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Minuta para os «professores excedentários», em vez de emigrarem, pedirem asilo político ao Reino Unido

Colocamos aqui esta modesta proposta de minuta, concebida para ser enviada à Embaixada do Reino Unido em Lisboa (ou ao Foreign Office em Londres), na esperança de que um «professor excedentário» da disciplina de Inglês a traduza para a língua de George Bernard Shaw:

Exmo. Sr. (preencher com a designação do destinatário: Embaixador, Ministro ou Primeiro-Ministro Inglês):

Considerando que me encontro em posição de emigrar para qualquer país não-ibérico, na qualidade de professor excedentário, de acordo com o mais recente conselho do nosso Primeiro-Ministro,

Considerando, por outro lado, que as autoridades do Reino Unido estão a ponderar a possibilidade de fretar aviões, barcos e autocarros para retiraram os cidadãos britânicos de Portugal e de Espanha no caso de uma eventual bancarrota destes países,

venho, por este modo, solicitar o estatuto de exilado político que me permita, em lugar de ter de emigrar, poder beneficiar da protecção da Coroa Britânica e acompanhar os cidadãos britânicos que se preparam para ser expatriados.

A justificação deste meu pedido radica no facto de o actual governo de Portugal estar empenhado em perseguir e agredir os trabalhadores em geral, com especial destaque para os funcionários públicos e, neste particular, para os professores. Estando em risco de perder o meu futuro, e tendo as minhas condições de vida sob séria ameaça, creio ser legítimo requerer o estatuto de exilado político à luz do direito internacional e dos mais elementares critérios de justiça.

Aguardando o melhor acolhimento da parte de V. Exa., sou

atenciosamente 

assinatura _________________________  

 

Mas, esperem lá, não foi o Reino Unido que inventou o essencial das políticas anti-sociais que nos estão a ser impostas? E não é verdade que os “bifes” também estão à rasca? Pois é. Afinal, Angola é capaz de ser mesmo um destino mais adequado. Nesse caso, os «professores excedentários» podem também escrever uma cartinha às autoridades angolanas, a acompanhar o “curriculum vitae”, que incluiria qualquer coisa como:

… Tendo eu adquirido, na minha qualidade de observador interessado e atento da realidade angolana, diversas competências em matérias tão diversificadas como o tráfico de influências (ou de armas, ou de diamantes), etc., etc. … 

E enquanto o pessoal anda distraído com a bola e o fado…

Posted in À beira do abismo por APEDE em 28/11/2011

Comentário visual sobre o futuro da Europa

Posted in À beira do abismo,Be afraid be very afraid por APEDE em 08/11/2011

Falamos da Grécia. Mas a Espanha é aqui mesmo ao lado

Posted in À beira do abismo por APEDE em 30/10/2011

Nunca devemos subestimar o poder da estupidez

Posted in Austeritarismo,À beira do abismo,Ensaio sobre a cegueira por APEDE em 13/10/2011

Até quando?

O último livro de Robert Reich, publicado entre nós, analisa a evolução profundamente desigualitária do capitalismo norte-americano. O que ele diz, cuja síntese pode ser lida neste seu artigo (dando o desconto aos “exotismos” da tradução brasileira), aplica-se, contudo, não apenas aos Estados Unidos mas à tendência global do sistema capitalista dos dias de hoje, e explica muito do que está a acontecer nessa parte da Europa que dá pelo nome de «União Europeia».

O argumento de Reich, que um economista como Joseph Stiglitz tem vindo também a sublinhar, resume-se de forma simples (mas não simplista):

Existe um paralelismo entre as condições que precederam a Grande Depressão de 1929 e o que Reich chama a Grande Recessão que estamos agora a atravessar. Uma e outra caracterizam-se por um padrão altamente desigualitário de distribuição e concentração da riqueza: de um lado, uma ínfima minoria que se apropria de uma larga percentagem do bolo; do outro, uma maioria crescentemente depauperada. Esta assimetria foi conseguida graças a uma política fiscal inteiramente favorável aos muito ricos, apostada em drenar classes médias cada vez mais empobrecidas, e à retracção/demolição dos serviços e das políticas sociais do Estado.

Acontece, no entanto, que o sistema capitalista só se aguenta através do fomento da procura e, por conseguinte, de estímulos ao consumo. A política de concentração da riqueza nas mãos de uns poucos não é compatível com esse desiderato quando a grande massa dos trabalhadores – os consumidores por excelência daquilo que a economia tem para “oferecer” – se vê desprovida dos meios que lhe permitiriam aceder ao consumo e à melhoria do seu nível de vida: salários razoáveis ou elevados e redistribuição por via de impostos progressivos. Nesse cenário, só resta ao sistema uma alternativa: promover o endividamento das famílias através do recurso ao crédito. Crédito para a compra de casa própria, crédito ao consumo em geral. Isto conduz ao crescimento exponencial da financeirização da economia, com uma série de consequências perversas, entre as quais se destaca a multiplicação de produtos financeiros altamente especulativos, feitos para atrair o rendimento disponível das grandes fortunas, mas quase sempre condenados, mais tarde ou mais cedo, a rebentarem, ao mesmo tempo que rebentam com a economia “real”.

O efeito mais perverso é, porém, o endividamento em cadeia: as famílias endividam-se, a banca endivida-se para alimentar o endividamento das famílias e, por fim, são os Estados que se endividam para sustentar uma banca que, entretanto, fica à beira do falência quando o elo inicial da cadeia (e o mais fraco) se mostra insolvente. É que um sistema assente no endividamento tem esse “pequeno” problema: funciona muito bem enquanto as pessoas conseguem pagar os juros da dívida. Mas está provado que, numa economia de baixos salários, mais tarde ou mais cedo as pessoas deixam de poder fazê-lo. O resultado é o esboroar de todo o edifício.

É aí que nos encontramos: em plena derrocada.

Mas, como Reich demonstra, a dívida (que agora chamam “soberana”) não é a raiz do mal. É somente um sintoma. E um sintoma que serve de cortina de fumo para tapar o problema real.

A origem de tudo isto, a doença de que o sistema padece, radica na concentração obscenamente desigual da riqueza. Que, à escala “tuga”, um Belmiro ou um Amorim tenham visto as suas fortunas a aumentar no decurso deste ano é um sinal eloquente da esquizofrenia em que estamos metidos.

A pergunta a fazer é: até quando pode durar este estado de coisas? Está-se mesmo a ver que um sistema assim é insustentável e auto-contraditório. Não precisamos de ler Marx para percebermos que a crescente concentração de riqueza numa escassa minoria da população constitui um dos limites estruturais do sistema capitalista: ultrapassado esse limite, é o sistema que implode, não necessariamente porque as “massas” se revoltem e imponham a solução socialista, mas porque o próprio sistema não consegue responder à necessidade de gerar procura para a oferta produzida. Chama-se a isso «recessão» – um tipo de patologia que não se pode prolongar indefinidamente.

Nos anos 30 do século passado, um senhor chamado Roosevelt compreendeu essa insustentabilidade, lançando uma série de políticas que, na prática, se traduziram por uma redistribuição e desconcentração da riqueza a favor das classes médias e por uma certa desproletarização dos trabalhadores – tendência que se aprofundou nos Estados Unidos e na Europa industrializada a seguir à Segunda Guerra. Na altura, o «espectro do comunismo» no Leste europeu também representava um aguilhão que levava à adopção dessas políticas.

Hoje, o grande drama dos trabalhadores no mundo capitalista ocidental é que não há Roosevelts. Há só Obamas, Merkels, Barrosos, Sarkozys e Coelhos – gente miudinha, ceguinha pela cartilha ideológica dominante, e empenhada em dar vida a uma financeirização da economia que entrou, claramente, em colapso.

Enquanto estes pobres comediantes continuarem na cena da decisão política, sem perceberem que o mundo deles acabou, somos nós todos, os que vivem apenas do seu trabalho (e os muitos que já nem sequer têm essa possibilidade), quem irá sofrer a falta terrível de políticos com um mínimo de visão.

Notem que já nem sequer pedimos uma revolução. Para já, contentávamo-nos com um Keynes…

Votaram nele, não votaram? Agora engulam!

Posted in (Des)governo,Austeritarismo,À beira do abismo por APEDE em 06/06/2011

PASSOS COELHO DIZ QUE GOVERNO PODE IR ALÉM DAS MEDIDAS DA “TROIKA”

O problema é que não são só os que votaram nele que terão de engolir as consequências trágicas dos seus devaneios neoliberais…

Dia de eleições

Posted in À beira do abismo por APEDE em 05/06/2011

Dia de reflexão

Posted in À beira do abismo por APEDE em 04/06/2011

E agora, 2011?

Posted in À beira do abismo por APEDE em 02/01/2011

O que vem aí será muito pior do que aquilo que os levou à rua na anterior legislatura, mas por enquanto reina a apatia. “O facto de os professores sentirem mais a ameaça da precariedade e do desemprego não os leva só por si a lutarem mais. Pelo contrário, é um inibidor da luta. As pessoas estão com medo”, constata Mário Nogueira.

Durante quatro anos os professores multiplicaram-se em protestos contra a anterior ministra Maria de Lurdes Rodrigues. A paz foi alcançada a 8 de Janeiro passado. Com o acordo então celebrado terminou a divisão entre professores e professores titulares, o que abre portas a que todos possam chegar ao topo e não só 30 por cento, e vários milhares de docentes puderam progredir já em 2010, frisa Nogueira. Em troca os sindicatos aceitaram um modelo de avaliação, com o qual não concordavam e que, segundo Le Guê, não só “não difere substancialmente do anterior” como poderá envenenar ainda mais o ambiente nas escolas.

Foi “uma traição”, acusa Ricardo Silva, que dirige um dos movimentos independentes que também marcaram a contestação. Para ele, é esta a razão da actual “apatia”: “Muitos professores ficaram com a percepção que não vale a pena lutar, pois, nas alturas decisivas, as direcções sindicais acabam por assinar entendimentos que defraudam totalmente as suas expectativas”.

NOTA: A notícia completa pode ler-se na edição on-line do jornal Público. As diversas perguntas que nos foram colocadas pela jornalista Clara Viana, mereceram, naturalmente, respostas mais completas que acabaram por não fazer parte do artigo.


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