APEDE


Uma sugestão para quem nela queira pegar

Posted in Acções de Luta por APEDE em 24/10/2011

Pequeno intróito. Hoje fomos obtendo mais informações sobre aqueles portugueses que, à custa do erário público – ou seja, de todos nós -, têm andado a sugar o tutano a este país. Não por acaso, são exactamente os mesmos que vêm agora defender que os seus conterrâneos, por eles vampiririzados à tripa-forra, devem aceitar como inevitável a “necessidade” de mais e mais sacrifícios, tantos quantos forem necessários para que eles possam manter as sinecuras, os privilégios que se auto-atribuíram, a protecção das negociatas escuras e criminosas, etc., etc.

Não acrescentaremos mais observações aos comentários lapidares que o Octávio Gonçalves e o Paulo Guinote dedicaram à escumalhosa “elite” que nos coube em azar. Mas, no meio de toda a repulsa, há uma ideia que começou a desenhar-se no nosso espírito.

Por que não aplicar aos nababos da politiquice nacional – que não pretendem abdicar de um milímetro das suas regalias e que, quando o fazem, esperneiam por todos os lados – o mesmo método de denúncia da «Funa» chilena?

Explicamos: no Chile, a Funa é uma acção popular que consiste em identificar o local onde vivem ou trabalham torcionários da ditadura de Pinochet, que entretanto se ocultaram por detrás de uma vida “normal”, e chamar a atenção dos seus colegas, dos vizinhos, dos comerciantes do bairro para o facto de que fulano tal é, afinal, um assassino, um torturador, etc. Procura-se exigir justiça, a fim de que esses canalhas sejam levados a tribunal. Mas, no imediato, trata-se de não os deixar tranquilos nem por um minuto e, sobretudo, de fazer com que eles não se escondam, de expor o esgoto à luz do dia. O caso da «funa» em torno daquele que é suspeito de ser o assassino de Victor Jara constitui uma perfeita ilustração desta forma de luta.

Pondo de lado as diferenças (obviamente imensas) entre os torcionários chilenos e os políticos do nosso centrão que têm vivido à grande, refastelados nos benefícios de um Estado que eles pretendem “emagrecer” desde que a magreza não lhes toque, a verdade é que estes últimos estão mesmo a pedir uma «funa» à portuguesa.

A malta que passa a vida em inócuas «acampadas», «ocupações de rua» e «assembleias populares», por que não usam toda essa energia para chatear até à medula figurões como Armando Vara, Dias Loureiro, Isaltino Morais, Jorge Coelho, Joaquim Ferreira do Amaral, etc., etc.?

Método possível (aceitam-se outras ideias, desde que não envolvam agressão física ou homicídio): identificar a residência desta canalhada e colocar na fachada do prédio cartazes a denunciar: «aqui vive o senhor 3.000 euros de pensão vitalícia» ou «aqui vive o senhor 2.200 euros de pensão vitalícia»; chamar a atenção dos transeuntes; e, quando os cavalheiros saem à rua ou chegam dos seus gabinetes, lançar-lhes palavras de ordem nas trombas e filmar tudo muito bem filmadinho. Divulgar os filmes no YouTube, no Facebook, na blogosfera. Não lhes dar tréguas. Persegui-los. Estar onde eles estiverem. Não consentir que façam declarações impunes à comunicação social. Fazer do seu quotidiano um pequeno inferno.

E exigir o óbvio: que o governo tenha a decência de, pelo menos, acabar com os «direitos adquiridos» de indivíduos que têm fortíssimas responsabilidades no estado calamitoso a que chegámos.

O pessoal queixa-se de falta de ideias para formas de luta imaginativas ou menos rotineiras? Aqui têm uma.

28 Respostas to 'Uma sugestão para quem nela queira pegar'

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  1. fernanda said,

    Uma ideia maluca que me passou pela cabeça: e se não votarem, em maioria, nestes governos?

    Pá, era capaz de ter algum resultado!

    Assim, de repente, este OE era capaz de não passar na AR.

    Que acham?

    • Mário Machaqueiro said,

      Tarde demais…

      • fernanda said,

        Que azar!

  2. fernanda said,

    Agora, com um bocadinho de ironia, – a ideia já foi algo utilizada pelo Scolari…..mas talvez seja porreira, pá!

    • Mário Machaqueiro said,

      O quê? Bandeirinhas nacionais nas janelas?! O que é que isso tem que ver com a sugestão (meio irónica, é certo) que aqui foi feita?

  3. fernanda said,

    Prometo que é a última intervenção, mas tenho mais uma ideia: colocar os tais cartazes nos domicílios de quem deu a maioria a estes gajos.

    boa noite e venham mais ideias.

    • Mário Machaqueiro said,

      Isso dava um grande trabalhão! Não te esqueças que a mão-de-obra para estas ideias é assaz limitada… Mas podes, mesmo assim, sugerir algumas palavras de ordem para esse efeito, de preferência com rima.

      • fernanda said,

        Achas que o Octávio ou o Guinote se importam de arranjar as rimas? Entendo que seja masoquista, mas nunca se sabe….

        • Mário Machaqueiro said,

          Não. Deixo esse trabalho para ti.

        • fernanda said,

          Estou sem inspiração.

          Ademais, temos de por a trabalhar o pessoal que, por um raio de azar filho da mãe, votou nestes gajos.

    • H.R. said,

      não percebo…será um novo conceito de democracia essa ideia de chagar eleitores?

  4. fernanda said,

    Mário,

    Acerca da frase “à escumalhosa “elite” que nos coube em azar”…

    Estava aqui a pensar …deverei abordar estas coisas como uma questão de sorte ou de azar?

    Não tinha pensado nas coisas sob este prisma.

    Mas estou sempre a aprender.

    Sou uma mentes largas!

    • Mário Machaqueiro said,

      A sério?

      • fernanda said,

        Quer dizer, comparada contigo, nem tanto.

        • Mário Machaqueiro said,

          Pois, eu já tinha desconfiado…

        • fernanda said,

          Não me fales em confiança/desconfiança que me lembro do pessoal dizendo que confiava muito no actual PM.

          Que raio de azar o pessoal tem!

          Não acerta numa!


  5. Os meus sentimentos mários, pela praga que te caiu aqui. Eu enxotei, agora divaga por aí.

    • Mário Machaqueiro said,

      Há gente que não tem com que se entreter…

      • fernanda said,

        Respondi ao solicitado no título deste texto.

        A ideia pode não agradar, mas isso não significa que faças juízos de valor sobre algo que não está em discussão: como e com quê devo entreter o meu tempo. Isso é a minha vida pessoal. Que deve ser deixada num plano que só a mim me diz respeito.

        Boa semana.

        • fernanda said,

          Passo a exemplificar o que quis dizer: vi-me num dilema ainda agora – como me entreter?

          1- vou responder ao comentário do Mário?
          2- vou mandar o fax antes?

          Olha, decidi-me por te responder em 1º lugar.

          Foi a melhor decisão?

          Não! Deu mau resultado.


  6. “Mário”, sorry.


  7. […] Uma sugestão para quem nela queira pegar […]


  8. A situação que permite essa enxovalhada toda é que deve ser objeto de debate político aberto. Creio, contudo, que a questão é internacional.
    Como socialista, fico chocado por ver um ex-chanceler alemão do SPD a dirigir uma empresa de gás russa.
    Não percebo como os alemães encaixam isto.
    Jorge Coelho na Mota Engil, Vara na CGD e no BCP, é o mesmo tipo de coisas, a mina a céu aberto da sujeira da política nacional.

    • Mário Machaqueiro said,

      É por tudo isso, Luís, que eu acho que esses gajos não podem ser tratados com luvas de pelica. O tempo do «respeitinho é que é bonito» passou definitivamente.

  9. simaosepulveda said,

    É uma ideia deveras inspiradora, nestes dias do português que come e cala… O problema é que eles não tem vergonha na cara e ainda pediam segurança privada, nova moradia, etc, etc, tudo à custa do estado…

  10. make it better said,

    Bora lá!
    “Bámos Infuná-los!”

  11. mario silva said,

    Não quero que acabem com as pensões vitalícias; apenas quero todos tenham o direito de ter acesso às mesmas. Acabar com as pensões não melhora a minha vida; ao invés, receber uma melhoraria significativamente a qualidade de vida dos cidadãos.

    • Mário Machaqueiro said,

      Mário,

      Não está em causa acabar com as pensões vitalícias! Nesse caso, ninguém teria reforma, n’é?
      O que está em causa é pôr fim a duas situações injustas e absurdas:
      – que haja pessoas que acumulam pensões já de si “generosas” com vencimentos vultuosos no sector privado;
      – que haja pessoas que, só porque exerceram cargos de natureza política durante um determinado tempo (8 anos, por exemplo), tenham direito a auferir pensões de reforma num montante tal que, se assim o desejassem, poderiam deixar de trabalhar aos 40 anos.
      O Mário acha que isto faz sentido?
      No caso dos nomes mencionados no “post”, a situação agrava-se por se tratar de indivíduos sobre os quais recaem suspeitas mais do que fundadas de serem corruptos, de terem praticado tráfico de influências, de terem beneficiado empresas privadas em negócios ruinosos para o Estado, etc., etc.


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