APEDE


Corolário triste

Posted in Congelados e à espera de melhores dias por APEDE em 13/09/2011

Em jeito de conclusão do “post” anterior:

Quando os partidos políticos do “centrão-direitão” (PS, PSD, CDS-PP) dobram a cerviz à ideologia dominante do momento e ao poder do dinheiro, subservientes em relação às políticas suicidas de quem manda na União Europeia, e sem um pingo de imaginação e de autonomia intelectual para contrariarem o descalabro económico-financeiro em que Portugal caiu,

quando os partidos de esquerda (PCP e BE) se limitam a tiros de pólvora seca numa Assembleia da República orientada para os tornar periféricos e irrelevantes,

quando os sindicatos, associados às agendas de sobrevivência política destes últimos partidos, pouco mais fazem do que reciclar encenações de pseudo-luta para entreter o pagode, aceitando a completa impotência ao nível da intervenção nos locais de trabalho,

quando os cidadãos, dotados de maior generosidade e empenho, confundem o onanismo blogosférico e as “redes sociais” virtuais com espaços de efectiva mobilização política,

quando esses mesmos cidadãos julgam que da «acampada» do Rossio vai brotar um Maio de 68 em versão “tuga” século XXI,

quando a grande maioria dos “tugas” se comporta como se não percebesse o que lhe vai cair em cima, continuando a achar que não existe alternativa aos partidos do “centrão-direitão”,

quando um país inteiro adopta a passividade e o fatalismo como normas de comportamento,

resta-nos, no fim da estrada, uma conclusão tristonha:

Qualquer transformação que, em Portugal, inverta o caminho para o abismo em que nos lançámos (ou em que nos lançaram, com o consentimento da nossa apatia), só pode vir de fora.

Conformados com as dependências em que nos deixámos manietar dentro da “arquitectura” europeia, com governantes que optam por não ter voz própria no concerto europeu, estamos vinculados ao que possa suceder na (e à) Grécia, na (e à) Espanha, na (e à) Itália, na (e à) Alemanha. Se for uma enxurrada, iremos com ela; se for uma catástrofe, afogamo-nos nela; se for uma libertação, dela colheremos os frutos.

Mas nada, nada de nadinha, será por iniciativa ou por mérito nosso. 

3 Respostas to 'Corolário triste'

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  1. Leitor said,

    Quanto pessimismo!
    Se já nem os movimentos constituem uma possibilidade, ainda que ténue, de mudar o estado das coisas, resta-nos emigrar para transformar a situação a partir de fora.
    A dúvida é: para onde?

  2. Zé Manel said,

    O grande Eça dizia que nada regenera uma nação (como Portugal) senão uma boa tareia….Já naquele tempo ele tinha percebido.
    Seja como for há sempre quem resista, há sempre quem diga NÃO e isso já é meio caminho…Cruzar os braços é que não pode ser uma opção….parece-me….

  3. prof. said,

    Desculpem aproveitar este espaço mas deixo aqui link para uma petição sobre a questão da obrigatoriedade de observação de aulas a colegas com mais de 16 anos de serviço.

    http://www.peticaopublica.com/PeticaoAssinar.aspx?pi=

    Se assim entenderem, assinem e divulguem s.f.f.


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