APEDE


As políticas de Maria de Lurdes Rodrigues vão estar, finalmente, em tribunal

Posted in Cenas de um país onde não apetece viver por APEDE em 26/10/2011

Como, infelizmente, se previa, o jornalismo servil, apostado em desinformar e intoxicar por encomenda política, que vive do conúbio  permanente com quem manda, lá conseguiu que um juiz desta fabulosa e eficientíssima justiça-que-temos levasse o Paulo Guinote a tribunal, com base num processo por difamação

O pecado do Paulo? Ter ousado defender uma opinião livre, de forma contundente e fundamentada, num país onde a cultura salazarenta do “respeitinho é que é bonito” e a incapacidade de conviver com a liberdade continuam a ditar as regras. Que o Ministério Público insista em dar guarida a tais processos diz tudo sobre a forma fascistóide como os magistrados que deviam zelar pela justiça interpretam o exercício da liberdade de expressão e, já agora, sobre as prioridades que os motivam.

Em democracias que, com todos os seus imensos defeitos, têm uma tradição efectiva de culto pela liberdade de pensamento um processo por difamação como o agora movido contra o Paulo seria simplesmente impensável. A ideia não passaria a primeira barreira do ridículo. Quem pense que o Paulo foi demasiado “agressivo” nas palavras que dirigiu ao jornalista Chitas, páre por um momento, passeie os olhos e os ouvidos pelos programas do Jon Stewart, e rapidamente concluirá que, ao pé da linguagem usada por este génio da verrina e do sarcasmo, o Paulo foi de um comedimento admirável.

E então o resto? O resto, meus senhores, são argumentos. Argumentos que, num país normal que não nesta cloaca a céu aberto, se combateriam com argumentos e não com intimidações pidesco-justicialistas. Típicas de cobardolas que se acoitam por detrás de leis feitas à medida do seu ressabiamento e da sua incapacidade de polemizarem de maneira aberta e frontal. 

Há, contudo, um aspecto positivo que podemos extrair de todo este lamentável caso. É que, pelos vistos (e porque em Portugal não há limites para o surreal), a ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues vai depor em tribunal como testemunha do seu querido jornalista “difamado”. Isto confirma, aliás, toda a infantilidade do Chitas: vendo-se em apuros, foi fazer queixa à mamã que, pressurosa, corre em auxílio do filhinho. Perante cena tão comovedoramente edipiana, qual é o estômago que não se enternece até ao vómito?

Mas aqui apetece fazer uma perguntinha: será que a senhora é tão inconsciente (para não dizer outra coisa “difamatória”) que não calcula o sarilho em que se vai meter? A sua presença no tribunal, tendo em conta a “matéria” que vai a julgamento, só pode dar azo a que os termos se invertam: de réu, o Paulo – e, com ele, cada um de nós – facilmente passará a acusador. Será uma excelente oportunidade para, finalmente, fazer-se o processo do que foram as desastrosas políticas de (des)educação do consulado de Lurdes Rodrigues. O Paulo já sugeriu que não vai deixar perder esse pitéu e nós, pela nossa parte, tentaremos ajudá-lo no que for preciso.

Para já, fica aqui a nossa solidariedade com o Paulo – e o desejo de vivermos num país respirável.


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