APEDE


A FENPROF anuncia 12 propostas reivindicativas e esquece o modelo de gestão. Porquê?

O Paulo Guinote levanta aqui uma importantíssima questão que os sindicatos, e particularmente a maior federação sindical docente, aparentemente desconhecem e que, uma vez mais, não colocam em cima da mesa negocial, como se poderá constatar facilmente pela leitura das 12 propostas que a FENPROF  acabou de apresentar para “evitar ruturas nas escolas e o colapso do sistema educativo“.

Não discordando do teor das propostas apresentadas e das preocupações manifestadas pela FENPROF, há todavia uma questão central que tem de ser colocada aos seus responsáveis: a absoluta e total ausência de qualquer referência, nesse “caderno de encargos” reivindicativos, à urgente necessidade de reformulação e democratização do atual modelo de gestão das escolas, significará uma rendição sindical, e uma desistência da luta, no que a este assunto diz respeito?

Lembramos que, ainda no passado recente, essa questão era tida como central. Ou pelo menos anunciada como tal.

Com que justificação foi agora abandonada neste conjunto de propostas? Não nos digam que não era oportuno… ou que já consta de outros documentos de “luta a sério”…

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Tanta “seriedade” só dá vontade de rir (e de chorar)

Secretário-geral da Fenprof apela “à luta a sério”

Façamos, pois, o balanço de tanta “seriedade” no seu passado recente:

– Capitular perante políticas gravosas para os professores e procurar, depois, ocupar um lugarzinho acolhedor à sombra das mesmas – nomeadamente, promovendo acções de (de)formação para que os professores se tornassem peritos na sua execução.

– Desbaratar a única greve de um dia, com a adesão historicamente esmagadora que teve, que poderia ter servido como ponto de partida para formas drásticas de resistência nas escolas.

– Fazer tudo para desencorajar essa resistência e para desmobilizar os professores.

– Negociar, nas costas dos professores, memorandos de entendimento e acordos que os prejudicam.

– Regressar a acções de rua pindéricas, reduzidas ao protesto pífio só para marcar agenda e fazer papel de (morto-)vivo.

– Regressar às greves gerais desgarradas que só servem para os vampiros que nos (des)governam meterem um dia de salário dos trabalhadores nos cofres do BPN.

De “seriedade” em “seriedade” até à gargalhada final. Aquela em que só riem os nossos desgovernantes – e quem os tem no bolso.

Ligações perigosas

A Cartilha do Bom Sindicalista ou a “Teoria da Cassete” – um texto de José Manuel Faria

A Cartilha do Bom Sindicalista ou a “Teoria da Cassete”

Ponto 1 – Na abalizada visão de certos “fundamentalistas” do sindicalismo-que-temos, os dirigentes sindicais nunca são passíveis de ser criticados (sejam quais forem as asneiras que pratiquem), antes pelo contrário!!!

Ponto 2 – Os ignaros que se atreverem a denunciar as estratégias erradas desses deuses do Olimpo (verdadeiros dinossauros do sindicalismo-que-temos) são sempre mimoseados com os mais desprezíveis epítetos e considerados abaixo de gente.

Ponto 3 – As lutas e movimentações da classe SÓ podem ser concebidas, dirigidas e levadas a cabo sob a égide das referidas divindades. Como corolário, TODAS as iniciativas que não provenham do Olimpo serão necessariamente boicotadas e esvaziadas independentemente do seu eventual mérito, seja por que meios forem….

Ponto 4 – Os dirigentes sindicais (e partidários) nunca devem reconhecer os seus erros nem fazer qualquer autocrítica, mesmo perante manifestas derrotas!!!

Ponto 5 – A evidente subordinação desses dirigentes às mais mesquinhas políticas e interesses partidários é em si mesmo um bem supremo a prosseguir por todos os meios.

Ponto 6 – Resulta óbvio desta filosofia que, sempre que os dirigentes se recusem avançar com formas de luta concretas e incisivas, pactuando ativamente com o inimigo, as bases devem aguardar serenamente melhores dias com aquele espírito de rebanho que caracteriza a ideologia partidária subjacente.

Ponto 7 – É do maior interesse para a classe que, devido às excecionais qualidades evidenciadas por esses grandes líderes, eles se mantenham no desempenho dos seus altos cargos pelo maior número de anos (décadas), manobra bem escorada na blindagem dos estatutos.

Ponto 8 – A prática de referendos e plenários vinculativos para legitimar as decisões mais importantes como acordos, memorandos e formas de luta avançadas é considerada algo de subversivo e perigoso, embora por vezes necessário. Tal só deverá eventualmente realizar-se (a título meramente pontual) se, e só se, o resultado esperado coincidir com a decisão já previamente tomada no “Olimpo”.

Eis o retrato do sindicalismo-que-temos. Será que vamos mantê-lo? Está na nossa mão mudar o panorama!!!

Coisas que nos deixam perplexos

Posted in Estranhezas do mundo sindical por APEDE em 27/10/2010

Ok, pronto, Carvalho da Silva não disse que aprova o Orçamento. Seria demasiado surreal.

Mas…

… mesmo assim…

é este o discurso de quem se espera que lidere os trabalhadores numa série de combates duríssimos e exigentes contra as medidas do Governo-serventuário-de-Bruxelas-e-dos-banqueiros?

Ao menos este outro “granda” dirigente sindical já nem tem vergonha de defender a aprovação do Orçamento.

Com estes senhores adivinham-se grandiosas jornadas de luta…


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