APEDE


Pela dignidade da classe

Posted in Acções de Luta,Dignidade por APEDE em 04/12/2013

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APELO – LUTEMOS POR UMA ESCOLA PÚBLICA QUALIFICADA E POR UMA CARREIRA DOCENTE CONDIGNA!

Posted in Acções de Luta,Cidadania,Dignidade,Professores,Resistências por APEDE em 19/05/2013

Caros Colegas de Norte a Sul do País!

LUTEMOS POR UMA ESCOLA PÚBLICA QUALIFICADA E POR UMA CARREIRA DOCENTE CONDIGNA!

Bem sabemos que estamos  todos cheios de trabalho e que o final do ano está aí,  sabemos o quanto a LUTA gera perplexidade, instabilidade, stress, contrariedades, mas, que outra alternativa temos?

Este é o NOSSO TEMPO E A NOSSA OPORTUNIDADE,  não podemos  nem devemos desperdiça-los, em DEFESA de uma ESCOLA PÚBLICA DE QUALIDADE!

Deste modo ponho à vossa consideração a seguinte proposta:

que em cada uma das Escolas do País,  em RGP, ou qualquer outra via, se constitua

  • um núcleo de professores com o objetivo de sensibilizar e mobilizar o maior número de colegas possível para fazer greve às Avaliações,
  • que seja feito um plano de adesão à greve, com economia de professores em greve. Relembro-vos que na década de 90 esta estratégia funcionou muito bem, porque previamente nos organizámos e estipulámos quem faria greve em cada reunião (conseguimos que muitos Conselhos de Turma não se realizassem com uma economia inteligente de professores em greve). Basta que um professor esteja em greve para que o CT não se realize,
  • que seja constituído um fundo em cada Escola  para ajudar a suportar os custos,
  • que divulguemos uns aos outros ( via sites, blogues, e-mails, etc) as iniciativas implementadas em cada Escola. Aproveito para relembrar o site de professores em luta da Escola Secundária de Odivelas
  • http://escolapublica2013.wix.com/professores-em-luta,

PS: Reencaminhem, por favor, este mail a todos os vosso contactos, só unidos poderemos VENCER!

Célia Tomás

Manifesto Para Uma Luta Necessária

Posted in Acções de Luta,APEDE por APEDE em 27/01/2013

Em 2008, os professores dos ensinos básico e secundário souberam organizar-se na luta pelos seus direitos profissionais e pela defesa da Escola Pública, lançando um movimento reivindicativo sem precedentes em Portugal. De norte a sul do país formaram-se grupos e movimentos independentes de professores, à margem dos sindicatos, fizeram-se centenas de assembleias em escolas, realizaram-se diversos encontros à escala nacional e, quando as direcções sindicais finalmente acordaram para o fenómeno que estava a ocorrer, duas manifestações em Lisboa juntaram a maior concentração de uma só classe profissional que alguma vez se verificou neste país. Uma terceira manifestação, que congregou mais de 2 mil pessoas, foi promovida por movimentos independentes, sem quaisquer apoios logísticos e lançada na base dos contactos em correio electrónico, antecipando assim o que vieram a ser, mais tarde, as grandes manifestações convocadas nas redes sociais.

Os professores estiveram então no centro da atenção mediática e, por algum tempo, fizeram tremer o ministério de Maria de Lurdes Rodrigues e o governo de Sócrates. Nessa altura, o motivo de uma tão grande mobilização era um modelo de avaliação do desempenho absurdo, burocrático e gerador de desigualdades espúrias, a par de uma estrutura da carreira docente que criava divisões ilegítimas e despropositadas entre docentes. Ao lutarem contra estes ataques à sua profissão, os professores batiam-se também pela qualidade do ensino, que viam ameaçada por decisões políticas que degradavam a qualidade das suas condições de trabalho.

Sabemos bem o que sucedeu a seguir. As direcções sindicais, inicialmente aturdidas por uma movimentação que lhes escapava, conseguiram retomar o controlo das iniciativas, procederam a uma desmobilização maciça nas escolas e encetaram um processo negocial com o Ministério da Educação cujo resultado defraudou a maior parte das expectativas dos docentes. De então para cá, a classe dos professores foi somando derrotas atrás de derrotas. Com a ascensão ao poder do governo da dupla Gaspar/Coelho, a imposição mais agressiva do austeritarismo como política, iniciada pelo PS de José Socrates, tem tomado as funções sociais como alvo a abater e tem-se concentrado, em especial, no desmantelamento da Escola Pública e do que ainda resta de um ensino pautado pelos princípios da integração social e do acesso democrático ao conhecimento e à qualificação dos portugueses.

O programa governamental de destruição da Escola Pública assenta na deterioração dos direitos laborais dos professores, na sua máxima precarização, na eliminação planeada de postos de trabalho, objectivos que foram recentemente alcançados com a reorganização curricular e com uma nova metodologia para o cálculo das horas de trabalho. Porém, não contente com isso, a clique que nos desgoverna, a mando de uma “troika” que ninguém elegeu e à qual o governo tem alienado toda a soberania nacional, prepara-se para aumentar a carga lectiva dos professores. Passar de 35 para 40 horas semanais é agora o novo método concebido para lançar no desemprego cerca de 50 mil docentes – a grande finalidade que este governo afixou para a política de ensino em Portugal.

50 mil professores desempregados constitui, desde logo, um drama profundo para profissionais que dedicaram já muitos anos da sua vida a um trabalho que qualquer nação civilizada saberia valorizar e acarinhar. Muitos desses professores tornar-se-ão desempregados de longa duração e terão grande dificuldade em encontrar empregos compatíveis com as suas elevadas qualificações. Mas a essa tragédia pessoal somar-se-á a catástrofe para o sistema educativo português: os docentes que se mantiverem no activo verão as suas condições de trabalho degradar-se a um ponto que pareceria impensável. Ficarão com turmas sobrecarregadas, sem possibilidade de qualquer acompanhamento individualizado dos alunos, e com um horário laboral absolutamente esgotante numa profissão que, por si mesma, já coloca sobre os professores uma enormíssima pressão e um considerável desgaste físico e psíquico.

O governo e os serventuários que fazem a sua propaganda nos órgãos de comunicação pretendem justificar esta medida com o argumento de que 40 horas semanais é já o horário normal do sector privado. A isto respondemos: para além de este ser um discurso sempre apostado em nivelar por baixo os direitos e as condições laborais, ele revela também uma imensa ignorância e insensibilidade em relação às exigências específicas do acto de ensinar, as quais requerem tempo necessário à preparação das aulas, à transmissão do saber, à avaliação dos alunos e à energia anímica que tudo isso implica. Uma carga lectiva de 40 horas semanais tornará impossível o cumprimento desses requisitos com um mínimo de qualidade. Portanto, não serão só os professores que ficarão a perder: serão também os alunos, os encarregados de educação e a sociedade no seu todo. A semana de 40 horas, a concretizar-se, vai ser a medida que faltava para a destruição definitiva e irreversível da Escola Pública de qualidade. No seu lugar restará apenas uma ruína insustentável e grotesca.

Por isso, dizemos: é tempo de os professores regressarem à mobilização colectiva, é tempo de superarem os medos e a resignação, de recusarem os argumentos falaciosos da austeridade inevitável e da precariedade como destino colectivo, de saírem do buraco onde uma governação miserável os quer meter, de ultrapassarem divisionismos e calculismos individuais, de abandonarem a táctica do “salve-se quem puder” e a ilusão de que “o mal só acontece ao colega do lado”, “ao que está no último lugar da lista graduada”. A sanha sociopática dos governantes actuais vai afectar todos e ninguém estará seguro perante gente tão empenhada em demolir o Estado Social e em construir um Estado mínimo para quem trabalha e máximo para quem vive de mordomias e de negócios protegidos. Chegou o tempo de os professores lutarem, novamente, pela sua dignidade, por um sistema de ensino decente e pelo futuro do país.

Assim, apelamos a que os professores se organizem de modo a efectuar assembleias de escola onde possam debater a situação actual, o futuro da sua profissão e da Escola Pública em Portugal, e as formas de luta a travar contra a semana das 40 horas.

Apelamos a que os professores, nos Conselhos Gerais e em contactos directos com as associações de pais, se juntem aos encarregados de educação e a outros sectores locais com representação nas escolas, de modo a criar uma mobilização conjunta, transversal à sociedade portuguesa, no combate contra o aumento da carga lectiva e de todas as demais formas de destruir o ofício de professor.

Apelamos a que os professores pressionem, das mais diferentes maneiras, as direcções regionais e nacionais dos sindicatos para que formas de luta eficazes possam ser concretizadas nos locais de trabalho. Os sindicatos têm apostado tudo nos protestos de rua, desinvestindo totalmente no combate desenvolvido dentro dos espaços laborais. Está mais do que demonstrado que essa estratégia redunda em derrotas sucessivas para os trabalhadores. O tempo é de lutar onde dói mais ao governo e aos beneficiários das políticas austeritárias. A multiplicação de greves regionais, sectoriais e nacionais, articuladas num programa continuado e coerente de luta, a multiplicação de modalidades de desobediência civil no interior das escolas sempre que estiver em causa decisões arbitrárias e injustas, são recursos que os professores têm ao alcance da mão, mas que só podem ser utilizados se as direcções sindicais, por uma vez na vida, estiverem à altura de quem dizem representar.

Desde o 25 de Abril que a sociedade portuguesa não enfrenta uma hora tão grave como esta. Um dia a memória futura chamará à responsabilidade quem podia ter agido e, em lugar da acção, optou pela inércia e pelo silêncio. Este é o momento de cada professor português responder a essa responsabilidade.

 Mário Machaqueiro

Uma sugestão para quem nela queira pegar

Posted in Acções de Luta por APEDE em 24/10/2011

Pequeno intróito. Hoje fomos obtendo mais informações sobre aqueles portugueses que, à custa do erário público – ou seja, de todos nós -, têm andado a sugar o tutano a este país. Não por acaso, são exactamente os mesmos que vêm agora defender que os seus conterrâneos, por eles vampiririzados à tripa-forra, devem aceitar como inevitável a “necessidade” de mais e mais sacrifícios, tantos quantos forem necessários para que eles possam manter as sinecuras, os privilégios que se auto-atribuíram, a protecção das negociatas escuras e criminosas, etc., etc.

Não acrescentaremos mais observações aos comentários lapidares que o Octávio Gonçalves e o Paulo Guinote dedicaram à escumalhosa “elite” que nos coube em azar. Mas, no meio de toda a repulsa, há uma ideia que começou a desenhar-se no nosso espírito.

Por que não aplicar aos nababos da politiquice nacional – que não pretendem abdicar de um milímetro das suas regalias e que, quando o fazem, esperneiam por todos os lados – o mesmo método de denúncia da «Funa» chilena?

Explicamos: no Chile, a Funa é uma acção popular que consiste em identificar o local onde vivem ou trabalham torcionários da ditadura de Pinochet, que entretanto se ocultaram por detrás de uma vida “normal”, e chamar a atenção dos seus colegas, dos vizinhos, dos comerciantes do bairro para o facto de que fulano tal é, afinal, um assassino, um torturador, etc. Procura-se exigir justiça, a fim de que esses canalhas sejam levados a tribunal. Mas, no imediato, trata-se de não os deixar tranquilos nem por um minuto e, sobretudo, de fazer com que eles não se escondam, de expor o esgoto à luz do dia. O caso da «funa» em torno daquele que é suspeito de ser o assassino de Victor Jara constitui uma perfeita ilustração desta forma de luta.

Pondo de lado as diferenças (obviamente imensas) entre os torcionários chilenos e os políticos do nosso centrão que têm vivido à grande, refastelados nos benefícios de um Estado que eles pretendem “emagrecer” desde que a magreza não lhes toque, a verdade é que estes últimos estão mesmo a pedir uma «funa» à portuguesa.

A malta que passa a vida em inócuas «acampadas», «ocupações de rua» e «assembleias populares», por que não usam toda essa energia para chatear até à medula figurões como Armando Vara, Dias Loureiro, Isaltino Morais, Jorge Coelho, Joaquim Ferreira do Amaral, etc., etc.?

Método possível (aceitam-se outras ideias, desde que não envolvam agressão física ou homicídio): identificar a residência desta canalhada e colocar na fachada do prédio cartazes a denunciar: «aqui vive o senhor 3.000 euros de pensão vitalícia» ou «aqui vive o senhor 2.200 euros de pensão vitalícia»; chamar a atenção dos transeuntes; e, quando os cavalheiros saem à rua ou chegam dos seus gabinetes, lançar-lhes palavras de ordem nas trombas e filmar tudo muito bem filmadinho. Divulgar os filmes no YouTube, no Facebook, na blogosfera. Não lhes dar tréguas. Persegui-los. Estar onde eles estiverem. Não consentir que façam declarações impunes à comunicação social. Fazer do seu quotidiano um pequeno inferno.

E exigir o óbvio: que o governo tenha a decência de, pelo menos, acabar com os «direitos adquiridos» de indivíduos que têm fortíssimas responsabilidades no estado calamitoso a que chegámos.

O pessoal queixa-se de falta de ideias para formas de luta imaginativas ou menos rotineiras? Aqui têm uma.

Manifestação de 15 de Outubro

Posted in Acções de Luta por APEDE em 03/10/2011

A manifestação convocada para 15 de Outubro merece o nosso apoio e adesão, não apenas (ou não essencialmente) por ser uma manifestação desenquadrada das organizações habituais, algo que parece andar a excitar os reflexos condicionados da soldadesca policial e pidesca. Ao contrário do que alguns paranóicos de certas organizações-que-temos imaginam que nós pensamos, a verdade é que não consideramos tal desenquadramento como sendo, por si só, uma virtude. O seu conteúdo político é que nos parece decisivo para decidirmos do seu mérito.

Ora, o mérito maior da manifestação do próximo 15 de Outubro reside no seu carácter transnacional. Reside no facto de que, pela primeira vez, as pessoas vão estar a manifestar-se, ao mesmo tempo em diversos países, contra a loucura e o crime social do capitalismo financeiro.

Não é plausível que desta manifestação resultem grandes abalos. As ilusões são a armadilha mais letal nos tempos que correm. Mas o simples facto de saírem à rua milhares e milhares de cidadãos de países diferentes, com situações económicas e sociais diversificadas, unidos num mesmo protesto contra a barbárie do grande capital, é um acontecimento da maior relevância.

Pode, para já, não mudar nada. Mas é também possível que seja o embrião de uma nova consciência: a de que só se pode lutar eficazmente contra um sistema assente em movimentos transnacionais de capital se essa luta se basear numa grande rede, igualmente transnacional, de resistência e de recusa.

A força da imaginação

A iniciativa de que falámos no “post” anterior, e que está a merecer a atenção da comunicação social, é exactamente o tipo (ainda embrionário) de formas de luta que poderiam fazer a diferença e superar rituais esclerosados que não mobilizm ninguém e não levam a lado algum.

Poderão dizer que se trata de uma iniciativa desesperada de quem já chegou ao fim da linha e não vê outras alternativas. Sê-lo-á, em grande medida. O que leva à pergunta: quanto desespero será então necessário para as pessoas despertarem e recorrerem a formas mais drásticas de exigir aquilo a que têm direito?

Pode ser que aqueles professores não consigam o seu objectivo. Mas, se assim acontecer, não será por falta de iniciativa. Será por não terem tido, ao seu lado, muitos e muitos mais professores vítimas da situação profundamente injusta contra a qual eles se estão a bater.

Infelizmente, os que se mostram dispostos a dar o corpo ao manifesto são ainda poucos. Demasiado poucos. Terrivelmente poucos.

Até quando?

O grau zero da decência política

Notícia no Jornal de Notícias on-line:

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, garantiu, esta quinta-feira que o Governo “não vai contratar professores que não sejam necessários”. A falta de dinheiro e de necessidades justificam a não contratação. “Há muitas pessoas dedicadas que gostariam de ser professores mas que não podem sê-lo neste momento. Não podemos prescindir de grande rigor nas colocações“, frisou, insistindo que o ano lectivo arrancou “com normalidade” apesar dos partidos da oposição o negarem.

O senhor ministro pode tentar, até das formas mais abjectas, sacudir a “água do capote”, mas os professores continuarão a denunciar aquilo que é claríssimo: não se trata de pedir emprego, não se trata de esmolar um contrato, trata-se de defender a verdade e a justiça num concurso público. Horários anuais não podem, não devem, surgir como temporários, e professores com superior graduação não podem, não devem, ficar desempregados, sendo ultrapassados por colegas com menor graduação. É apenas e só uma questão de justiça, de transparência e rigor no processo de colocação. O Ministério da Educação, ao contrário do que afirma Nuno Crato, prescindiu do rigor. E os professores apenas exigem a reposição da verdade e da justiça. O Ministério da Educação tem de assumir os erros e corrigi-los, na medida do possível. É uma questão de decência política.

Estas lamentáveis declarações do Ministro da Educação, supracitadas, vêm ainda dar mais força, e razão de ser, ao protesto que um grupo de professores contratados e desempregados continua a protagonizar e que teve hoje um novo e importante desenvolvimento, com a sua presença (que se prevê ir continuar noite fora) no Palácio das Laranjeiras, onde funciona o gabinete do MEC.

Últimos desenvolvimentos podem ler-se nesta notícia na edição on-line do Diário de Notícias.

A APEDE saúda, naturalmente, os colegas em luta, pela sua iniciativa, e manifesta o seu apoio a esta iniciativa.

Sábado 17/9 – Encontro de Professores Precários e Desempregados

Manifestação professores contratados- Rossio, 10 Setembro- Reportagem das tv’s

Sábado, 10 de Setembro – Manifestação de professores contratados e desempregados. A APEDE divulga, reforça o apelo de participação e estará presente!

(Re)começar a mexer: A força da Razão contra esta Avaliação. Na Amora, os professores voltaram a afirmar a sua dignidade e seriedade profissional.

Posted in Acções de Luta,Cidadania,Dignidade,Resistências por APEDE em 19/03/2011

Ontem, 18/03/2011, na Amora (Seixal) os professores voltaram a manifestar o seu repúdio pelo modelo vigente de Avaliação do Desempenho Docente (ADD), num encontro/vigília organizado por um grupo de professores locais, congregados em torno do trabalho epistemológico e político (lato senso), realizado pelo blogger Mário Carneiro, de explicitação das inconsistências conceptuais do edifício teórico e normativo da ADD, bem como dos efeitos socioprofissionais e pessoais perversos que daí advêm para os docentes.

Mais uma vez, os professores tornaram claro que não enterrarão o ‘machado de guerra’ enquanto este modelo ADD, verdadeiro aborto jurídico-administrativo, não deixar de atormentar a sua vida profissional e pessoal.

Na actual conjuntura política e económico-financeira, a obstinação em pôr em prática este modelo de ADD visa apenas, por parte do socratismo, punir e humilhar uma classe socioprofissional que o enfrentou e que, ao afirmar a sua dignidade intelectual e cívica, contribuiu decisivamente para o seu ocaso.

Diremos que o actual modelo de ADD, verdadeiro emblema das políticas de Sócrates para a educação, tem como principal escopo consagrar institucionalmente a transformação dos professores em amanuenses, liquidando, assim, a sua autonomia intelectual e pedagógica. Por esta razão, o combate movido pelos professores contra este modelo de ADD é, para além de uma afirmação de dignidade cívica, a resposta certeira ao ataque identitário de que foram alvo.

NOTA – Durante a Concentração foi lido e assinado um abaixo-assinado, da autoria do Mário Carneiro, que está disponível neste post. É um texto absolutamente demolidor e que deveria ser assinado nas escolas e enviado para a Assembleia da República, com a urgência possível.

(Re)começar a mexer: Protesto público na Amora – Concentração de Professores, 18 de Março

Posted in Acções de Luta,Cidadania,Dignidade,Resistências por APEDE em 15/03/2011

Por iniciativa de vários professores, está a ser organizado, na Amora, um protesto público contra a incompetente e iníqua avaliação docente e contra a política deste Governo que tem destruído a Educação e, sem qualquer justificação, penalizado os professores.

A concentração está a ser convocada por sms e e-mail. O texto que está a circular é o seguinte:

 

Temos de voltar a manifestar a nossa indignação contra ESTA AVALIAÇÃO e contra todas as medidas desastrosas que destroem a Educação e que INJUSTIFICADAMENTE sacrificam os docentes.

Concentração de professores na AMORA. Sexta-feira, 18 de Março, 21h. Praça 5 de Outubro (Coreto da Amora, junto ao rio). Passa a palavra. Reenvia.

 

O movimento de contestação continua a crescer. São cerca de centena e meia as escolas que se manifestaram publicamente contra esta ADD, e todos os dias surgem novas tomadas de posição. Já são vários milhares os professores que subscreveram abaixo-assinados e/ou petições e/ou manifestos de denúncia. 

A seriedade profissional é incompatível com esta vergonhosa avaliação e com esta desastrosa política educativa.

NOTA: A APEDE felicita os colegas da Amora por esta importante iniciativa de luta, enviando a todos um abraço e, em particular, ao colega Mário Carneiro, incansável na dinamização e no apoio a este tipo de iniciativas, assim como na denúncia da farsa avaliativa em curso.  Estaremos naturalmente presentes, apelando para que todos os colegas façam o mesmo. É cada vez mais importante demonstrarmos o nosso descontentamento, fazendo valer as justíssimas razões da nossa luta.

(Re)começar a mexer: Manifestação de Professores em Aveiro. A APEDE saúda os colegas, que deram corpo a esta iniciativa de luta, e apela a novos protestos!

Posted in Acções de Luta,Cidadania,Dignidade,Professores por APEDE em 07/03/2011

A APEDE saúda os colegas de Aveiro que saíram à rua, no último dia 2 de Março, divulga o diaporama que ilustra a sua acção de protesto e apela, vivamente, aos colegas, de outros pontos do país, para que sigam este exemplo e organizem outras iniciativas idênticas. A luta tem de continuar, precisa de continuar, e está nas nossas mãos! Parabéns aos colegas de Aveiro. Força!

Balanço da Concentração/Vigília de Professores, organizada pela APEDE, em Sintra.

Posted in Acções de Luta,APEDE,Cidadania,Dignidade,Resistências por APEDE em 05/03/2011

Na sequência da iniciativa de luta que a APEDE promoveu nas Caldas da Rainha, em 28 de Janeiro último, voltámos ontem à rua, em Sintra, com a mesma determinação e convicção de sempre, fundada nas justíssimas razões de luta que, publicamente, mais uma vez, afirmámos:

– a exigência da suspensão imediata do actual modelo de avaliação (?!) de desempenho (que todos sabemos não ser sério nem rigoroso, mas sim profundamente injusto, arbitrário, perverso, burocrático, não formativo, tecnicamente incompetente, potenciador de conflitos e um óbice ao desenvolvimento do trabalho cooperativo dos professores) e a sua substituição por um outro modelo mais consensual e que seja exequível e justo;

– a frontal discordância face à anunciada intenção de constituição de Mega-Agrupamentos em Sintra (que poderão ultrapassar os 3500 alunos), exemplo claro de que este governo não tem qualquer ideia de Escola Pública, muito menos da sua defesa, mas apenas intenções economicistas, com cortes cegos que colocam em causa a identidade das Escolas, os seus Projectos Educativos, e a qualidade do Ensino;

– a recusa das medidas de reorganização curricular que nunca tiveram por base critérios pedagógicos, mas apenas  economicistas (transformando, cada vez mais, o ME numa mera dependência administrativa do Ministério das Finanças), medidas que, felizmente, foram ontem derrotadas no Parlamento (por uma oposição que, finalmente, soube unir-se colocando acima de interesses conjunturais, de índole político-partidária, os interesses superiores da Nação),  e que forçaram a ministra da Educação (?!) e o governo a deixarem cair a máscara das boas intenções pedagógicas e da melhoria do ensino, emergindo a verdadeira face de um governo refém da sua incompetência, já muito longe dos sorrisos nas salas de aula, onde alunos  (convertidos em figurantes) exibiam os Magalhães do regime, perante a desfaçatez do “ilusionista” que nos (des)governa;

– o reforço das redes de contacto e mobilização docente, com vista à multiplicação de atitudes de resistência nas escolas (com a tomada de posições públicas de recusa deste modelo de ADD, por exemplo) e de protestos públicos face às actuais políticas educativas (que irão continuar, já o sabemos);

– finalmente, e fundamentalmente, a afirmação da dignidade profissional docente e a exigência de respeito pelos professores, vergonhosamente desconsiderados pela tutela nos últimos anos.

Quando aos objectivos que nos propunhamos atingir, com esta iniciativa de luta, podemos afirmar que eles foram  conseguidos, embora lamentemos a falta de comparência de muitos professores que poderiam ter estado connosco e não estiveram. Valeu a pena continuarmos a manter acesa a chama da resistência, valeu a pena perceber que continuamos a ter professores que não desistem e se mantêm activos nesta luta, valeu a pena rever muitos professores e activistas de sempre, e ficou bem claro que iremos continuar juntos nesta luta, e nesta caminhada cívica, em prol da Escola Pública e da dignificação da nossa profissão.

Queremos, por isso, saudar e enviar um abraço aos colegas das escolas da zona de Sintra que, resistindo ao frio e ao cansaço de um dia de trabalho, não quiseram deixar de dar o seu contributo a esta luta. Estiveram presentes professores das escolas D. Carlos I, D. Fernando II, Montelavar, Secundária de Sta. Maria, Visconde de Juromenha, Secundária de Mem Martins, Ferreira de Castro, Secundária Ferreira Dias, Secundária Matias Aires, Fitares e, provavelmente, de algumas outras que não conseguimos identificar (um abraço também para os colegas que vieram, propositadamente, do Entroncamento). Aos professores e activistas de sempre, muitos deles vindos de longe, fica também o nosso agradecimento e reconhecimento: Paulo Ambrósio, da Frente de Contratados e Desempregados do SPGL, sindicalista de todas as lutas, José Farinha do MUP, André Pestana e Eduardo Henriques do movimento 3R’s, Jaime Pinho do MEP, Paulo Prudêncio (autor do blogue “Correntes”), Mário Carneiro (autor do blogue “O Estado da Educação e do Resto”) e António Ferreira (do núcleo da APEDE das Caldas da Rainha). O agradecimento e o abraço é, naturalmente, extensivo a todos aqueles que não podendo estar presentes, nos enviaram mensagens de incentivo e apoio e também nos ajudaram na divulgação desta iniciativa, através da blogoesfera.

A APEDE não pode também deixar de agradecer o interesse e a disponibilidade da deputada do BE, Ana Drago, que mais uma vez marcou presença ao lado dos professores, e nos falou sobre o trabalho parlamentar desenvolvido, as suas convicções quanto ao presente e futuro desta luta, e as iniciativas que, em breve, o seu partido irá desencadear no Parlamento, nomeadamente, uma proposta de suspensão da ADD, que será discutida em plenário, já no dia 25 de Março. Neste contexto, a APEDE salienta a importância das tomadas de posição de escolas contra a ADD, que têm vindo a suceder-se e podem e devem multiplicar-se nos próximos dias/semanas. É importante sublinhar que a APEDE enviou convites de participação nesta iniciativa a outros grupos parlamentares, tendo obtido resposta por parte do PCP (o deputado Miguel Tiago agradeceu o convite que teve de declinar devido a compromissos já assumidos) e, claro está, do Bloco de Esquerda, através da presença da deputada Ana Drago.

Concluímos afirmando a necessidade e a urgência da continuidade da luta, uma luta que tem de acontecer nas escolas e fora delas, uma luta que se confronta com um certo desânimo e frustração de muitos colegas, cujas razões conhecemos bem, e que se prendem com a forma como o processo foi sendo conduzido pelas estruturas sindicais representativas dos professores, desembocando na assinatura de um Acordo de Princípios que frustrou expectativas e contribuiu para a desmobilização de muitos e muitos colegas. Mas há uma verdade que tem de ser dita: se é verdade que os colegas têm razões para não confiarem nas actuais direcções sindicais e na sua fiabilidade/credibilidade quanto a garantias de uma firme e correcta condução da luta, é também verdade que não têm qualquer razão para desistirem de lutar, para se renderem e pactuarem, dentro das escolas,  com  a concretização da farsa da ADD (sobretudo quando nada os obriga a tal) e com os desvarios de certos Directores “tiranetes”, apenas para referir dois exemplos.  A coerência na luta é um imperativo de consciência. E esse terá de ser um motivo de reflexão, para muitos de nós, se se quiser assumir, com seriedade e verticalidade, as responsabilidades que nos cabem como professores e cidadãos, nesta importantíssima luta  que vimos travando.

A luta tem de continuar, precisa de continuar, e está nas nossas mãos.

Abraço a todos os colegas

NOTA: Indicamos, de seguida, os links da cobertura jornalística da SIC e da Lusa, sobre esta iniciativa de luta, assim como dos posts dos blogs de professores:

SIC, Jornal da Tarde – 5 de Março, 2011 (a partir do minuto 8:50)

Notícia da Agência Lusa

Na Blogosfera:

Sala de Professores

Correntes

O Estado da Educação e do resto

Pérola de Cultura

Esquerda.net

Facebook da APEDE

(Re)começar a mexer: Concentração/Vigília de Professores em Sintra, dia 4 de Março, 21h.

Posted in Acções de Luta,APEDE,Cidadania,Dignidade,Resistências por APEDE em 26/02/2011

O núcleo de Sintra da APEDE organizará no próximo dia 4 de Março, sexta-feira, pelas 21 horas, junto ao edifício da Câmara Municipal de Sintra, uma Concentração/Vigília de professores que visa reforçar e dar visibilidade pública ao sentimento geral de contestação à actual política educativa.  

As razões desta Acção de Protesto e Luta são, acima de tudo, as seguintes:

– a recusa e a exigência do fim imediato da verdadeira farsa que constitui este modelo de Avaliação (?!) de Desempenho Docente,  dada a sua injustiça,  falta de rigor e seriedade, para além da profunda  incompetência técnica e delirante teia burocrática que o envolve;

– o combate à anunciada constituição de Mega-Agrupamentos em Sintra, por razões meramente economicistas, situação que  irá criar ainda mais dificuldades à gestão das unidades educativas no nosso concelho (nalguns casos poderão atingir cerca de 4000 alunos), descaracterizando totalmente a identidade de cada Escola, fazendo tábua rasa da tão propalada autonomia, agravando a falta de recursos técnicos, materiais e humanos para fazer face aos problemas de insucesso, indisciplina e abandono escolar, comprometendo a qualidade do trabalho pedagógico e cooperativo dos professores (reuniões de departamento com mais de 100 professores)  reduzindo serviços e o número de funcionários administrativos, em suma, colocando em causa a qualidade do Ensino e o funcionamento das Escolas;

– a resistência activa  à ofensiva de precarização laboral perpetrada por este governo que ameaça lançar no desemprego, já em Setembro,  milhares de professores que investiram anos e anos da sua vida  num projecto, num trabalho e  num percurso profissional que se vê agora criminosamente interrompido, com a eliminação/redução de Área de Projecto e Estudo Acompanhado (defendemos a redistribuição dessas horas pelos Departamentos Curriculares), extinção do par pedagógico em EVT, etc.;

– a defesa intransigente da dignidade profissional docente e de uma Escola Pública de Qualidade, seriamente ameaçadas por políticos sem estatura moral e ética para conduzirem os destinos da Nação; 

–  o reforço da mobilização dos colegas (das escolas do concelho de Sintra, mas não só) no sentido de um trabalho conjunto de esclarecimento, denúncia e resistência às actuais políticas educativas. É sobretudo nas escolas que a luta tem de persistir e aprofundar-se. Para isso, precisamos de criar redes de contactos e sinergias de actuação.

É por estas e outras razões, que nunca  deixaremos cair, nomeadamente, o combate ao  actual modelo de gestão, o reforço dos meios materiais e  humanos de apoio ao trabalho dos professores e uma resistência activa à usurpação continuada dos nossos direitos laborais, que apelamos à presença combativa de todos os colegas  nesta Concentração/Vigília de Professores, em Sintra, no próximo dia 4 de Março.

Pára de remoer a tua resignação e vem afirmar a tua dignidade!

O núcleo de Sintra da APEDE,
Ricardo Silva
Eduardo Alves
Cristina Didelet
Isabel Parente
José Manuel Faria

Professores em greve ao serviço extraordinário até final de Junho – Educação – PUBLICO.PT

Posted in Acções de Luta,APEDE,Sindicatos por APEDE em 21/02/2011

Balanço de uma acção de protesto

Foto da autoria de Mário Carneiro - Blogue "O Estado da Educação e do Resto"

O núcleo da APEDE de Caldas da Rainha agradece a todos os professores que ontem, 28/01/2011, à noite, estiveram presentes na vigília/concentração que teve lugar nesta cidade, correspondendo, assim, ao apelo que lhes foi dirigido. Destaque-se o facto de terem comparecido alguns colegas que, revelando um notável sentido de combatividade, se deslocaram, dezenas, nalguns casos centenas, de quilómetros para participarem numa acção de protesto. Vai ainda uma palavra de reconhecimento para o Ricardo Silva, presidente da APEDE, e para o núcleo de Sintra, os quais, desde a primeira hora, se empenharam na concretização desta iniciativa.

Esta acção de protesto teve como principal escopo dar visibilidade ao mal-estar e ao descontentamento profundo que grassa nas escolas, motivado pela tomada de consciência, por parte dos professores, de que as medidas mais gravosas implementadas no consulado de Lurdes Rodrigues, não só permanecem inalteradas nos seus aspectos essenciais, como têm vindo a ser complementadas, de forma consistente e continuada, por outras que, além de subverterem a identidade organizacional daquilo que até agora conhecemos como Escola Pública, visam aniquilar em definitivo a autonomia intelectual e pedagógica do exercício da docência.

Infelizmente, o nosso intento não foi plenamente conseguido, atendendo ao facto de que um número pouco impressivo de participantes (perto de uma centena) dificilmente cria o assomo de combatividade necessário para converter o queixume inconsequente numa vontade de recuperar a dignidade profissional e de expulsar a burocracia insana que tomou conta das escolas.

Podemos considerar que o momento de realização e a forma de divulgação da iniciativa não foram os mais adequados, que o trabalho preliminar de mobilização foi insuficiente, que as condições meteorológicas foram adversas: estaremos a passar ao lado do essencial.

Certo é que, não havendo capacidade de perseverar na luta, a possibilidade de melhorar as actuais condições de exercício da docência e de impedir a erosão sistemática e continuada dos direitos laborais dos professores será uma miragem.

Colegas e amigos, em qualquer luta há momentos mais e menos exaltantes; é preciso saber lidar com ambas as situações, com elas aprender e, sobretudo, manter a chama da vontade e não desistir!

Resistências. O que fazer?

O nosso colega João Medeiros fez-nos chegar a sua tomada de posição com um pedido de escusa do cargo de relator, apresentando um fundamentado requerimento. Vale a pena ler e divulgar (embora saibamos que a questão das quotas poderá ser facilmente resolvida pelo ME).

Entretanto, tem decorrido um interessante debate, no “Educação do meu Umbigo”, sobre o tema “Acordar ou não Acordar”, baseado num conjunto de textos de opinião do nosso colega Maurício Brito. Recomendamos, vivamente, a leitura dos mesmos  e respectivos comentários:

http://educar.wordpress.com/2011/01/02/opinioes-mauricio-brito-7/

http://educar.wordpress.com/2011/01/03/opinioes-mauricio-brito-8/

http://educar.wordpress.com/2011/01/04/opinioes-mauricio-brito-9/

http://educar.wordpress.com/2011/01/05/opinioes-mauricio-brito-10/

Para ambos, um forte abraço e uma saudação especial pela coerência e pelo contributo que têm dado na luta.

Finalmente, e porque consideramos fundamental trazer para a luta aqueles que mais irão sofrer com os efeitos das actuais medidas de redução de horários (e essa é a grande chaga do momento, a par da avaliação e do modelo de gestão), gostaríamos de deixar um recado muito simples às organizações sindicais: está mais que na hora de avançarem para as escolas, para todas e cada uma, e junto dos colegas, junto das bases, fazerem a necessária PEDAGOGIA da luta. Esclarecer, divulgar, insistir, mobilizar, apelar para a luta, olhos nos olhos, deixando clara a sua urgência, assumir os erros passados e falar verdade, percebendo que o crédito de confiança roça o zero. Esse é o nosso apelo de momento. Já sabemos que surgirão cartazes e faixas nos portões das escolas… já sabemos que se anunciam uns quantos plenários distritais (apenas para contratados) e alguns contactos parlamentares… já sabemos que se anuncia mais do mesmo nas ruas… mas o importante agora, na nossa opinião, é estar DENTRO das escolas, é falar com os professores, é ouvi-los, prestando muita atenção. É urgente, imperioso e condição essencial. O resto… veremos a seguir. Muito em breve.

Greve geral? Sim, mas…

Posted in Acções de Luta,Greve geral como ponto de partida por APEDE em 19/11/2010

CARTA ABERTA – MANIFESTO: POR UM NOVO MOVIMENTO SOCIAL

1 – O momento presente, em Portugal e na maior parte dos países europeus, é um dos mais graves que foram vividos nos últimos trinta anos.

2 – A crise económica, provocada pela acumulação de poder do capital financeiro, está a ser aproveitada para se impor uma reconfiguração total das relações sociais e dos equilíbrios que foram sendo construídos desde o final da Segunda Guerra Mundial. O Capital decidiu romper unilateralmente o «contrato social» que tinha sido estabelecido, no pós-guerra, com o Trabalho, destruindo paulatinamente todos os pilares do Estado-Providência: segurança social, pensões de reforma, pleno emprego, acesso universal ao ensino e aos cuidados de saúde – direitos que os trabalhadores haviam conquistado ao longo de lutas duríssimas.

3 – Se os trabalhadores não opuserem, desde já, uma resistência firme e eficaz a este ataque sem precedentes, a regressão poderá ser imparável, afectando não apenas os direitos sociais, mas o próprio exercício dos direitos cívicos e a democracia tal como tem sido entendida entre nós.

4 – Essa resistência tem de ser desenvolvida, portanto, em dois palcos simultâneos: o dos Estados nacionais e o das articulações transnacionais, pois o essencial do processo, económico e político, responsável pelo desmantelamento dos direitos sociais desenrola-se numa escala que transcende cada país.

5 – As actuais direcções sindicais dificilmente conseguem responder às exigências do novo cenário, marcado por uma conflitualidade radicalizada. Não o conseguem porque estão formatadas por décadas de «concertação social» orientada para disciplinar e conter a contestação laboral; e porque insistem em operar num nível essencialmente nacional, sem flexibilidade suficiente para promoverem as necessárias articulações entre os trabalhadores de diferentes países europeus.

6 – Sendo assim, uma parte fundamental dos combates futuros terá de passar por novos actores, nomeadamente por movimentos de cidadãos independentes, capazes de se organizar à margem das estruturas tradicionais, com determinação e imaginação suficiente para lançar formas de luta inéditas, incisivas e imprevisíveis, que façam doer no osso de quem nos explora.

7 – Em Portugal começam a desenhar-se condições para a emergência de um movimento (ou de vários) que ultrapasse a esfera limitada de um grupo profissional preciso e que, em articulação com pessoas de várias proveniências, se possa constituir como um pólo de referência para as lutas sociais que urge travar.

8 – Sem querer substituir-se aos partidos e aos sindicatos, mas também sem se subordinar às suas lógicas, esse novo movimento cívico poderá pressionar, pelo exemplo das suas iniciativas, os sindicatos e outras organizações laborais a fazer mais e melhor pela defesa e pelo aprofundamento dos direitos sociais, contra o aprofundamento das desigualdades que os governos europeus nos querem impor.

9 – Uma das raízes possíveis para esse movimento é justamente a blogosfera. Nela existem já espaços de intervenção que, devidamente articulados entre si, poderiam lançar um movimento como esse. Tais espaços têm vindo a formular alternativas no plano político e económico, sólidas e empiricamente fundamentadas. E elas constituem, aqui e agora, um inestimável património de crítica contra o modelo que os governantes-serventuários pretendem apresentar como uma fatalidade incontornável.

10 – Os actores que actuam nesses espaços de reflexão precisam apenas de operar uma transição fundamental: passar do mundo virtual da blogosfera para o mundo material onde se encontram as pessoas de carne e osso. Pessoas que estão famintas de orientação. Pessoas que requerem, com urgência, os instrumentos teóricos e conceptuais para interpretar a situação actual e para pensar a forma mais consistente de a combater. Pessoas que desejam também discutir alternativas. Pessoas que necessitam de pluralismo no debate público como quem necessita de oxigénio mental.

Por tudo isto, lançamos daqui um repto a todos aqueles, bloggers ou não, que se reconhecem nas ideias aqui expressas, para se juntarem a nós e afirmarem a sua disposição de contribuir para a génese desse novo movimento.

Indicamos aqui o endereço electrónico para o qual poderão enviar as vossas mensagens:

novo.movimento@gmail.com

Posteriormente, serão marcados um local e uma hora onde nos poderemos reunir.

Tudo está em aberto. E tudo depende de nós (de vós).

 

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