretos, pois as situações têm mais força quando se referem casos concretos, sem com isto pretendermos fazer qualquer “caça às bruxas”, repetindo que não são os colegas que estão em causa, nem a qualidade do seu desempenho profissional mas sim os critérios de selecção e o erro crasso do ME em ter impedido os contratados de concorrerem para as TEIP, em devido tempo (2009). Voltando às situações concretas, importa referir também que as listas de colocação são públicas, qualquer professor as pode analisar. Foi só isso que fizemos. E não precisamos de procurar muito para termos a confirmação plena do que referimos no post anterior.

Vejamos o caso do grupo 520 (apenas como exemplo do que se passou, certamente, em muito dos restantes grupos): o último horário completo foi atribuído ao candidato com o número de ordem 551 (e é preciso frisar que muitos colegas colocados com número de ordem inferior, ou seja, com melhor graduação, não tiveram horário completo). No entanto, diversos candidatos com números de ordem superior a 1200, e até 1500 ou, pasme-se, cerca do 1700, que NÃO foram colocados neste concurso, acabaram de aceitar, com toda a tranquilidade, horários COMPLETOS (22 horas) nas escolas TEIP onde leccionaram em 2010/11. Mais palavras para quê??!

 Absolutamente inaceitável! Voltamos a frisar que não está em causa a qualidade do desempenho destes colegas, mas não podemos nem jamais admitiremos que os outros, posicionados muito, mas mesmo muito, acima na lista graduada (e com bastante mais tempo de serviço) não sejam também bons professores e, acima de tudo, fiquem impedidos de concorrer em condições de maior igualdade com os colegas agora “automaticamente” reconduzidos por critérios absolutamente blindados.

Fica ainda mais um pormenor tristemente caricato quanto aos resultados deste concurso: nas colocações do referido grupo de recrutamento, alguns colegas posicionados no topo da lista (entre os 20 primeiros), provavelmente preocupados com as notícias que apontavam para uma verdadeira hecatombe e um alastrar do desemprego docente (facto que, infelizmente, se confirmou em grande medida),  concorreram também a horários do intervalo 3 (12 a 17 horas). Deste modo, acabaram colocados (provavelmente na zona que desejavam, admitimos) mas com horários de 17 e 12 horas. Nas TEIP, 1600 lugares depois… os horários são todos completos, com 22 horas. Há aqui qualquer coisa que não bate certo. Definitivamente! É fundamental, é urgente, que esta situação seja corrigida e alterada, e faz todo o sentido exigir que, num próximo concurso para TEIP, todos os professores possam concorrer com respeito pela sua graduação profissional. E até admitimos que, a partir dessa hipótese dada a todos, no que seria um ano zero, os critérios de desempate, nos anos seguintes, possam privilegiar quem pretenda continuar e tenha tido um bom desempenho.

16 Respostas to 'Ainda as colocações nas TEIP: actualização da história da Rita e da Sara… e outros escândalos!'

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  1. susana said,

    comigo aconteceu o mesmo mas com uma agravante…fiquei no desemprego …quem ficou com o “meu lugar” foi uma pessoa com menos graduação e tempo de serviço.

  2. Ana said,

    Colegas isto está mesmo acontecer, tem que existir uma rectificação temos que reclamar por escrito ao Professor Nuno Crato e colocar aos sindicatos, comunicação social é uma situação urgente para resolver como é que uma prof com 400 dias de serviço fica colocada num horário completo?


  3. Aí está mais um caso… que dispensa comentários.

  4. Zé Manel said,

    A catástrofe das colocações (46ooo não colocados) é o maior desastre que jamais se abateu sobre a classe docente. E perante este panorama, algumas organizações de base convocam uma manif para o dia 10/Set., exprimido assim o legítimo protesto e a tentativa de encontrar soluções. Claramente ultrapassado pelos acontecimentos e sumamente interessado em não se misturar com a ralé, o maior sindicato de professores convoca OUTRA manif para dia 16, tentando mais um vez esvaziar as iniciativas alheias. Isto mostra bem como as práticas estalinistas continuam bem vivas nas cabecinhas destes dirigentes que teimam em nada aprender com os sucessivos fracassos onde se envolvem. Palavras para quê??? É o sindicalismo-que-temos no seu melhor.

  5. Mário Sousa said,

    E qual é o problema? O problema é que os muitos que não ficaram colocados este ano, devido aos cortes na educação, eram os mesmos que não se candidatavam à oferta de escola para as Teip com a certeza de colocação e com o receio de dar aulas aos marginais das periferias. Mas que afinal hoje até se predispunham para ir trabalhar para o Kosovo. E vai daí “tá a reclamar com esses colegas oportunistas que nos andam a roubar trabalho e os mil e tal euros das 22 horas de horário completo”. Os mesmos colegas, que nos últimos 3 anos e ao arrepio das dificuldades do sistema tem feito um trabalho meritório que deve ser validado pela continuidade contratual dos moldes actuais com o argumento válido da “continuidade pedagógica”. Argumento esse que dou total aval para a decisão final dos diretores dos agrupamentos que tem a obrigação de manter e ter à sua disposição no inicio do ano escolar. Para evitar que situações como as que ocorreram há três anos atrás em que várias escolas do país tinham dezenas de vagas por ocupar com o risco de não começar o ano letivo. Nessa altura pouco se ouviu ou leu dos sindicatos e associações mais interessadas nas quotizações ou interesses partidários. E no entanto, e na péssima situação em que a classe profissional se encontra, onde milhares de professores não ficaram colocados, a vossa preocupação são os outros, que vitimas de um sistema anti-meritório onde se valoriza a antiguidade e o laxismo, aproveitaram a possibilidade de fazer aquilo que amam e para qual estudaram! Mas com isto tudo e com aquele toque habitual do sindicalismo português, onde acima de tudo, importa manter a pose e os interesses dos acomodados, vocês iniciaram a divisão da classe e provavelmente o fim de uma “profissão” que deveria ser una e de nucleo forte, com uma Ordem defensora dos interesses de todos e não de alguns, aqueles que habitualmente tem os destacamentos habituais e que anda a gozar com quem trabalha.


  6. Mário Sousa,

    O seu discurso não colhe, nem tem qualquer base de justificação séria e sólida. É apenas um conjunto de insinuações e revela um natural incómodo, provavelmente devido ao facto de defendermos alterações no “status quo” que talvez lhe seja favorável. Acreditamos que sim. Percebemos bem o incómodo, mas não duvide que continuaremos a defender o que consideramos justo. Como pode aliás comprovar pela notícia, de hoje, do jornal I:

    http://www.ionline.pt/conteudo/147600-concursos-nas-escolas-risco-num-jogo-viciado-ganham-sempre-os-mesmos-professores

    Além do mais, não deve ter lido com atenção o que escrevemos. A questão fundamental é esta: os colegas contratados que em 2008/09 estavam colocados em escolas que eram TEIP, ou que vieram a ser TEIP, foram IMPEDIDOS de concorrer a essas escolas pelo ME. O erro está aí. A injustiça é essa. E como não puderam concorrer, essas “vagas” foram ocupados por colegas que em muitos casos tinham apenas MESES, repita-se, MESES de serviço. Colegas que agora são “reconduzidos” por critérios feitos à medida. O ME considerou que, em 2009, os colegas dos quadros iriam preencher todos os horários nesse concurso para as TEIP. Enganou-se. Devia ter aberto o concurso também para os contratados. Que sairam altamente prejudicados por não poderem concorrer nesse concurso. Isto é um facto! Inegável e indesmentível! E ninguém pode demonstrar que não pretendiam concorrer. Conhecemos aliás diversos casos de professores que gostariam de ter dado continuidade ao seu trabalho e foram impedidos pelo ME de concorrer. Não há aqui uma injustiça? Pensamos que sim!

    Não está, nem nunca esteve em causa a qualidade, o mérito e o empenho dos colegas que ficaram colocados nas TEIP. O problema é que os contratados com mais anos de serviço, e que já sofreram anos e anos de incerteza e instabilidade profissional, deram e continuam a dar provas da sua qualidade, mérito e empenho, no mínimo ao nível das dos seus colegas mais novos, pelo que não aceitamos que sejam considerados uns verdadeiros “malandros” como o seu comentário insinua. Esses colegas deveriam ser merecedores do seu respeito. A APEDE respeita todos os colegas. Na APEDE somos todos professores. Professores no activo e alguns deles bem por dentro da realidade TEIP. É por isso mesmo que a APEDE critica as decisões erradas do ME, que abriram o caminho para profundas e graves injustiças. E a APEDE não deixa também de apontar que os actuais critérios de selecção para as TEIP poderão constituir uma “arma política” de controlo, e de exercício de poder e intimidação, sobre os professores, por parte de quem tem o poder absoluto de os afastar ou re-contratar. Situação que repudiamos e que, sempre que exista, tem de ser denunciada e escrutinada. Os senhores directores não podem considerar-se “donos” das escolas. Não contem connosco para silenciar o que se vai passando nas TEIP (e não só, como é óbvio), mesmo reconhecendo que há excepções e boas excepções.

    Relativamente às acusações torpes que profere sobre quotizações e interesses partidários, nem adianta responder. Nós somos apenas professores, não temos outros interesses ocultos. Ponto final.


  7. Já agora caro Mário Sousa, vamos só reler o que escreve no início do seu texto: “O problema é que os muitos que não ficaram colocados este ano, devido aos cortes na educação, eram os mesmos que não se candidatavam à oferta de escola para as Teip com a certeza de colocação e com o receio de dar aulas aos marginais das periferias.”

    Grossa mentira. Podemos provar-lhe o contrário. A “Rita” do nosso texto sempre concorreu para TEIP. Como muitos outros colegas contratados. A “Rita”, como muitos outros colegas contratados, já leccionou em escolas muito problemáticas, e até em escolas que hoje são TEIP.

    Mas já agora responda-me: se soubesse de antemão que os critérios de selecção o excluiam liminarmente de qualquer hipótese de ser admitido (exactamente o que acontece nas TEIP para os que nelas não leccionam) iria concorrer? Claro que essa situação nem lhe ocorre… e porquê? Porque muito provavelmente não está na pele dos que ficam de fora. Compreendemos.

    E, no fundo, agradecemos muito o seu comentário, que nos dá força para insistirmos nesta questão. Sabemos bem que as injustiças são reais, continuam a repetir-se, ano após ano, e não aceitaremos qualquer tentativa de “branqueamento” deste problema.

  8. jp said,

    «É fundamental, é urgente, que esta situação seja corrigida e alterada, e faz todo o sentido exigir que, num próximo concurso para TEIP, todos os professores possam concorrer com respeito pela sua graduação profissional.»

    Os colegas v ão-me desculpar, mas desde quando a graduação profissional se tornou garantia de justiça nas colocações? Terminei o meu curso de Matemática há quase uma década na Universidade de Coimbra com média de 14, vi muitos colegas que em 3 ou 4 anos de frequência no mesmo curso foram incapazes de fazer mais do um par de cadeiras, colegas que se transferiram posteriormente para instituições privadas terminado os cursos, em alguns casos, com média de 17… Hoje ocupam lugares na lista superiores aos meu e nunca precisaram concorrer agrupamentos a mais de 500 km de casa (como eu fiz; como eu faço, apesar de já ser pai). Existem (existiam?) cursos de Matemática que subsistiam à custa da transferência de alunos do último ano de instituições públicas desejosos de aceder a um sistema mais vantajoso de cálculo de média; a amplitude de «modelos de negócio» era,aliás, tão ampla que incluía até cursos de Matemática cujo acesso podia ser feito através do exame de Português…
    Discordo, portanto do Ricardo Silva quando diz,
    [a graduação profissional]«”É um critério uniforme, usado para todos os professores que concorrem ao concurso nacional”
    Isto é FALSO!!!
    Para deixar de o ser vejo apenas uma maneira: (e este é um problema MUITO mais importante que a questão das TEIP já que envolve o acesso a um volume mais amplo de horários) uma prova de acesso IGUAL para todos… Isto sim é uniformizar critérios, isto sim é garantir «igualdade de circunstâncias», isto sim são justas «alterações ao status quo»; agora isto é também uma medida com que a APEDE não concorda…
    Afinal, estão ou não preocupados com as iniquidades que «continuam a repetir-se, ano após ano»? As conversas sobre as injustiças das TEIP, reconduções, etc., não faz portanto qualquer sentido enquanto a alternativa for a lista graduada, lamento…

    Grato pela atenção


  9. Caro jp,

    A questão que coloca é muitíssimo pertinente e é importante ser encarada de frente. A responsabilidade é do ME que devia ser muito mais vigilante e exigente relativamente às universidades privadas. Não fugimos a essa discussão. A APEDE é contra a aplicação de uma prova de ingresso aos professores que já concluiram os seus estágios e que por via dissso obtiveram qualificação e habilitação para a docência, respeitando as normas que lhes exigiram. Se a formação de professores precisa de ser reformulada e ter regras mais exigentes? Parece-nos óbvio. E não discordamos da existência de uma prova de ingresso, ou de acesso, seja lá como se queira chamar, desde que seja aplicada no final do estágio pedagógico, devidamente integrada no processo de formação e conhecida, desde o início, por todos os candidatos. O ME não pode é ser o responsável pela certificação dos cursos e depois vir aplicar uma prova de ingresso a quem já lecciona há vários anos, desautorizando e descredibilizando todas as instituições de ensino superior e a qualidade do serviço que prestam.

    Quanto ao critério da graduação profissional, ele poderá comportar algumas injustiças, como as que refere (embora não me parece muito aceitável a generalização que faz no seu comentário), mas é de longe muito mais justo e muito mais correcto em comparação com o que vamos assistindo nas TEIP. Quando refere que o problema das TEIP é um problema menos relevante, ou de menor importãncia, lamentamos, mas temos opinião diferente. De qualquer modo, o comentário e a questão que coloca vem trazer uma achega ao debate e isso é sempre salutar.

    Abraço

  10. jp said,

    Em primeiro lugar agradeço a disponibilidade para me responder, espero que não leve a mal mais algumas achegas:

    «(embora não me parece muito aceitável a generalização que faz no seu comentário)»
    No caso do grupo 500 não me parece que seja o caso… Eventualmente, em grupos como o 510 ou 520, cujos custos com laboratórios tornam a formação pouco apetecível a privados, a questão será diferente.
    «O ME não pode é ser o responsável pela certificação dos cursos e depois vir aplicar uma prova de ingresso a quem já lecciona há vários anos, desautorizando e descredibilizando todas as instituições de ensino superior e a qualidade do serviço que prestam.»
    Repare, são muitas as ofertas de emprego público que incluem uma prova de conhecimentos prévia, não encontro razões para o ensino ser diferente; além disso existem instituições cuja qualidade não é credibilizada por qualquer contratador excepto o Estado: é normal um licenciado em engenharia do Técnico com média de 13 ter mais hipóteses de arranjar emprego que um licenciado de uma Universidade Independente com média de 16, por exemplo, ninguém acha isso injus: é evidente que poderão existir preconceitos injustificados, daí a minha defesa do exame,: todos poderão mostrar o seu valor em igualdade de circunstâncias… E de qualquer forma, parece-me estar a confundir duas coisas, o reconhecimento do curso, que ninguém contesta e que poderá ser utilizado em outras ofertas de emprego (ensino privado, explicações, etc.), e o recrutamento de professores para o ME (existe, neste caso, uma coincidência da instituição que produz os dois actos mas é só isso) …

    « A APEDE é contra a aplicação de uma prova de ingresso aos professores que já concluiram os seus estágios e que por via disso obtiveram qualificação e habilitação para a docência, respeitando as normas que lhes exigiram.»
    Este é o argumento mais comum contra a prova, mas na minha opinião sofre um desvio na perspectiva. Considera que existe apenas um prejuízo para professor; e os alunos? Um professor mal preparado vai ter nas suas mãos milhares de alunos (ao longo de toda a carreira), que poderão ver algumas perspectivas de vida coarctadas mas o Estado nada deve fazer já que em tempos idos algum secretário de Estado conivente certificou a qualidade* daquele curso? E os outros colegas que são preteridos para dar lugar a este também devem ser perpetuamente prejudicados por isso?
    E mantenho que enquanto este problema não for resolvido, no meu grupo pelo menos, toda esta questão da TEIP, apresentando a lista graduada como alternativa, não faz sentido…Aliás tendo quase a preferir a contratação directa pela escola : a minha primeira colocação no ensino público foi em oferta escola de um agrupamento que pedia experiência com adultos (que tinha devido a algum serviço no IEFP, cujo retorno financeiro nem pagava a gasolina), se fosse só a lista graduada não tinha ficado colocado … Sem esse tempo de serviço não sei se continuaria a ser professor

    Cumprimentos

    *Muitas vezes o problema nem é tanto a qualidade é a disparidade de notas; ora a certificação incidiu sobre o primeiro ponto não o segundo…


  11. Caro jp,

    Creio que terá percebido que, por princípio, não somos contra uma prova de ingresso/acesso à profissão. Discordarmos é que ela seja aplicada depois de concluída a certificação (e houve vários ministros e secretários de estado a certificar cursos, não foi apenas um ou outro). A existir deverá fazer parte do processo de formação e surgir no seu final, antes do candidato a professor iniciar a sua carreira. Haverá naturalmente outras perspectivas, esta é a nossa. Provavelmente mais correcta do que outras ideias que por aí grassaram e que apontavam para a aplicação da prova de ingresso aos professores com menos de 5 anos de serviço. Porquê 5, e não 4 ou 6, ou no final do período probatório? É um tema que daria pano para mangas, mas a nossa posição é conhecida e tem sido coerente. Deixe-me dizer-lhe ainda que não subscrevo a sua generalização quando escreve que os professores, ao não serem sujeitos a essa prova estão ou irão prejudicar milhares de alunos ao longo da sua carreira e que a prova seria “remédio santo”. Não subscrevo essa posição catastrofista e negativista em relação à qualidade do desempenho da esmagadora maioria dos docentes, incluindo aqui os colegas formados em instituições privadas. Não tenho dados suficientes e concludentes para levantar o dedo acusatório. E não o faria porque, repito, não se devem generalizar estas questões. E já agora aproveito ainda para contra-argumentar: do meu ponto de vista a maioria dos problemas que se detectam na classe docente não têm a ver, de modo geral, com impreparação cientifica, mas muito mais com questões de índole pedagógico-didáctica e problemas ao nível da relação pedagógica. Não será certamente uma qualquer prova de acesso que irá resolver esse problema. Finalmente, insisto: mesmo tendo feito o meu curso e estágio numa Universidade pública, nomeadamente a FLUL, não posso apontar o dedo, de forma generalizada, às instituições privadas. As generalizações são sempre perigosas. Não vou por aí. Seja como for, o debate é isto mesmo e agradeço todo o contraditório.

    Abraço


  12. Caro Filipe,

    O post já está devidamente publicado. Obrigado pelo aviso.

    Abraço

  13. jp said,

    «Finalmente, insisto: mesmo tendo feito o meu curso e estágio numa Universidade pública, nomeadamente a FLUL, não posso apontar o dedo, de forma generalizada, às instituições privadas. As generalizações são sempre perigosas. »

    O sistema de lista graduada, com que parece concordar, é que generaliza a máxima « os professores formados no ensino privado são melhores que o do público» já que, pelo menos antes de Bolonha, colocava a esmagadora maioria dos primeiros à frente da esmagadora maioria dos restantes candidatos… Repare, precisamente para evitar generalizações eu propus a elaboração de um exame em que todos concorrem em igualdade de circunstâncias…

    Aliás, tenho alguma dificuldade em entender a sua resposta já que se baseia num suposto ataque ao ensino superior privado que me parece não ter sido feito (sobretudo neste último comentário, onde até falei em preconceitos injustificados e formas de os ultrapassar) , ignorando, por outro lado, a generalidade dos meus argumentos ( em relação, aos prejuízos sobre os alunos, falei em professores mal preparados, não afirmei que eram necessariamente formados em universidades privadas) . Respondeu ao que eu não disse e passou ao lado do que disse…
    Enfim , o Ricardo acha que qualquer estudante do ensino superior que termine o curso com média superior à minha é cientificamente mais capaz do que eu, independentemente da instituição frequentada. Acha que os meus colegas que se transferiram da minha Universidade merecem estar próximos de casa, enquanto eu, que poderia ter dificuldades em pagar as propinas desses cursos, devo ficar a centenas de Km da minha família. É isso certo? Já que nada mais está em causa (eu nem estou a dizer que isso é injusto mas acho que o exame era a única forma séria de o aferir)…
    De qualquer forma, agradeço toda o tempo que dispensou para me aturar… Não o chateio mais
    Abraço


  14. Caro jp,

    Não me chateia nada. Aprecio o debate e o contraditório.

    Eu não considero que os seus colegas que deixaram a pública para a privada, terminando com melhor média, sejam cientificamente mais capazes. Não os conheço e, como disse, não gosto de generalizar. Haverá casos e casos. Por outro lado, se formos seguir o seu racíocinio então se calhar poderíamos perguntar-nos se não haveria também diferenças entre as públicas. Longa discussão essa. E algo estéril também. Mas lembro-me, por exemplo, de quem tenha cursado LLM na UNL em detrimento da FLUL para “fugir” ao Latim e reconheça maior exigência nas avaliações, nesse curso, à época, na Clássica. Mas não vou por aí, nem quero alimentar polémicas desse tipo.

    Defendo a lista graduada e os concursos nacionais porque adivinho facilmente o que aconteceria em caso contrário (vidé caso das TEIP). Não defendo uma prova de ingresso (ainda por cima com carácter eliminatório) a quem já ingressou e foi dando provas de empenho, qualidade e dedicação. Alguns ultrapassaram outros porque beneficiaram de terem estado em Faculdades mais “permissivas”? Não sei se é a regra, não gosto de generalizações, e duvido muito que uma prova de ingresso não viesse ainda introduzir mais injustiças. Irreparáveis.

    Abraço

  15. jp said,

    «Haverá casos e casos. Por outro lado, se formos seguir o seu racíocinio então se calhar poderíamos perguntar-nos se não haveria também diferenças entre as públicas. »

    Claro que sim!

    Daí eu defender… :):):):)


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