APEDE


Por falar em contradições (a propósito de mais um texto sobre uma coisa muito estúpida)

Posted in Capas e batinas por APEDE em 19/10/2011

Tal como num “post” ali em baixo, também aqui chamamos a atenção para um texto que analisa, de forma contundente, o conteúdo cultural e político de uma coisa muito estúpida que dá pelo nome de «praxes» “universitárias”.

Desta vez é o Daniel Oliveira que assina o dito texto. Só que aqui há um problema. É que o autor em questão passa a vida a cantar loas ao muito que se conquistou, nestes anos de democracia, com a evolução do ensino superior. O argumento é conhecido: dantes a universidade era só para a escassa minoria dos filhos dos ricos, e agora está aberta às massas, sendo isso um enorme ganho social.

Longe de nós pôr em causa semelhante abertura e defender o ensino só para as “elites” endinheiradas. Acontece, porém, que uma certa esquerda exultou acriticamente com a democratização do acesso ao ensino, interpretando-a mais pelo lado da quantidade do que pelo da qualidade, e achando que o facto de haver agora muitos “canudos” é um grande passo em frente relativamente ao passado. Até poderá ser: ao fim e ao cabo, é razoável admitir que de toda a massa licenciada (ou “mestrada” e “doutorada”) hão-de sair algumas cabeças efectivamente pensantes, criativas e capazes de contribuir para a chamada “qualificação” do país. Mas percebe-se agora – percebe-se há algum tempo – que elas são uma ínfima minoria.

A verdade é que uma massificação do ensino que não cuidou da exigência e do mérito, e que não soube ou não quis criar instrumentos de resistência contra a cultura do consumismo estupidificante que cerca os jovens por todos os lados,  desaguou num resultado deprimente: hoje, à saída do secundário, temos fornadas de jovens imbecilizados que, ao entrarem nas universidades, se entregam alegremente a rituais que reforçam ainda mais a implosão neuronal que habita as suas cabeças.

Daniel Oliveira tem toda a razão: estudantes que aceitam praxes feitas à medida do culto da obediência cega ao cretinismo autoritário e à integração acéfala no “grupo” não podem colher do ensino superior aquilo que, por natureza, ele deveria proporcionar: cultura crítica, ousadia e criatividade intelectual, voo teórico, etc. Vão sair das universidades tão imbecis como lá entraram – e prontos para curvar a espinha perante qualquer imbecilidade que apareça falaciosamente vestida com argumentos de “autoridade” (uma “autoridade” que não souberam desmontar durante os anos que andaram a roçar o traseiro pelas cadeiras da faculdade).

O que Daniel Oliveira não pode é afirmar o que afirma e, ao mesmo tempo, achar que hoje temos uma população muito mais “qualificada” do que há uns anos atrás. Digamos que temos muita gente com o tal “canudo”. Sendo que a característica mais notória desse “canudo” é ser demasiado rijo para o fim que vocês estarão a adivinhar…

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