APEDE


Ligações perigosas

Mais cenas da partidocracia portuguesa

Posted in circo político,Partido "Socialista",Sócrates por APEDE em 14/11/2010

Na desorientação geral que se apoderou dos principais actores desta tragicomédia em que se afundaram Governo e o PSD, eis que agora surge a tentação de desenterrar o chamado «bloco central», com o beneplácito ambivalente de Cavaco Silva, a par de tentativas patéticas de fazer transfusões de sangue para um morto.

O PS perdeu o rumo e o tino, não sabendo já a que estratégia de sobrevivência política há-de recorrer.

A isto ficou reduzido o «menino de ouro do PS». Habituado a governar para a propaganda, e nunca para o país, com uma arrogância autista que esteve, durante demasiado tempo, protegida e reforçada por uma comunicação social cúmplice (enquanto o «menino de ouro» se revelou útil para quem passa os cheques à venalidade “jornalística”), Sócrates não aguentaria muito tempo o confronto com uma realidade de vacas esqueléticas. Aquele género de realidade que nenhum fogo de artifício consegue iludir ou ocultar.

Agora já ninguém quer tocar no «menino de ouro». A sua presença tornou-se embaraçosa, e parece muito difícil que o homem tire da sua cartola um truque providencial que lhe permita manter-se agarradinho ao poder. No seu próprio partido já lhe farejam a sucessão. E o barco está mesmo a ir ao fundo.

Tudo isto seria hilariante se este naufrágio não estivesse associado ao colapso do país, ao aumento vertiginoso do desemprego, à destruição programada dos direitos sociais dos trabalhadores e dos grupos mais desfavorecidos.

 

Democracia exemplar

Posted in circo político,Coreografias,encenações,Manobras por APEDE em 30/10/2010

Toda esta encenação caricata em torno das negociações do Orçamento entre PS e PSD revelou também um traço muito sintomático sobre o modo como a partidocracia confiscou e perverteu por completo o sentido da democracia em Portugal (embora, desgraçadamente, tal não se verifique apenas entre nós).

De facto, jornalistas, “fazedores de opinião” e, provavelmente, muitos dos cidadãos comuns acharam natural que, num sistema de democracia representativa e parlamentar, dois grupos incumbidos pelos respectivos directórios partidários se tenham reunido à porta fechada para combinarem ou negociarem não se sabe bem o quê. Dada a total opacidade de todo este processo, podemos legitimamente interrogar-nos sobre o que foi, de facto, negociado e se o que vai aparecer em letra impressa corresponde às combinações feitas nos bastidores.

(Parêntese: mas não foi também isto que ocorreu nas famigeradas negociações entre os sindicatos de professores e o Ministério da Educação, cujas actas não havia meio de aparecerem? Pois é. A oligarquização da democracia chega a todo o lado…)

E é espantoso que tanta gente considere isto aceitável numa democracia em que a transparência dos actos políticos, condição necessária para o seu escrutínio público, deveria ser a regra elementar.

Nada disso. Aliás, pudemos mesmo ouvir o ministro Silva Pereira, com aquela cara de pau que só ele sabe ostentar, dizer repetidamente que as negociações nunca devem ser feitas na praça pública.

Pois é aí mesmo que elas deveriam ser feitas, pois só assim poderíamos controlar o que está a ser congeminado e estaríamos em condições de avaliar criticamente um processo que nos vai afectar de maneira profunda. Isso, porém, equivaleria a minar um poder assente em desigualdades e assimetrias profundas.

O secretismo é apenas mais um meio de que os poderes fácticos  se servem para privar o cidadão comum de ter uma palavra a dizer sobre o seu futuro.

Humilhados e ofendidos

Posted in circo político por APEDE em 29/10/2010

E se o PS e o PSD tivessem, ao menos, o elementar pudor de não nos ofenderem com as suas pobres coreografias e encenações de bastidores – que revelam um peculiar entendimento da democracia – para, no fim, se chegar a isto?

É, no entanto, um resultado previsível, tendo em conta a qualidade dos actores envolvidos…


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