APEDE


Será que o pessoal se começa (mesmo) a mexer?

Posted in Eppur si muove? por APEDE em 18/11/2011

A CIÊNCIA CONTRA O PENSAMENTO ÚNICO. ALTERNATIVAS À CRISE

A convocação de uma greve geral por parte da CGTP-IN e da UGT para o próximo dia 24 de Novembro constitui uma oportunidade de intervenção crítica. Conscientes da partilha de problemas generalizados aos restantes trabalhadores e de particulares dificuldades e responsabilidades perante a sociedade, nós, investigadores e estudantes do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa decidimos participar nesta ocasião, dando resposta a uma necessidade amplamente sentida entre os cientistas sociais. Neste sentido, no próximo dia 22 de Novembro convidamos todos os interessados a fazer uma reflexão e debate aberto em torno do quadro de crise que nos é imposto e de como propor eficazmente à sociedade formas alternativas de lidar com os problemas actuais.

A crise, provocada por um domínio crescente dos mercados financeiros sobre as mais diversas esferas sociais e políticas, reproduz-se sistematicamente ao apresentar soluções, tidas como inevitáveis, que a experiência recente demonstra que contribuem apenas para agravar o problema. Do programa de medidas definido pela Troika às políticas de contenção orçamental propostas pelo actual governo, a austeridade tornou-se no único caminho viável. Uma via que, contudo, não deixa de assumir os mais assimétricos contornos, concentrando o ónus do sacrifício nos mais desprotegidos.

À semelhança de outras relevantes áreas sociais, a investigação científica e o ensino são também vítimas de tal lógica. O anúncio de cortes orçamentais já programados para o próximo ano vem, neste sentido, agravar as condições de trabalho de todas as pessoas envolvidas na criação e produção de ciência, já por si afectadas pela precarização e erosão progressiva de direitos. Uma dinâmica que, a expandir-se, representa uma forte ameaça às condições de produção do conhecimento científico e à sua própria autonomia, numa altura em que é ainda mais necessária a sua capacidade de propor alternativas aos lugares-comuns e preconceitos dominantes.

 

Por considerarmos necessária a criação de formas de debate que permitam pensar a crise e a política de uma forma aberta e não limitada pela ideologia do inevitável, convidamos à discussão, a partir das 14 horas do dia 22 de Novembro de 2011, na Sala Polivalente do ICS/UL, dos seguintes temas:

1 – O ensino superior e a investigação científica, as condições de quem neles trabalha (investigadores, docentes, estudantes e funcionários) e as limitações à produção de conhecimento;

2 – Responder à crise: alternativas e formas de intervenção.

Uma mudança a passo de cágado?

Posted in Eppur si muove? por APEDE em 31/10/2011

Do mal-estar à esperança?

Posted in Eppur si muove? por APEDE em 14/12/2010

Afinal, parece que as coisas estão mesmo podres, não no reino da Dinamarca (onde já estiveram melhores), mas no reino do faz-de-conta socratino.

Esta notícia mostra que o mal-estar começa a atingir os directores das escolas, afectando, portanto, os que estariam mais bem posicionados para servir de lacaios às ordens do Ministério da Educação.

Claro está que não devemos embandeirar em arco e imaginar que, de repente, um grande número de directores escolares se irá converter em contestatário radical das políticas governamentais. Lembremos que, no passado recente, as expectativas depositadas em órgãos representativos dos presidentes de conselhos directivos acabaram frustradas perante a pusilanimidade – e a venalidade política – revelada pela grande maioria dos PCE, já então atraídos pela miragem do poderzinho despótico que vinha associado ao cargo de director.

Acontece que a pressão exercida pelo Ministério – a que não é estranho o fantasma da avaliação que impende igualmente sobre os directores – está a revelar-se insuportável, e as pequenas mordomias remuneratórias (em breve engolidas pelos cortes nos salários) já não compensam o desgaste provocado pelo exercício do cargo de direcção.

A imposição dos mega-agrupamentos, a redução do número de elementos nas direcções, o clima de «cortar à faca» que hoje se vive em muitas escolas – efeito de um modelo de avaliação do desempenho que só serve para criar divisões e conflitos entre colegas -, tudo isso concorre para que alguns directores venham agora a público manifestar a sua insatisfação ou a sua inquietude.

Talvez por aí algo possa mudar, para mexer e agitar estas águas estagnadas. Águas que podem muito bem estar a cobrir os mais imprevistos vulcões.

Significativo é que os directores cuja voz se está agora a ouvir apontem o modelo de avaliação como causa maior do mal-estar nas escolas.

Vamos seguir atentamente os próximos capítulos…

 


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