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As únicas questões estratégicas que importa discutir

Para acabar de vez com o blá-blá auto-iludido dos que pensam que as grandes iniciativas de combate contra o austeritarismo se reduzem a manifestações ou a greves de um só dia, e que ficam todos satisfeitos ao pensarem que «a rua é nossa» – quando os verdadeiros instrumentos de poder decisório continuam a ser “deles”.

Vamos partir do princípio de que concordamos com um caderno reivindicativo assente nas seguintes exigências:

– Auditoria integral da dívida pública, realizada por uma entidade politicamente credível e independente.

– Reestruturação da dívida pública, com base nos resultados dessa auditoria.

– Renegociação dos prazos e das condições de pagamento da dívida reestruturada.

Assim sendo, os partidos de esquerda, as direcções sindicais, os movimentos e as associações independentes deveriam passar a ser avaliados com base num critério muito simples: saber se estão ou não dispostos a equacionar uma destas questões (ou ambas):

  • Como forçar os actuais detentores do poder de Estado (governo, assembleia e presidência da República) a aceitar as exigências do referido caderno reivindicativo?

ou, numa alternativa mais radical:

  • Como conquistar o poder de Estado de modo a concretizar essas exigências?

Qualquer discussão intelectualmente honesta que se pretenda fazer sobre «acções de luta» terá de assentar na vontade de responder a estas questões. Os que nem sequer admitem colocá-las escusam de vir falar em lutar «a sério».

Tudo o que não seja pensar, em termos estratégicos e tácticos, com base nestas questões é, como dizem os brasileiros, conversa para boi dormir ou, como se diz cá no burgo, atirar poeira para os olhos das pessoas. Como se sabe, é isso mesmo que faz o João Pestana – Sandman, na versão anglo-saxónica. Trata-se de adormecer o pessoal com “tretas boé combativas”.

3 Respostas to 'As únicas questões estratégicas que importa discutir'

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  2. andré said,

    Concordo com o caderno e a a “avaliação” às esquerdas em função do caderno…tudo o mais são provocações desnecessárias que não ajudam a um objetivo de unidade ou de conseno mínimo…não dá para engolir alguns pequenos sapos para evitar engolir o elefante??

    • Mário Machaqueiro said,

      Provocações a quem? E que provocações, já agora? E unidade com quem e à volta de quê? Esta última pergunta é, obviamente, a mais importante. É que essa converseta da unidade já ando a ouvi-la há muitos anos e, mais recentemente, desde 2008, quando os professores encetaram um combate feito, em grande medida, à revelia dos cultores da unidade com os “mesmos do costume”. E que, mesmo assim, resolveram dar uma oportunidade aos mega-encenadores da luta e da negociação. Para, no fim da estrada, constatarem, uma vez mais, que estes últimos não hesitaram em fazer o seu número habitual: trair todos os que investiram esperanças na “unidade”. Serviu de muito engolir sapos, elefantes e demais bestas do jardim zoológico.
      Seja como for, André, penso que o seu comentário passa ao lado do essencial. E o essencial é saber se os que passam a vida a falar de lutas “a sério” estão mesmo dispostos a equacionar os fins e os meios para que tais lutas não sejam apenas mais umas tantas missas e umas tantas coreografias para encher o olho e embalar o pagode. Todas muito “unitárias” mas basicamente inócuas. E se isto é “provocatório”, que o seja.


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