APEDE


Leitura indispensável

Posted in Gostávamos de escrever assim por APEDE em 21/10/2011

Paulo Granjo, quando não escreve a defender greves gerais de dois dias, produz textos incisivos e luminosos. Este é um deles.

Aí se explica que o mito da insustentabilidade financeira do Estado social não passa disso mesmo: de um mito. A parte essencial do argumento de Paulo Granjo está aqui. Para devolver a política ao lugar onde, falaciosamente, se julga haver apenas economia:

«É claro que os serviços (e segurança no futuro) que são garantidos pelo estado social constituem uma forma indirecta de distribuição de riqueza entre capital e trabalho. É claro que os interesses das partes são diferentes, e que o aumento da “fatia” de riqueza de uma delas se faz à custa da outra, esteja-se em crescimento ou em depressão económica. É claro que, por isso, os salários reais e os benefícios sociais não têm que seguir as flutuações das conjunturas económicas. Podem aumentar mesmo que a economia decresça, tal como podem ser degradados em tempos de crescimento económico (como em décadas passadas), ou (como agora) num grau muito maior do que o da degradação da economia. A questão é qual é a parte do trabalho e do capital na distribuição da riqueza, e isso não é um automatismo económico, mas uma opção política e o resultado de uma correlação de forças sociais

4 Respostas to 'Leitura indispensável'

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  1. Zé Manel said,

    Claro que o Paulo tem paletes de razão no seu lúcido comentário, mas creio que a realidade é um pouco mais complexa. Com certeza que o declínio acentuado da actividade económica, o aumento exponencial do desemprego e a catadupa de falências, ao asfixiar o mercado interno, vem privar o estado de grande parte das suas receitas. Se lhe somarmos a venda ao desbarato de empresas públicas (algumas muito rentáveis) e o serviço da dívida a que se vai acrescentar em breve o pagamento dos contratos das PPP socratinas, facilmente vemos como tal situação é verdadeiramente explosiva.
    Não é por acaso que os credores da Grécia já lhe “perdoaram” 20% e se preparam para perdoar mais 50%. Eles fazem isso não por serem bonzinhos, mas porque já percebram (finalmente!!!) que aquela dívida não é sequer pagável e os juros astronómicos ainda menos.
    Por cá caminhamos vertiginosamente na mesma direcção. Por isso importa pôr a questão que nenhum político se atreve a enfrentar. Se a dívida não é sequer pagável, então de que serve insistir em malhar no ceguinho??? É deste facto que temos de partir para darmos a volta à questão! Vamos a isso.

  2. Mário Machaqueiro said,

    Olá Zé,

    Creio que a reflexão do Paulo Granjo, embora assente no momento que atravessamos, vai para além da conjuntura actual. A pergunta que ela coloca é, aparentemente, muito simples: há ou não há dinheiro para sustentar, mesmo em tempo de “crise”, o chamado Estado social? E a resposta dele é também simples: é claro que há, se houver vontade política para ir buscar o dinheiro onde ele existe (e que não é nos bolsos de uma já depauperada classe média).

  3. Leitor said,

    “Dar a volta a isto”, “ir buscar o dinheiro onde ele existe”, tudo bem, desde que não sejam necessárias “greves gerais”, nem qualquer forma de luta organizada…
    Tudo muito espontâneo e auto-organizado…

    Haja pachorra.

    • Mário Machaqueiro said,

      José Vargas,

      Nunca um “nick” foi tão mal empregado como o seu. É que você sofre mesmo de problemas de visão (e de compreensão). Os textos estão à sua frente, mas você não consegue entendê-los. Alguém pôs aqui em causa a necessidade de formas de luta organizada? Greves gerais de um dia, desgarradas de qualquer plano de luta consequente e eficaz, são a única «forma de luta organizada» que você conhece? A estreiteza de vistas é totalmente incompatível com aquilo que se exige a um leitor.


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