APEDE


A propósito de um capitalismo estúpido e louco

Posted in Gostávamos de escrever assim por APEDE em 14/10/2011

Há antropólogos que pensam muito bem. O Paulo Granjo, que é antropólogo, escreveu aqui um texto que deveria ser lido, muito devagarinho, por cada um de nós e pelos “leitores” que abundam por aí. Aprende-se muito a ler coisas inteligentes.

Basicamente, Paulo Granjo defende uma tese que temos subscrito por aqui: o regresso às condições sociais do século XIX, agora ensaiado pelos turiferários do liberalismo à solta, é insustentável até do ponto de vista dos interesses do grande capital.

Pois uma das coisas de que os arautos do capitalismo se gabavam é que Karl Marx se tinha enganado quando previu que o fosso crescente entre uma minoria de privilegiados e uma massa de explorados ia acender, nestes últimos, uma revolta social tão maciça que acabaria por levar ao derrube da ordem social vigente e à instauração do socialismo.

Apetece perguntar aos jovens turcos do neoliberalismo actual: mas é isso que querem?

Só que, infelizmente, as coisas não são assim tão simples. Neste momento, nada indica que nos estejamos a encaminhar para uma tragédia social que confirme, muito a posteriori, as previsões do velho barbudo. O que não quer dizer, obviamente, que não nos estejamos a encaminhar, de facto, para uma tragédia social. Estamos e a passos mais largos do que se poderia prever. Só que, no fim da linha, não estará necessariamente uma saída feliz.

Conforme o texto de Paulo Granjo sugere, as alternativas ao sistema em vigor não estão perfiladas, como no tempo de Marx ou de Lénine, na promessa dos «amanhãs que cantam». Esses «amanhãs» já foram. Morreram na loucura criminosa dos Gulags, no colapso miserável da antiga União Soviética e dos seus satélites, na China da falsa «revolução cultural», agora convertida às “delícias” do capitalismo selvagem (sim, os chineses já sabem o que é o «regresso ao século XIX» em pleno século XXI).

Por isso, ó malta mais extremista do 5 Dias – blog no qual Paulo Granjo vai tentando pôr bom senso -, a revolução socialista não está aí ao virar da esquina. E não é por partirem umas montras em manifestações de rua que ela acontecerá.

Antes disso, ainda têm de construir uma ideia de sociedade socialista que não se confunda com os experimentalismos falhados de um passado do qual a esquerda pouco tem para se orgulhar.

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