APEDE


Depois do que passou

Posted in De olhos bem abertos por APEDE em 17/10/2011

Decorridas que foram as manifestações do 15 de Outubro, o mínimo (ou o máximo?) que podemos dizer é que tudo o que referimos no “post” anterior mantém-se intacto e pertinente. Isto apesar dos entusiastas do costume andarem perdidos em euforias pueris.

Quando vemos que tudo o que dali saiu é… mais uma manifestação e, porventura, uma greve geral de um dia (com os resultados “admiráveis” de todas as anteriores greves gerais de um dia), é caso para dizer que o rotineirismo e a navegação de cabotagem tomaram, definitivamente, conta das perspectivas de “luta”.

Tudo mudou, tudo está a mudar, as questões e os desafios que se colocam são radicalmente outros. As “respostas”, porém, permanecem as mesmas…

3 Respostas to 'Depois do que passou'

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  1. Zé Manel said,

    Amigo Mário
    Andas a ficar muito derrotista e isso não é bom. Repara que este foi um protesto à escala glogal (mais de 900 cidades em todo o mundo) e apenas isso já é uma enorme victoria, estando longe de ser uma resposta costumeira. Entre nós já foi ultrapassada a fase do protesto pelo protesto ( outro passo em frente) com a consciência de que é indispensável partir para outros patamares como sejam acções no dia de aprovação do OE, entre outras. O que não se alterou foi o sectarismo estalinista da esquerda institucionalizada que procurou esvaziar e contornar o 15 de Out, com acções antes e depois daquela data. Mesmo quando o mundo todo estava junto, esses senhores permanecem virados para o seu umbigo. Nunca vão aprender nada, coitados!!!

    • Mário Machaqueiro said,

      Derrotista ou realista, meu caro? As manifestações só fazem sentido se estiverem inscritas noutras formas de luta, que passam necessariamente pelos locais de trabalho e que não se podem confinar a greves gerais de um dia. Vê o caso da Grécia: todas as manifestações que fizeram até agora, algumas delas violentas, com umas tantas greves gerais desgarradas, serviram para quê? Mudaram alguma coisa de substancial? Abriram alguma luz ao fundo de um túnel que parece não ter fim? Não Zé, isto não é derrotismo. É simplesmente não querer embarcar em ilusões. Tal como não me deixei embriagar com os “120 mil professores na rua”. Quando, nessa altura, a malta andava toda entusiasmada, talvez te recordes de eu ter dito: ok, e o que é que vai acontecer no “day after”? Sabemos todos agora o que aconteceu, não sabemos? A ideia de que “a rua é nossa” entusiasma-me cada vez menos. Os que estão no desemprego (que foram “parar à rua”) também podem dizer que a rua é deles…
      Dito isto, também estive na manif., porque me pareceu importante marcar presença no tal protesto internacional (e, convenhamos, seria uma vergonha que os portugueses não participassem nessa iniciativa). Mas a “nossa” manifestação pareceu-me marcada por muita inconsistência, à mistura com os oportunismos que tu denuncias e que quase sempre se intrometem nestas coisas.
      Abraço

      • Zé Manel said,

        Claro que tens razão no que toca aos oportunistas e a certa inconsciência, mas isso haverá sempre dada a enorme heterogeneidade presente. Importante mesmo foi o facto de a acção não ter sido controlada por nenhum grande líder nem orbitar na dependência de partidos ou centrais. Todas as pessoas que quiseram usaram da palavra e perceberam que a luta tem de se desenvolver e aprofundar, não se podendo limitar à manif pela manif, em total contraste com a jornada CGTP de dias antes. Todos estes aspectos e outros representam um salto qualitativo que não devemos ignorar.O facto de se ter exigido a greve geral acompanhada por manif e nova assembleia popular para decidir as acções seguintes é igualmente um degrau fundamental para pressionar os dirigentes sindicais. Claro que não é o ideal (o ideal nunca existe), mas há um evidente progresso no bom sentido, ou seja, são passos importantes no caminho certo, do mesmo modo que ficou clara a ideia de que a dívida é profundamente injusta e impagável e que temos de exigir auditoria independente a todos os contratos da mesma. Portanto a coisa está mesmo a mexer bem estimulada, claro, pelo discurso do PM sobre o orçamento.


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