APEDE


A auditoria que se impõe

Posted in Cidadania por APEDE em 21/10/2011

O PCP e o BE agitaram esta ideia durante a campanha eleitoral, mas não foram suficientemente insistentes na matéria e a ideia acabou por cair.

Seria, no entanto, fundamental voltar a pegar nela, repô-la no centro do debate político e erguê-la como uma das reivindicações principais dos partidos de esquerda, dos sindicatos e dos movimentos sociais.

Referimo-nos à ideia de uma auditoria à dívida pública. Uma auditoria que teria de ser integral, rigorosa e conduzida por entidades independentes de todo o poder político institucionalizado.

E por que é que esta ideia é fundamental? Porque continuamos sem saber de que dívidas é feita a dívida pública. Continuamos sem saber que buracos se escondem no buraco das finanças do Estado. Continuamos a suspeitar que há muito mais esqueletos no armário das contas públicas, e que aqueles que se conhecem podem ter uma dimensão muito maior.

E, sobretudo, continuamos sem saber quais as dívidas legítimas e razoáveis – aquelas que é justo pagar aos credores – e quais as que correspondem a negociatas ruinosas para o país, que relevam de responsabilidade criminal e política e que não faz sentido pagar – aquelas dívidas que, na necessária renegociação da dívida global, deveriam ficar por cobrar.

O combate pela transparência no pleno acesso a toda a informação sobre a dívida pública é um combate de cidadania que todos nós deveríamos travar.

Claro está que esse combate enfrenta um obstáculo de monta: o centrão político (PS, PSD e CDS-PP) não está minimamente interessado – como já o mostrou – em ver esmiuçados e esclarecidos, na praça pública, todos os detalhes da dívida do Estado. E não está interessado porque os seus “boys” estão enterrados até às orelhas nos pormenores mais obscenos de que essa dívida é feita. Na verdade, fazer uma auditoria integral da dívida pública equivale a obter o retrato de décadas de gestão criminosa do país, gestão da qual o referido centrão se ocupou gulosamente.

Por isso, este é um combate que a esquerda e os sindicatos terão de travar sozinhos – na companhia de todos os cidadãos que quiserem e conseguirem mobilizar.

Se, para isso, tiverem vontade, engenho e arte. 

3 Respostas to 'A auditoria que se impõe'

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  1. Zé Manel said,

    Tens toda A RAZÃO como sempre. É, aliás, um sintoma de maturidade e de distanciamento relativamente aos partidos e cliques que nos governam a exigência feita na recente assembleia popuplar frente à AR precisamente dessa auditoria. O povo exige saber qual é a dívida, a quem é que se deve, entre quem foram celebrados esses contratos, quais as condições e, last but not the least, quem beneficiou com eles. Não duvidamos que, tal como no Equador, os governantes e os ministérios tudo farão para ocultar e sonegar as informações. Os gregos andam a tentar fazer o mesmo e ainda não conseguiram. Vamos ter de pressionar até chegarmos lá!!!!!!!!

    • Mário Machaqueiro said,

      O PCP e o BE deviam andar a matraquear esta ideia todos os dias, fazendo a pedagogia da absoluta necessidade de que essa auditoria seja feita. Um dos problemas desses dois partidos não é, necessariamente, a falta de boas ideias. É o facto de não fazerem tudo por tudo para que essas boas ideias penetrem na opinião pública, acabando, muitas vezes, por desperdiçar o tempo de antena que ainda vão tendo. Nesse sentido, há que reconhecer que o labor propagandístico da direita está muito mais bem oleado: pegam num ou em dois chavões e repetem-nos até à exaustão, seguindo o lema de que uma mentira muitas vezes repetida acaba por passar como verdade. Seria bom que a esquerda aprendesse esse método, aplicando-o, de preferência, não a mentiras ou a falácias, mas a causas de cidadania.

  2. Zé Manel said,

    Isso é exacto e a maior invenção dos figurões é a da INEVITABILIDADE! E temos de reconhecer que é uma mensagem que tem pegado, tem feito caminho, pelo menos até agora. Só muito recentemente é que alguns grupos começam tímidamente a questionar a dita inevitabilidade. Mesmo os partidos de esquerda (PS não incluído) não assumem uma posição clara sobre este ponto….


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