APEDE


Greve geral, passado um ano…

Posted in O eterno retorno por APEDE em 20/11/2011

Há um ano atrás, a propósito da greve geral de 24 de Novembro de 2010, publicámos o texto que recordamos a seguir. Substitua-se a data da manifestação, de 6 para 15 de Outubro, e o texto permanece perfeitamente actual. Diríamos: terrivelmente actual. E acrescentamos: frustrantemente actual. Pois a sua actualidade significa que, passado um ano, nada de essencial se modificou, a não ser nas condições de vida (cada vez piores) dos trabalhadores portugueses. À atenção dos que se arrogam em donos da “luta”, e que muito pouco têm feito…

No dia 24, a maior parte dos membros da APEDE, pelo menos na sua direcção, irá fazer greve.

O motivo da nossa adesão prende-se com as mesmas razões que nos levaram a participar na manifestação do passado dia 6:

porque achamos que é necessário dar um sinal público do mal-estar, da insatisfação profunda e do sentimento de revolta perante uma política inteiramente orientada para espoliar os trabalhadores, à escala europeia, e para reforçar um mecanismo de distribuição de riqueza particularmente perverso: dos bolsos da classe média-baixa e dos mais carenciados para as contas off-shore da minoria composta pelos muito ricos. Pois a isto se resume as famosas medidas «de austeridade» que governos serventuários andam a impor por essa União Europeia fora.

Fazemos greve porque consideramos fundamental que os actuais detentores do poder percebam a dimensão do nosso descontentamento e da nossa oposição a esta política.

Fazemos greve porque queremos contribuir para a construção de um movimento unitário capaz de juntar trabalhadores de profissões muito diversas, precários e efectivos (estes bem mais fragilizados do que se pensa), num esforço de recusa e de resistência.

Fazemos greve, em suma, porque não aceitamos que nos apresentem a injustiça social como uma fatalidade tão incontornável como a chuva de Inverno.

Mas, dito isto,

compreendemos muito bem o desencanto daqueles que, partilhando a nossa indignação, justificam, no entanto, o intuito de não aderir à greve geral.

Compreendemos perfeitamente a relutância de muitos professores em fazer uma greve convocada por direcções sindicais que, num passado bem recente, por entre ternuras e beijinhos, correram a assinar acordos que mantiveram o essencial dos aspectos mais lesivos para a nossa profissão.

Compreendemos até a repugnância em participar numa greve apoiada por uma central sindical cujo dirigente máximo já veio a público manifestar a sua aquiescência para com o Orçamento-Ladrão e jurar, a pés juntos, que a greve não será feita contra o governo socratino.

E compreendemos também os que não aceitam uma greve geral limitada a um protesto – por imperioso que seja – realizado num único dia, sem ligação a um plano de luta coerente e capaz de oferecer aos trabalhadores um horizonte de resistência com um mínimo de acutilância.

E esta última é, para nós, a objecção maior que se pode colocar à greve do próximo dia 24.

As direcções dos sindicatos não parecem interessadas em prolongar o impacto e os efeitos da greve para lá da sua efectivação.

Poderíamos imaginar que este seria um momento de contagem de espingardas – tendo em conta o número muito significativo de sindicatos que anunciaram a sua adesão -, após o qual se lançariam acções mais determinadas, munidas de um caderno reivindicativo claro e concertado com federações sindicais de outros países europeus. Acções que passariam eventualmente pela repetição, com intervalos curtos, de outras greves gerais. Tantas quantas as necessárias para inverter estas políticas.

A articulação, tão urgente, das confederações sindicais europeias poderia apontar nesse sentido? Contudo, ao vermos que isto conduz apenas a isto, é caso para desesperar…

Portanto, a questão fundamental é esta:

e depois do dia 24?

8 Respostas to 'Greve geral, passado um ano…'

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  1. maria said,

    É urgente, inexplicável a demora ou atraso, de uma articulação a nível europeu e não só…


  2. […] Greve geral, passado um ano… […]

  3. fjsantos said,

    «Substitua-se a data da manifestação, de 6 para 15 de Outubro, e o texto permanece perfeitamente actual. Diríamos: terrivelmente actual. E acrescentamos: frustrantemente actual. Pois a sua actualidade significa que, passado um ano, nada de essencial se modificou, a não ser nas condições de vida (cada vez piores) dos trabalhadores portugueses. À atenção dos que se arrogam em donos da “luta”, e que muito pouco têm feito…»

    Só a miopia política e a agenda oculta dos apedes não vos permite ver que o que não se modificou foi a forma como se escolhem os políticos que governam o país. As televisões, os jornais e os “comentadeiros” vendem os primeiros-ministros como quem vende sabonetes e a malta, convencidíssima que a culpa de tudo é dos comunas, compra.
    … até um dia …

    • Mário Machaqueiro said,

      «Agenda oculta» só na tua cabecinha paranóica. Os tipos que nos governam são execráveis, sem dúvida. Mas tu e os teus camaradas também saíram umas ricas prendas…
      É verdade o que dizes sobre as formas perversas com que se manipulam os eleitorados nas pseudo-democracias liberais. Mas vou dizer-te um segredo só aqui entre nós: mesmo com todos esses vícios, ainda assim prefiro este travesti de democracia, e a forma como nele se escolhem os governantes, do que o belo regime soviético que tu e os teus camaradas tanto apreciam. A maneira como lá se escolhiam os políticos era, de facto, muito “recomendável”!
      Existem alternativas a um e a outro destes modelos? Claro que existem, e tem havido boas cabeças a pensá-los. Mas palpita-me que tu e os teus camaradas não estão particularmente interessados em discuti-los.

  4. Zé Manel said,

    A greve geral, ora aí está mais uma. Claro que nunca uma GG resolveu coisa alguma (os gregos que o digam, pois já fizeram várias e estão no estado que se sabe), mas como muito bem se diz no post, é um legítimo canal de protesto. Há, no entanto uma pequena diferença. Na anterior, os defensores da voz-do-dono recusaram obstinadamente a realização de uma grande manif nesse dia, como algumas organizações independentes exigiam, para que essa luta não se esgotasse em si mesma. Desta vez, os defensores do pensamento único estão confrontados com a mesma reivindicação e, não podendo contorná-la, porque já é imparável, agendam algumas acções inócuas para o mesmo dia de manhã (???), as quais nem sequer constam de nenhum cartaz ou publicação onde se apela à GG. Assim se materializa mais uma vez o sectarismo desespeado, o divórcio entre os que se pretendem da vanguarda do povo e o próprio povo, ele mesmo. Mas onde é que eu já vi isto???
    Quanto à internacionalização da luta, convém realçar quanto essa ideia está na ordem do dia. Já no 15 de Out. ocorreram manifestações idênticas em centenas de cidades pelo mundo fora e hoje discute-se a realização de uma greve simultânea à escala europeia. Óbviamente que nenhuma das iniciativas citadas conta com o apoio dos nossos “amigos” defensores da verdade absoluta, ocupados como estão em olhar exclusivamente para o próprio umbigo. É mais outra do sindicalismo-que-temos.

  5. Mário Machaqueiro said,

    Decidido: as defecações mentais do Vargas-Leitor passaram, neste blogue, para o seu lugar natural: o modo “spam”. Pode ir defecar para outra freguesia. Censura? Nada disso. Apenas a reserva do direito de admissão. É que nesta casa ainda mandamos nós.
    Doravante, quem quiser discordar do que escrevemos continua a ter porta aberta, desde que cumpra um módico de decência. (E, convenhamos, o Vargas também já estava a puxar pela nossa própria chinelice, o que não é recomendável).

  6. Zé Manel said,

    Não há nada como uma boa medida profilática da mais elementar higiene, porque já começava a cansar tanta insanidade…

    • Mário Machaqueiro said,

      O cano de esgoto, doravante, vai ter uma única resposta. Até se cansar.


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