APEDE


Ai sim?

DEPUTADOS DO PS DIZEM QUE O ORÇAMENTO DO ESTADO É INCONSTITUCIONAL

É quase certo que tenham razão – ainda que o Tribunal que vela pela dita cuja não o reconheça. Mas um pedido de fiscalização sucessiva do OE para esse Tribunal fica imediatamente desqualificado pelo simples facto de ter o patrocínio de um socratino militante como Alberto Costa ou o apoio de energúmenos do calibre de um Vitalino Canas ou de um José Lello – aquele tipo de personagens cuja companhia é sempre comprometedora para qualquer decência.

Manda, pois, o mais elementar bom senso e o sentido do decoro (político e não só) que o PCP e o BE se ponham a milhas de semelhante iniciativa…

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Retrato de um mentiroso

Este vídeo notável, realizado por quem prestou um verdadeiro serviço público, mostra exactamente o quê?

Bom, em primeiro lugar mostra o que, à primeira vista, constitui uma reedição de José Sócrates em versão pêpêdolas betinho.

Mas, desgraçadamente, mostra muito mais do que isso. Revela, da forma mais inequívoca, a completa falência de um certo regime democrático inaugurado, não propriamente no 25 de Abril de 74, mas no 25 de Novembro de 75. Um regime de democracia de fachada, assente na passividade e na demissão dos cidadãos “comuns”, chamados de 4 em 4 anos a plebiscitar um ou outro dos partidos do centrão, que se vão alternando no serviço dos interesses de quem domina os cordelinhos e de quem lhes passa os cheques e cujos figurões e figurinhas transitam, com total impunidade, das cadeiras ministeriais para os conselhos de administração das empresas que beneficiaram enquanto “governantes”. Uma pseudo-democracia na qual o cumprimento de quaisquer compromissos ou promessas eleitorais tem sido letra mais que morta.

Passos Coelho passeia-se tranquilamente, num curto espaço de tempo, de uma determinada posição para a sua oposta, faz exactamente o contrário do que apregoou antes, pisca obscenamente o olho ao eleitorado basbaque para, chegado ao governo, fazer o contrário do que havia defendido antes.

E nós assistimos a isto, com a incredulidade de quem descobre que há sempre mais um degrau para se descer na cave da ignomínia política.

Cada mentira impune que estes senhores congeminam é um tiro acrescido no regime vigente. Mas é também pior do que isso: é um tiro que atinge a própria ideia de democracia em geral, a ideia de que se pode fazer política na base de um contrato de confiança entre os cidadãos e os seus representantes.

Andamos todos, compreensivelmente, angustiados com esta crise fabricada para exaurir as classes médias a favor dos anafados do costume. Mas talvez não estejamos a reparar noutra crise, mais larvar e, porventura, mais grave. Aquela de onde saem os verdadeiros monstros.

Para um retrato da «geração à rasca»

Posted in Chamar estes bois pelos seus verdadeiros nomes por APEDE em 08/10/2011

Em chegando o mês de Outubro, repetem-se por todo o país, no perímetro das escolas universitárias, em seu redor e em vários pontos da paisagem urbana, cenas cuja visualização constitui material espontâneo para se apreenderem ao vivo aspectos da cultura portuguesa radicalmente criticada por Antero de Quental no seu estratégico manifesto de 1871, Causas da Decadência dos Povos Peninsulares.

Em Portugal, o movimento estudantil, no contexto da luta contra a guerra colonial em África, aboliu em Coimbra, na crise académica de 1969, a Queima das Fitas e respectivos anexos, afirmando que os tempos já não estavam para palhaçadas. Mas em 1980, derrotada a revolução social subsequente ao 25 de Abril de 1974 e vindo de novo ao de cima a velha sociedade, os tempos para palhaçadas regressaram, como se impunha, e as praxes académicas mai-la Queima das Fitas foram reimplantadas − alastrando desta vez a todo o país o legado provinciano de Coimbra e a célebre palermice que Almada-Negreiros ali detectou.

Impantes, os alunos de todas as universidades e institutos fizeram questão de cozinhar uma «tradição académica» local, com as respectivas variações de pormenor nos trajos pretos herdados do clericalismo de má sina, a capa e batina do ensino sô prior.

Semelhante iniciativa foi expressão, por um lado, da massificação do ensino terciário (após o primário e o secundário) exigida por um capitalismo que tinha absolutamente de modernizar-se para se expandir, e, por outro lado, do atrasado e manco desejo estudantil de aceder à imagem e eventuais privilégios da dótorice à portuguesa, inscrita na hierarquização papuda que pretende criar diferenças de estatuto (nesta bazófia tipicamente portuga) entre estudantes e não estudantes. Com efeito, sendo Portugal encarado como uma eterna nação de analfabrutos, tinha dialecticamente de continuar a ser um país de dótores − ou seja, de prolongar no presente o passado dessa apetecida parolice.

As «praxes» tornaram-se assim, nas diversas «academias», objecto duma vasta e desenvolvida infantilização de jovens adultos, revelando, do mesmo passo, o notável grau de submissão a que podem ser levados indivíduos aparentemente em posse das suas faculdades mentais e na «flor da idade», desde que a cenoura da ostentação com que lhes acenem se apresente lustrosa. As desbundas «académicas», engenhosamente rascas, podiam deste jeito obrigá-los a provar toda a espécie de trampas, a fazer simulações de cenas sexuais à boa moda dum machismo eternizado, a desempenhar papéis de heróicos néscios, a obedecer, em suma, às ordens proferidas no altar duns pobres rituais destinados a indigentes, para gáudio da inteligência ruminante de «veteranos» e «veteranas» devidamente arreados e intumescidos, apoiados nas respectivas coortes de serviçais.

A documentação psicológica assim obtida terá sem dúvida sido útil a um patronato que estava justamente, também ele, a querer modernizar-se, com vista à obtenção de uma mão-de-obra dócil, mal paga e adaptável às curvas sinuosas do «crescimento económico». De facto, se tantos jovens modernizados eram capazes de baixar a espinha a torturas, embora neoparvas, impostas por colegas mais velhos, isso era um sinal, bastante positivo, de que seriam moldáveis a um outro tipo de cangas, mais elaboradas e já decorrentes da ciência económica, estabelecidas como coisas banais e imperativas: estágios laborais sem receber um chavo e de sorriso nas ventas, baixos salários, recibos verdes, precariedade, flexibilidade, adaptabilidade, e o mais que à dita ciência convenha em prol da sacrossanta «produtividade».

No tocante a estas sôpriores geringonças mentais, um outro aspecto a exaltar é o folclórico. Com efeito, ao reinstalarem nos costumes escolares as grãs tradições da Queima e da Praxe, estes estudantes tornaram-se, ipso facto, os últimos lídimos representantes do mais autêntico folclore português: o dótoral. Sem eles, ter-se-ia perdido para sempre um património inestimável, arrotante, aparelhadamente rançoso, devidamente grotesco e bafiento − em suma: sô prior.

De resto, as localidades onde tão elevatórios fenómenos acontecem, para satisfação das forças vivas que ali medram, tornam-se, por altura da Semana da Queima (já com marca registada e empresa privatizada), verdadeiros arraiais de gesticulações, com multidões vestidas de preto, eles de calça ou calção, elas de saia ou saiote, envergando óculos escuros que em todos acentuam o ar modmoderno e sô prior, ingurgitando a toque de caixa hectolitros de cerveja a martelo, entoando gritos de vitória em honra e louvor das Santíssimas Novas Tecnologias (avé, avé, ó miraculosas!), vomitando e mijando nas mais diversas superfícies disponíveis, e até, benza-os Deus, indo à missa (solene, para a «benzedura das pastas»), e ósdespois a outras missas, campais e frenéticas, crentes extasiados ante as sonoras vedetas que ali vêm de encomenda − as quais, com a sua estridência electrónica, têm a sublime tarefa de entoar hinos promissores ao futuro futuro da nova geração.

Júlio Henriques
 
 

Intervalo para insultar um cretino

Posted in Chamar estes bois pelos seus verdadeiros nomes por APEDE em 01/07/2011

Há anos que uma certa besta insiste em passar por jornalista e até por director de jornais “de referência” (pior ainda: até se imagina escritor!). Os que conseguem resistir e sofrer as suas prosas, do mais inacreditavelmente imbecil que já se imprimiu em jornais deste país, ficam perplexos a pensar nos mistérios da hereditariedade: por que raio é que um homem brilhante  – um pouco amalucado, é certo – gerou um debilóide deste jaez?

Ora façam favor de “admirar” a última cretinice do cavalheiro em causa, desmontada, com bastante graça, neste “post”.

Nulidades pátrias

De entre os vários enigmas em que a nossa pátria é fértil, há um mistério menor (absolutamente menor) que temos alguma dificuldade em entender: o prestígio que rodeia essas vacuidades intelectuais que dão pelo nome de Manuel Maria Carrilho e António Barreto.

De vez em quando, ainda nos forçamos à tarefa de passar os olhos por um artigo que uma destas duas criaturas perpetra num periódico, com a ingénua esperança de que a regra tenha a sua excepção e que dali saia alguma coisa vagamente memorável. Em vão. A meio do artigo já desistimos da atenção concentrada, optando pelo modo «leitura em oblíquo», o único capaz de fazer justiça às banalidades que o texto expõe à nossa curta paciência. 

É totalmente inglório o esforço de encontrar qualquer substância, um pequeno rasgo, um esboço de uma ideia interessante naquilo que escrevem ou naquilo que dizem.

E, no entanto, os dois lá vão mantendo colunas regulares nos jornais e são regularmente convidados para, nas televisões, cumprirem o seu papel de pitonisas do nosso tédio. 

O mais bizarro é o coro de elogios que estas rotundas nulidades conseguem arrancar, vindos até de pessoas que lhes são infinitamente superiores e que, desse modo, dão mostras de que o curto-circuito cerebral pode afectar as cabeças mais insuspeitas.

Vem isto tudo a propósito do discurso de António Barreto nas comemorações do 10 de Junho.

Por uma vez, houve alguém que, de forma brilhante, destapou a nudez deste paupérrimo rei da nossa tristeza e do nosso bocejo:

Coisas sem interesse

Posted in Chamar estes bois pelos seus verdadeiros nomes por APEDE em 20/05/2011

O rosto de um canalha

Posted in Chamar estes bois pelos seus verdadeiros nomes por APEDE em 29/04/2011

Por estes dias, a direita liberalóide que nos coube na nossa má sina anda a salivar com a perspectiva de enfiar na pobreza e na insegurança mais fundas quem, vivendo do seu trabalho, se vê hoje confrontado com a corda bamba da precariedade. Trata-se de uma direita composta por indivíduos que, verdadeiramente, nunca arriscaram nada na vida, que têm as suas sinecuras garantidas à sombra do Estado que tanto amaldiçoam (quando se trata de garantir direitos que não sejam os deles), que usufruem de reformas douradas em regime de acumulação e que andam a pontificar em medíocres “tanques de pensamento”, com esperança de mais algum tacho lhes cair nos braços como recompensa pelos bons serviços ideológicos.

Mas há quem tenha a desvergonha de ultrapassar todas as medidas. Como este:

 

De facto, é preciso ter uma supina lata para chamar ao «desemprego» uma «zona de conforto» da qual urge fazer sair o malvado do desempregado preguiçoso – à custa, claro está, da redução dos seus direitos sociais: salário mais baixo, redução na futura pensão de reforma por ter cometido a ousadia de ficar desempregado, etc.

A este canalha – porque não há outro nome – era condená-lo a ficar, por tempo indeterminado, nessa «zona de conforto». A ver se ele gostava de se sentir assim tão «confortável».


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